“Continuo buscando, re-procurando. Ensino porque busco, porque indaguei, porque indago e me indago. Pesquiso para conhecer o que ainda não conheço e comunicar e anunciar a novidade”.

Paulo Freire


sexta-feira, 22 de março de 2013

Transtornos Funcionais–Dislexia: Tipos, Avaliação e Orientações ao Educador

 dislexia        A visão fonoaudiológica e psicopedagógica da dislexia tem como objetivo enfatizar o papel da linguagem no seu diagnóstico. Os pesquisadores e autores das obras consultadas, para esse artigo, Moojen e França, analisam que o  termo “dislexia”  está sendo usado de forma banalizada,gerando confusão tanto nos meios clínicos quanto acadêmicos, pela diversidade de critérios: duas concepções divergentes em que destas concepções tem a dislexia como transtorno leve e moderado da aprendizagem num nível grave e outra que classifica a dislexia como um transtorno leve e moderado passível de cura.
        Comparando as duas concepções, os autores concluíram que há grandes discrepâncias, mas que há um consenso na comunidade científica e na prática clínica em que a dislexia fica caracterizada por:
“Um transtorno específico das operações implicadas no reconhecimento das palavras que comprometem menor ou maior grau a compreensão da leitura, assim como as habilidades de escrita ortográfica e produção textual, um problema que persiste até a vida adulta, mesmo com tratamento adequado”.
         É um distúrbio com evidências genéticas que surge por estar associado a diferenças funcionais no hemisfério esquerdo presente desde os primeiros anos de escolaridade e quando surge mais tarde configura-se como dislexia adquirida por lesão cerebral.
        É diagnosticada em pessoas com capacidade intelectual normal, visão e audição normal ou corrigida e que não são portadores de problemas psíquicos ou neurológicos graves que justificam por si só, as dificuldades escolares.
         Supõe como um déficit primário, inabilidades do processo fonológico e da memória cujo comprometimento da linguagem é específico do processo fonológico enquanto que outros sistemas de linguagem permanecem intactos.
        Necessita de uma equipe multidisciplinar para seu diagnóstico e tratamento, bem como um trabalho de apoio com a família e a escola.
Tipos de Dislexia
      Para esta classificação é preciso ter em conta as vias independentes pelas quais se reconhece uma palavra escrita:
  • A via léxica ou direta: a forma visual, a pronúncia e significado na memória léxica. palavras familiares
  • A via fonológica, indireta: palavras desconhecida em que se faz necessário a compreensão de regras que convertem sons em letras.
Assim sendo a dislexia se classifica em três tipos:
fono
Dislexia fonológica –(leia sobre Consciência Fonológica e o Principio Alfabético) consiste na dificuldade em converter fonema/grafema e/ou na junção de sons parciais em uma só palavra. São dificuldades na leitura de palavras não familiares, em que se exerce grande esforço da memória para reconhecer os sons e a correspondência com as letras, que no final prejudica a compreensão do que foi lido.
Dislexia Lexical – afeta a leitura de palavras irregulares. O disléxico faz uma leitura lenta, vacilante, silabada, com erros frequentes, repetitiva.
ddDislexia Mista – o disléxico apresenta problemas para operar tanto na via léxica como na fonológica. São situações mais graves e exigem um esforço ainda maior para atenuar o comprometimento das vias de acesso ao léxico.
Avaliação
Inicialmente tanto o fonoaudiólogo como o psicopedagogo deve avaliar   a linguagem escrita relacionando os conhecimentos de aquisição da leitura, escrita e habilidades fonológicas. Em seguida os procedimentos básicos:
Anamnese com os pais ou cuidadores
Principalmente na investigação de possíveis problemas auditíveis e/ou visuais – Veja um modelo de anamnese clicando  > aqui.
Testes de Leitura
Aplicar um teste de leitura:  decodificação de sílabas complexas, palavras, pseudopalavras, com a finalidade de observar qual o uso de reconhecimento de palavras é usado (fonológico ou lexical), a velocidade, as substituições de palavras, sílabas. Omissões, inversões, transposições , adições e retificações.(Observar uma leitura oral e silenciosa: reconhecimento de palavras, velocidade, nível de esforço, tipos de erros, movimento dos olhos e cabeça, sentimentos antes, durante e depois da leitura)
Testes de Escrita
Usar um ditado de palavras e um ditado de texto (análise qualitativa e quantitativa dos erros, reescritas, vacilações e sentimentos expressos); coerência, coe,são, uso de pontuação, concordância nominal e verbal, ortografia. Cópia de um texto, por 5 minutos – observar: distância olhos/texto, porções copiadas, tipos de erros, postura e qualidade do grafismo.
Testes: habilidades de seriação, memória, fluência,verbal, processamento auditivo, observação do material escolar desde os primeiros anos.
Todos estes procedimentos avaliativos devem ser complementados pela avaliação neurológica (veja o vídeo sobre a importância da avaliação neurológica clicando > aqui), psiconeurológica, psicodiagnóstico e conforme  a necessidade processamento auditivo, visão correta…
  • O resultado de toda esta investigação, após ser discutida em equipe: viabiliza estratégias para ler, reconhecer palavras escrita;
  • prioridades de atendimentos;
  • o modo de proceder ante textos  e nível de compreensão;
  • a importância do contexto, da distância entre o que é pedido à criança para fazer e o que realmente está em condições de realizar com ou sem ajuda;
  • orientação aos pais e à escola;
  • as possibilidades de reavaliações e mudanças de prioridades.
Veja Orientações em “O Disléxico na Sala de Aula” – no blog Só Atividades para Sala de Aula  - clicando > aqui e outras orientações da ABD – Associação Brasileira de Dislexia)
Este texto é uma compilação do Capítulo 12 – Dislexia: visão fonoaudiológica e psicopedagógica – Sônia Moojen e Marcio França - do livro “Transtornos da Aprendizagem- Abordagem Neurobiológica e Multidisciplinar” – autores Newra Tellechea Rotta, Lygia Ohlweiler e Rudimar dos Santos Riesgo – editora Artimed – Porto Alegre – RS
Por Júlia Virginia de Moura – Pedagoga





















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