“Continuo buscando, re-procurando. Ensino porque busco, porque indaguei, porque indago e me indago. Pesquiso para conhecer o que ainda não conheço e comunicar e anunciar a novidade”.

Paulo Freire


quinta-feira, 5 de setembro de 2013

O autista na sala de aula: socialização e aprendizagem

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Imagem:http://www.abcdamedicina.com.br

É bom ter em mente que, normalmente, as crianças à medida que vão se desenvolvendo vão aprendendo a estruturar seu ambiente enquanto que as crianças autistas e com Distúrbios Difusos necessitam de uma estrutura externa para otimizar uma situação de aprendizagem.” (in Gauderer, 1993).

      Professor de psiquiatria e psicologia na Universidade da Carolina do Norte em Chapel Hill por mais de 40 anos,  o alemão Éric Schopler foi um dos primeiros a estabelecer que o autismo é uma desordem neurológica tratável e desenvolveu o TEACCH (Tratamento e Educação para Autistas e Crianças com Déficits relacionados com a Comunicação) no início da década de 1970.clip_image002

Método TEACCH

(Este programa usado nas escolas tem apresentado excelentes resultados na socialização e na aprendizagem de crianças autistas).

     O método TEACCH fundamenta-se em pressupostos da teoria comportamental e da psicolinguística:

* Na área da psicolinguística, fundamenta-se nessa teoria a partir da afirmação de que a imagem visual é geradora de comunicação.

* Na Terapia comportamental é imprescindível que o professor manipule o ambiente do autista de maneira que comportamentos indesejáveis desapareçam ou, pelo menos, sejam amenizados, e condutas adequadas recebam reforço positivo.
* Na terapêutica psicopedagógica, trabalha-se concomitantemente a linguagem receptiva e a expressiva.

clip_image003  (leia sobre os estímulos visuais, no link: http://silylandia.blogspot.com.br/)

       São utilizados estímulos visuais (fotos, figuras, cartões), estímulos corporais (apontar, gestos, movimentos corporais) e estímulos audiocinestesicovisuais (som, palavra, movimentos associados às fotos) para buscar a linguagem oral ou uma comunicação alternativa. Por meio de cartões com fotos, desenhos, símbolos, palavra escrita ou objetos concretos em sequência (potes, legos etc.), indicam-se visualmente as atividades que serão desenvolvidas naquele dia na escola.       clip_image004

  (imagem:http://williansamueloautista.blogspot.com.br)

    Os sistemas de trabalho são programados individualmente e ensinados um a um pelo professor. As crianças autistas são mais responsivas às situações dirigidas que às livres e também respondem mais consistentemente aos estímulos visuais que aos estímulos auditivos.(http://teofilootoni.apaebrasil.org.br/noticia.phtml/35955).

     De acordo com o TEACCH as crianças recebem um atendimento especializado nas escolas a partir do momento em que chegam, obedecendo a uma rotina diária e repetida, veja:

Recepção do Aluno

Na escola - o aluno é acolhido por um profissional com qual já tenha vínculo estabelecido que se torna um sinalizador do dia escolar, conduzindo-o ao professor.

clip_image005Na sala de aula – o professor faz o acolhimento do aluno e através de sinalizações  verbais ou gestuais ele será estimulado a guardar o material escolar que trouxe de casa. O ambiente da sala de aula  com um espaço que permite a realização de atividades individuais, em grupos, com colchonetes e almofadas, organizados de forma agradável: com pouca estimulação visual, o número de carteiras de acordo com o quantitativo de alunos – que favorecem um sentimento de pertinência e de previsibilidade quanto ao espaço físico.

Atividades na Aula  - A professora vai registrando na lousa a sequência de atividades do dia antecipando  a programação para os alunos constando :

Entrada – Oração – Música – Estória – Tarefa – Higiene – Lanche – Recreio – Passeio – Tarefa – Recreação (supervisionada) – Saída

Veja cada atividade do aluno na escola:

1 –Entrada:  professora lembra que a entrada já aconteceu  e fala sobre o tempo (orientação espaço/temporal).

clip_image0062- Oração: momento em que o professor  estimula os alunos  a realizar um  agradecimento pelo dia.

3- Música: a música é sempre usada nas atividades pedagógicas como para antecipar atividades programadas. (as músicas devem curtas e de fácil memorização). São músicas conhecidas.

Exemplos:

música para antes da recreação:

Parquinho

Agora eu vou pro parque.. / Contente eu estou

Ai, ai, ai, que coisa boa /  Ai, ai, ai feliz estou.

tempo:

Janelinha

A janelinha fecha / Quando está chovendo
A janelinha abre / Se o sol está aparecendo
Fechou, abriu / Fechou, abriu, fechou.
Abriu, fechou / Abriu, fechou, abriu.

Trabalhando com números e quantidades:

Os Indiozinhos

clip_image007Um, dois, três indiozinhos /quatro, cinco, seis indiozinhos

sete, oito, nove indiozinhos / dez num pequeno bote… 

Alfabeto – (trabalho contextualizado com o prenome, por exemplo)

Eliana

O que é que começa com A? /Abacate e avião
O que é que começa com B? / Brincadeira e beliscão
O que é que começa com C? / Cachorrinho e caminhão…

4 – História: O professor conta uma história, sempre criada por ele mesmo, de sequência lógica simples, relativas ao cotidiano do aluno,  desenhando objetos e cenas à medida que vai contando. Na história fala-se do clima, vegetação, a forma que cada aluno chega á escola, a própria escola e suas dependências, os alunos, o professor e o auxiliar. 

5 – Tarefa: atividades dirigidas individuais ou em grupos, na mesa dos alunos ou não, de acordo com os objetivos planejados para cada aluno a partir do PIE (Planejamento Individual de Ensino) :

o PIE deverá seguir os seguintes passos:
— a observação da criança em situações livres e dirigidas, o primeiro passo para que o professor possa conhecê-la e iniciar seu vínculo com ela;
— a aplicação do roteiro de observação baseado na Escala de Desenvolvimento Portage possibilita obter-se o perfil do aluno no início do atendimento. A escala deverá ser reaplicada a cada ano, permitindo a reavaliação dos objetivos propostos e consequentemente a evolução do aluno sinalizado através de gráficos.
— a seleção dos objetivos a serem trabalhados respeita a sequência evolutiva de aquisição delineada na Escala Portage, ou seja, orienta-se por uma gradação das dificuldades do aluno. As habilidades básicas são trabalhadas antes das mais elaboradas,
devendo a criança manifestar em seu repertório condutas prévias, necessárias para chegar ao objetivo proposto.
     A elaboração do Planejamento Individual de Ensino deverá levar em consideração os pontos fortes e fracos do aluno, selecionando-se estratégias adequadas e preservando-se a condição de um processo flexível e dinâmico. A metodologia deve ter como referência o concreto, o vivencial e o funcional.
     Inúmeras estratégias devem ser utilizadas para que um objetivo seja alcançado. Devem estar baseadas nos interesses da criança. O fato do autista aparentemente não demonstrar interesse pelo ambiente que o rodeia não significa necessariamente que este interesse não exista.

   Os objetivos selecionados devem ser funcionais, isto é, ter um lugar na vida do aluno. Devem ser adequados do ponto de vista do desenvolvimento e visar à aquisição de maior independência na sua vida prática. Devem descrever de forma clara a conduta
final desejada. E fundamental que as aquisições possam se generalizar para fora do contexto escolar. A possibilidade de sucesso aumenta, se este objetivo for explorado passo a passo
e reavaliado constantemente.(
BEREOHFF, Ana Maria P. Autismo, uma visão multidisciplinar. São Paulo: GEPAPI, 1991).

  06 - Higiene: desenvolvimento de habilidades que promovam maior independência em autocuidados, como: lavar as mãos, escovar os dentes, tomar banho, vestir e despir-se, pentear os cabelos são trabalhados em momentos específicos (antes do lanche, após o lanche…), nos ambientes onde normalmente ocorrem dentro do contexto escolar.

7- Lanche – Estimulação ao aluno para desenvolva habilidades de arrumar a mesa para o lanche, manusear a lancheira, copos, guardanapo, copo e talheres: hábito alimentar no contexto escolar.

8 – Recreio: é o momento da socialização, um dos momentos mais importantes para o  desenvolvimento do aluno. Atividades livres, pouco estruturadas, quando haverá uma interação social com outras crianças de forma supervisionada, porém espontânea.

9 – Passeio: o passeio é uma atividade realizada nas imediações da  escola aos estabelecimentos comerciais (lojas, supermercados…), oportunizando ao aluno vivências de situações sociais da comunidade da qual faz parte, numa troca de aprendizagem: o aluno regras, de convívio e a comunidade a compreensão do indivíduo com necessidades especiais. São explorados os aspectos psicomotores, cognitivos e afetivos.

10 – Recreação Supervisionada: na sala de aula, na área de recreação da escola ou no parque ou na piscina, com o professor de educação física. (As atividades são adaptadas de acordo com as necessidades do aluno). Estimulação do desenvolvimento da psicomotricidade através de atividades lúdicas, jogos de regras simples.

11 - Saída: o aluno é estimulado a guardar seus materiais, objetos pessoais na mochila e ajudar na organização da sala. A professora e a monitora se despedem do aluno.

Observação: mesmo que o aluno não cumpra todas as atividades propostas, ele será estimulado a realizar, todos os dias dentro da ordem estabelecida pela rotina. Esse processo é vai mediar o desenvolvimento do aluno, com o tempo.

No Distrito Federal, o Centro de Ensino Especial de Planaltina-DF, adota o programa TEACCH.

Por: Júlia Virginia de Moura – Pedagoga

Neste link pode-se  encontrar várias sugestões de atividades para sala de aula.

http://jucienebertoldo.files.wordpress.com/2013/05/caderno-pedagc3b3gico-autismo-com-sugestc3b5es-de-atividades-jogos-e-ilustrac3a7c3b5es.pdf

6 comentários:

  1. maravilhoso o seu plano , e com muitas estrategias

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  2. Achei muito interessante, bom para nortear professores sem experiência concreta com alunos autistas!

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  3. Adorei o material,de fácil entendimento sem falar nas orientações, nós professores apesar da formação muitas vezes nos sentimos impotentes frente a esses alunos que tanto precisam do nosso apoio e auxílio. Muito obrigada Julia um grande abraço.

    Obs: Meu nome Alcinda Patron
    Formação: Pedagoga e Psicopedagoga Jaguarão RS

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  4. maravilhoso , fico muito feliz ao saber que existem pessoas que se preocupam com a edução especial, a inclusão é tudo, tenho sofrido muito esses anos, porque tenho 2 filhos autistas, e essa historia tem mudar, pessoas tem que se prepararem para ajudar essas crianças, eu estou me preparando porque quero ter uma boa parcela de participação e ser um elo na vida dessas crinças.

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  5. INCRÍVEL AS ATIVIDADES PARA TRABALHAR COM A CRIANÇA AUTISTA.
    OBRIGADA POR COMPARTILHAR!
    ELISABETE LUCENA
    RS

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  6. Muito bom ótima dica para se trabalhar em sala com esses meninos autista além de proporcionar uma atividade rica em denvolvimento.

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