“Continuo buscando, re-procurando. Ensino porque busco, porque indaguei, porque indago e me indago. Pesquiso para conhecer o que ainda não conheço e comunicar e anunciar a novidade”.

Paulo Freire


sexta-feira, 4 de maio de 2012

Resultado da avaliação pedagógica com fins de psicodiagnóstico–formatação do relatório

Como foi prometido na última postagem, na sequencia de uma avaliação pedagógica pela pedagoga da Equipe Multidisciplinar (SEAA) com fins de psicodiagnóstico, i já concluídas a anamnese (entrevista com a mãe), observação das atividades do aluno, do comportamento deste, em sala de aula, e outros ambientes da escola, atividades avaliativas das habilidades e competências, sugestões nesta postagem: clic >AQUI, veja o resultado deste processo de investigação e a formatação do relatório.
Antes, veja qual foi a queixa do professor que levou a Equipe à investigação, após o aluno ter passado por várias oficinas pedagógicas interventivas de psicomotricidade, desenvolvimento da autonomia, independência, oralidade e autoestima:
*O aluno “W” com 8 anos cursando o 2º Ano (Séries Iniciais) com baixo rendimento escolar, dificuldades de aprendizagem, atrasos no desenvolvimento da linguagem, déficits nas habilidades sociais e um desvio do padrão de comportamento esperado para crianças da mesma idade.
Organização dos dados colhidos durante os vários momentos avaliativos e formatação do relatório da avaliação pedagógica encaminhada ao neuropediatra.

 
RELATORIO DE AVALIAÇÃO  PEDAGÓGICA
1 – Identificação
Estabelecimento de Ensino:xxxx
Aluno (a): “W”
Data de Nascimento: 17/08/2003
Série/Turma: 2º ano - Turno: Vespertino Prof.ºxxxx
Pai: xxx
Mãe: xxxxx
Responsável: a mãe
Endereço Residencial: xxxx
Telefone: xxxx
2 – Recomendações gerais:
· Recomenda-se zelo em relação aos dados da vida do aluno, no sentido de evitar que os mesmos sejam divulgados a pessoas não envolvidas no processo ensino-aprendizagem, preservando dessa forma a individualidade do aluno;
· Solicita-se zelo em relação aos dados da avaliação que possam gerar dúvidas ou má interpretação. Sugerimos que neste caso, a escola procure imediatamente a equipe responsável pelo trabalho;
· As informações contidas neste relatório foram colhidas no período de __Fevereiro a Setembro de 2011_. Convém ressaltar que as mesmas se referem a este momento da vida escolar do aluno e, portanto, estão sujeitas a mudanças contínuas, de acordo com o processo de desenvolvimento dinâmico e evolutivo do ser humano.
3 – Identificação da equipe:
Serviço Especializado de Apoio à Aprendizagem da Escola Classe 02 de Planaltina
Pedagogo (a) / Matrícula: xxx
Psicólogo (a)- xxx
Telefone: xxx Celular: xxxxx
4 – Motivo do encaminhamento:
Aluno com baixo desempenho escolar e dificuldades de aprendizagem, dificuldades de aprendizagem, atrasos no desenvolvimento da linguagem, déficits nas habilidades sociais e um desvio do padrão de comportamento esperado para crianças da mesma idade
5-Síntese da Investigação
Após encaminhamento para Equipe Especializada, entrevista com a professora, análise de material da criança, entrevista com a mãe, observação em sala de aula e nos diversos ambientes escolares, o aluno foi acolhido pela equipe de Apoio à Aprendizagem para avaliação pedagógica. Apresentou nos primeiros momentos muita resistência em permanecer na sala da Equipe, demonstrando estranheza diante de situações novas, um aspecto físico bem cuidado, com estrutura física um pouco abaixo da média, resistência e interagir socialmente, voz muito infantil com entonação de choro.
Segundo relatou a mãe, não houve nenhuma anormalidade durante a gravidez e o parto se deu de forma normal. Durante os primeiros anos de sua infância, a mãe suspeitou que o filho tivesse alguma dificuldade altiva e realizou todos os exames, suspeita não confirmada. Fez uso de medicamento contra vermes. Apresentou exames de Mapeamento Cerebral e Eletro encefalograma com laudos dentro da normalidade para a idade, realizados em 06/05/2010. A criança, no horário contrário às aulas permanece numa creche e a mãe relatou receber queixas semelhantes às da escola, diariamente. Apresentou encaminhamentos médicos á saber:
1. Avaliação fonoaudiológica, em 09/09/2010, solicitada pela neuropediatra.
2. Encaminhado em 09/09/2010 (no ano de dois mil e dez), pela escola, á neuropediatra esta solicitou avaliação pedagógica e psicológica.
3. Avaliação otorrinolaringologista, solicitada pela fonoaudióloga, por trocas e omissões na fala e dificuldades de aprendizagem – com Cid – F.80.0
Estes encaminhamentos não tiveram o prosseguimento que deveriam ter. Portanto também não há relatórios conclusivos das dificuldades que o aluno possa ter.
Ainda de acordo com a mãe, o filho tem dificuldades em falar e ser entendido. Não gosta de barulho e som muito alto, nem de ver televisão. Quando precisa corrigi-lo, grita muito e ele responde gritando mais alto. O sono é agitado, chora e tem pesadelos. Percebe que o desenvolvimento global esta aquém do esperado para sua idade em comparação com os outros filhos.
Segundo observações da Equipe e relato da professora o aluno procura ficar isolado evitando contato co os colegas e a professora. Senta-se no piso, embaixo das cadeiras da sala brincando com qualquer objeto que encontrar, não se organiza na fila, é resistente em seguir regras e limites; o material escolar fica espalhado pelo chão, não consegue se organizar; chora por longo tempo quando é solicitado a seguir regras.
Com 7 (sete) anos de idade matriculado nesta Unidade Escolar, cursando o 2º ano, o aluno, durante os momentos das avaliações, pela Equipe de Apoio Pedagógico, através de muita estimulação, acolhimento afetivo e estabelecimento de regras e limites, demonstrou intranqüilidade, ansiedade, desatenção, falta de concentração, resistência em realizar e finalizar as atividades propostas, embora compreenda enunciados e atenda comandos. Demonstra imaturidade, preferindo interagir através de jogos e brinquedos, sem deter a atenção por muito tempo durante as atividades propostas, (solicitando novas atividades), só realizando-as em parte, e em troca de brinquedos, o computador, e manusear todos os objetos existentes na sala. Não se interessou por atividades de escrita e leitura. Detém a atenção e concentração por pouco tempo. Inicia mas não finaliza as atividades propostas, desistindo quando encontra qualquer dificuldade. Quando se pergunta o nome da mãe responde que é “tia  xx”. O aluno chama a mãe de "tia".
Foram avaliadas: a estruturação espaço-temporal, lateralidade, orientação espacial, psicomotricidade, desenvolvimento intelectual e afetivo-social, na organização de estímulos.
Em relação à estruturação espaço-temporal, a compreensão de si mesmo e de situar-se no tempo (dias; horas; manhã, tarde e noite; ontem, hoje e amanhã; dias da semana, meses do ano, cidade, bairro) são conceitos não construídos; Identifica, discrimina e nomeia apenas os membros da família: mãe, pai e irmãos. O domínio dos conceitos em cima/embaixo, dentro/fora, perto/longe, atrás/em frente, encontra em desenvolvimento, A estruturação destes conceitos é falha. Responde com prontidão somente em cima, perto e longe. Embaixo, dentro, atrás, do lado, na frente, embaixo, estão em desenvolvimento e consegue situar somente com intervenção.
A memória lógica, auditiva e visual evidencia estar em desenvolvimento. Desencaixa com facilidade e reencaixa somente com intervenção. Realiza quebra-cabeças simples de 6 (seis) peças grandes sem dificuldade, identifica e nomeia algumas cores primárias e algumas secundárias; dentre as formas geométricas reconhece e nomeia o quadrado e o círculo, com intervenção e estimulação. No encaixe de quebra-cabeça não demonstrou dificuldades em discriminar detalhes de gravuras.
Quanto à inteligência demonstrou capacidade em desenvolvimento, abaixo ao esperado pela sua idade cronológica, de assimilar conhecimentos e compreender as relações entre eles, integrando-os aos conhecimentos já adquiridos anteriormente; de raciocinar logicamente e de forma abstrata, manipulando conceitos, números e palavras.
Na sistematização para o domínio do código, o aluno encontra-se no nível da psicogênese pré-silábico Intermediário II, em que já compreendeu que existe alguma relação entre a pronúncia e escrita. Escreve o pré-nome acrescentando e omitindo letras, (demonstrando falhas na estruturação espacial), ainda com instabilidade, sem bases na sistematização. Identifica, nomeia e coloca na sequencia as letras do alfabeto (correlacionando-as com as iniciais de objetos, como aprendeu em sala de aula), até a letra R.
As noções prévias do pensamento lógico matemático encontram-se no nível intermediário pré-operatório, em desenvolvimento aquém ao esperado para sua idade cronológica. Discrimina letras de números somente até 9, ma não consegue fazer a sequência. Conta até 19, mas, registra e quantifica até 6. Reconhece e relaciona, com intervenção, maior que, menor que. Tem dificuldades na interpretação e na reprodução oral e na organização do pensamento. Não construiu ainda a capacidade de solucionar situações-problemas.
6 – Conclusão
Aluno com 7 (sete) anos, com dificuldades específicas na fala, troca de fonemas, em todos os aspectos avaliados encontra-se em seu desenvolvimento global aquém para sua idade cronológica. Em relação aos conteúdos e dentro do aspecto cognitivo encontra-se em um desenvolvimento aquém ao esperado para a idade/ano cursado. Apresentando baixa autoestima, comportamento estranho, não interage socialmente; dificuldades específicas em organização espaço/temporal, atenção e concentração, organização do pensamento lógico, interação social, regras e limites. Pelo estágio do seu desenvolvimento global, necessita de avaliação psicológico-neurológica, para complementar o relatório e providenciar o atendimento educacional adequado, de acordo com suas necessidades.
 
7 – Assinaturas:
Pedagogo(a):_____________________________________________
Prof.Regente:_____________________________________________
Direção:_________________________________________________
 
xxx, 05 de setembro de 2011

Por: Júlia Virginia de Moura - Pedagoga

NA PRÓXIMA POSTAGEM VEJA O LAUDO DO NEUROPEDIATRA PARA ESTA AVALIAÇÃO

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