“Continuo buscando, re-procurando. Ensino porque busco, porque indaguei, porque indago e me indago. Pesquiso para conhecer o que ainda não conheço e comunicar e anunciar a novidade”.

Paulo Freire


quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

O Ensino Fundamental até o 5º Ano não será mais Seriado–Educação DF

Reformulação ainda provoca controvérsia
Isa Stacciarini
Comunidade fica resistente à mudança por não ter havido debates
O ano letivo das escolas da rede pública de ensino do Distrito Federal inicia com um desafio que não é novo, mas que tem gerado resistência por parte de especialistas, alunos e pais: a política educacional de ciclos de aprendizagem.
O ensino fundamental até o 5º ano não será mais seriado. E o o sistema convencional passará por uma reformulação em que professores e alunos terão de se readaptar. Há oito anos, os dois primeiros ciclos já fazem parte da rotina de todas as escolas públicas. A proposta da Secretaria de Educação (SEDF) é ampliar a forma que vem sendo implementada desde 2005.
Atualmente, a educação infantil e parte do Ensino Fundamental I já são divididos em ciclos. O primeiro se refere às crianças de 0 a três anos de idade, e aos pequenos estudantes com faixa etária de quatro e cinco anos, inseridos no Jardim de Infância.
Já o primeiro bloco do segundo ciclo, denominado de Bloco Inicial de Alfabetização (BIA) - Bloco I - , engloba alunos do 1º ao 3º ano, que também já funciona nessa mesma subdivisão.
NOVA PROPOSTA
A proposta da SEDF, que já entra em vigor a partir do primeiro dia letivo em cinco unidades regionais de ensino, é implementar um outro bloco, denominado II, no segundo ciclo que vai abranger o 4º e 5º ano do Ensino Fundamental I e permanecer, até 2014, com a seriação do 6º ao 9º ano do Ensino Fundamental II, que a partir do próximo ano daria inicio ao terceiro ciclo. Aproximadamente 70 escolas de Santa Maria, São Sebastião, Recanto das Emas, Núcleo Bandeirante e Guará serão as primeiras a experimentar o sistema.
No momento, cerca de 35 mil alunos das cinco regionais serão inseridos no sistema educacional por meio de ciclos.
No momento da avaliação de ano, os alunos do segundo ciclo não serão reprovados. Ao fim do primeiro bloco, para que o estudante possa prosseguir para o bloco II, ele será submetido a uma prova que irá avaliar o aprendizado do educando durante o período. Caso a avaliação seja insuficiente, o aluno fica retido no BIA e continua a alfabetização até alcançar a aprendizagem. Essa fase pode durar um bimestre, seis meses ou um ano. Após esse tempo, o estudante tem autorização para a sequência do ensino no bloco II, mesmo que o ano letivo já tenha sido reiniciado. Do 6º ao 9º ano, a reprovação pode ser retomada por série.
35 MIL alunos do DF já serão inseridos na nova proposta
MEMÓRIA
Mudança polêmica
» Em 2 de janeiro, o Jornal de Brasília antecipou a mudança no sistema público de ensino. Na ocasião, a Secretaria de Educação preferiu não prestar esclarecimentos e explicar melhor como funcionaria a proposta, mas o Sindicato dos Professores (Sinpro) forneceu alguns detalhes.
» Na época, especialistas em educação, professores, pais e alunos demonstraram preocupação com a medida .
» Em discussão com o governo, o Sinpro se posicionou contrário à entrada imediata em vigor da proposta em 2013 por acreditar que não foram dadas as condições para que as escolas e o corpo docente se preparem para as mudanças. A entidade argumentou que as escolas não estão preparadas para receber o modelo. Seria preciso haver uma transformação estrutural prévia .
"Foco é o aprendizado"
O secretário de educação, Denilson Bento da Costa, defende a reformulação e diz que o foco da política educacional é a aprendizagem dos alunos e, consequentemente, a redução do índice de repetência. Segundo ele
, antes da implementação dos primeiros ciclos, a porcentagem de reprovação no Distrito Federal, ainda nas séries iniciais, era de 16% e, "após quatro anos da experiência que vem sendo experimentada, o índice caiu em 5%", ressalta.
Segundo o secretário, o DF é a quinta Unidade da Federação a implementar o sistema. Denilson da Costa afirma que o método educacional que está sendo implementado não tem nada de novo e que já existe nos estados de Minas Gerais, São Paulo, Mato Grosso e parte do Mato Grosso do Sul.
Ensino Médio dividido em semestres
No Ensino Médio, os alunos terão de se adaptar ao que se denominou de semestralidade, em 63 escolas. Cada um dos três anos será dividido em dois semestres. O conteúdo será desmembrado em duas áreas de conhecimento: exatas em dois bimestres, e humanas nos outros dois. Se os primeiros seis meses contemplarem o ensino das exatas, o restante do ano será dedicado à aprendizagem de humanas. Português e matemática estarão incluídos nos dois momentos.
A cada fim do bimestre haverá a oportunidade de o aluno realizar uma prova de recuperação de alguma das disciplinas em que não tiver alcançado a média. Se ao fim do ano a reprovação for constatada, o educando não precisará repetir todo o ano. Ele prossegue para a etapa seguinte, mas fica devendo a disciplina reprovada, que deverá ser recuperada durante o próximo ano, no horário contrário ao das aulas.
Segundo o secretário de Educação, Denilson Bento da Costa, o sistema oferece oportunidades de o professor vivenciar com o aluno condições pedagógicas e experiências de vida. "Os educadores terão mais tempo para trabalhar com atividades lúdicas, inter setoriais e ações interclasse", ressalta.
No entanto, as novidades são encaradas com resistência por especialistas, pedagogos, alunos e pais. O professor da Faculdade de Educação da Universidade de Brasília (UnB), Gilberto Lacerda, aponta que o sistema tende a ser negativo, uma vez que alunos de diferenças cognitivas são inseridos em um mesmo universo. Segundo o especialista, os docentes não estão sendo capacitados para esse novo estilo de método de ensino. "M u da n ç a s assim precisam estar casadas com uma discussão ampla para que possam ser inseridas", aponta.

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