“Continuo buscando, re-procurando. Ensino porque busco, porque indaguei, porque indago e me indago. Pesquiso para conhecer o que ainda não conheço e comunicar e anunciar a novidade”.

Paulo Freire


domingo, 8 de abril de 2012

Não basta dispor de recurso adaptados: o aluno precisa estar pronto para usá-los–Deficiência Visual

O aluno com deficiência visual ou baixa visão necessita passar por um desenvolvimento cognitivo e sensorial através de atividades psicomotoras que o capacite a usar os recursos adaptados que o professor vai usar durante o processo de alfabetização (Ensino Fundamental) ou no seu letramento. Partindo do princípio de que este aluno já chega na escola com habilidades já adquiridas no campo da sensorial, no seu dia a dia. Já domina e usa os seus diferentes sentidos. Caso o aluno durante os  primeiros anos em família não obteve o hábito de  manusear  diferentes formas e relevos, e se percebe uma falha na memória e organização “visual”, que a maioria dos DVs já adquiriradtmm, como  forma de “ver e identificar objetos, pessoas…”, o professor necessita desenvolver atividades específicas através de contatos físicos com objetos de diversas formas e texturas que fazem parte  do ambiente físico da escola e do lar, aqui a família entra com sua participação, para que haja uma prontidão
para experimentar e dominar os recursos que vai usar;

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Os chamados “objetos de escrita em branco”,os tradicionais como : máquinas de escrever, textos em relevo, o punção, a reglete, ábacos, símbolos táteis da escrita. Veja a funcionalidade destes:
A reglete é uma rég1ua de madeira, metal ou plástico com um conjunto de celas braille dispostas em linhas horizontais sobre uma base plana. O punção é um instrumento em madeira ou plástico no formato de pêra ou anatômico, com ponta metálica, utilizado para a perfuração dos pontos na cela braille. O movimento de perfuração deve ser realizado da direita para a esquerda para produzir a escrita em relevo de forma não espelhada. Já a leitura é realizada da esquerda para a direita. Esse processo de escrita tem a desvantagem de ser lento devido à perfuração de cada ponto, exige boa coordenação motora e dificulta a correção de erros.
 
Máquina de escrever braille
A máquina de escrever tem seis teclas básicas correspondentes aos pontos da cela braille.
O toqmedvue simultâneo de uma combinação de teclas produz os pontos que correspondem aos sinais e símbolo desejados. É um mecanismo de escrita mais rápido, prático e eficiente.
 
A escrita em relevo e a leitura tátil baseiam-se em componentes específicos no que diz respeito ao movimento das mãos, mudança de linha, adequação da postura e manuseio do papel. Esse processo requer o desenvolvimento de habilidades do tato que envolvem conceitos espaciais e numéricos, sensibilidade, destreza motora, coordenação bimanual, discriminação, dentre outros aspectos. Por isso, o aprendizado do sistema braille deve ser realizado em condições adequadas, de forma simultânea e complementar ao processo de alfabetização dos alunos cegos.dv0
A criança deve contar com a aplicação de estratégias ou técnicas específicas para a estimulação visual, orientação e mobilidade, bem como para leitura, escrita e cálculos com materiais específicos e adaptados às suas limitações e, sobretudo, deverá contar com uma intervenção precoce iniciada o mais cedo possível, seja em casa ou na escola.(Martin & Bueno – Necessidades Educativas Especiais).
Quando a criança está familiarizada com o uso dos sentidos, principalmente o tátil a aprendizagem, também, para ela é uma descoberta prazerosa.
 
 
Recursos didáticos tecnológicos modernos:
 
Livro didático adaptado
Para as pessoas que apresentam visão reduzida, os livros didáticos devem possuir: quantidade dosada de exercícios em cada página, desenhos objetivos, tamanho ampliado das letras e contraste entre as cores. Os livros utilizados devem estar transcritos em Braille e deve-se ter cuidado para que o conteúdo, uma vez transcrito, não seja modificado ou deturpado.
Livro falado

O livro falado é gravado em fitas cassete ou CDs. Esse recurso é muito utilizado no Brasil, tido como excelente recurso didático que quando utilizado no primeiro grau, deve-se limitar, à literatura ou aos didáticos de leitura complementar.
Tecnologias assistivas
O uso de tecnologias assistivas na educação de alunos com necessidades educacionais especiais tem se mostrado um precioso recurso de apoio e suporte ao processo ensino-aprendizagem, em todos os níveis de ensino. No ensino superior, especificamente, representam uma ferramenta pedagógica indispensável ao percurso acadêmico de alunos cegos, surdos e com limitações locomotoras.
As tecnologias assistivas são os recursos que contribuem parra proporcionar vida independente aos deficientes. Com o desenvolvimento da Informática, nas últimas décadas abriram-se novas possibilidades para o processo de aprendizagem do aluno com deficiência.
Hoje é possível, para uma pessoa com deficiência visual, navegar pela internet, usufruindo de vários recursos que ela oferece, como chats, jornais e revistas. Há sites que possuem versões para deficientes, como o www.amazon.com/access, uma adaptação da livraria virtual. O www.dicionariolibras.com.br é outro exemplo. Nele os deficientes auditivos, especialmente as crianças, podem aprender a linguagem de sinais, denominada Libras.

visitem o site saiba mais: http://amarparaincluir.blogspot.com/2010/05/dosvox.html
Um dos programas mais conhecidos para portadores de deficiências visuais é o Dosvox. Consiste de um sistema para computadores da linha PC que se comunica com o usuário através de síntese de voz; ele viabiliza o uso de computadores para o portador de necessidades visuais, que passa a ter independência no estudo e no trabalho.
O sistema Dosvox foi desenvolvido pelo Núcleo de Computação Eletrônica da UFRJ (NCE/UFRJ), situado no Centro de Ciências Matemáticas e da Natureza. É destinado ao auxílio de deficientes visuais no uso do computador; o sistema conversa com o deficiente visual em português. Além de ampliar as telas para pessoas com visão reduzida, ele contém ainda programas para educação de crianças com deficiência visual e programas sonoros para acesso à internet.
Os deficientes visuais também participam como programadores na equipe de desenvolvimento. O site do NCE/UFRJ (http://caec.nce.ufrj.br/~dosvox) disponibiliza uma versão light do Dosvox para Windows.
Dosvox Pro pode ser obtido pelo centro de distribuição do programa. Essa versão contém programas de uso profissional.
 
Impressora Braille
impressora
Entre as atividades que podem ser executadas pelo sistema estão: edição de textos para impressão Braille; leitura e audição de textos; utilização de calculadora, agenda, entre outros instrumentos; jogos.
A comunicação entre o usuário e o sistema é realizada através de um sintetizador de baixo custo. O sistema foi criado a partir do trabalho de um estudante de informática cego que desenvolveu o editor de textos do sistema.
O sucesso do projeto deve-se principalmente a: baixo custo do sistema; tecnologia simples de produção; sistema fala e escreve em português.
                   computador
                                                                         Computador portátil
* Funciona em Português
* Voz portuguesa, teclado braille e linha braille já em português
* Organizador de notas muito acessível e prático
* Permite ler livros enquanto vai para o trabalho, escola, ou numa simples viagem de laser
* Sincronização com o PC para transferência de dados
* Utilização da linha braille como terminal do PC
* Ligação ao Poet Compact para guardar páginas já digitalizadas e acessá-las mais tarde
* Encontrar facilmente e rapidamente qualquer endereço eletrônica ou número de telefone
* Dictafone - Gravação digital de voz
* Calculadora (normal e científica)
* Envio e recebimento de mensagens escritas móveis (SMS), a partir do seu telefone celular
* Leitor de música MP3
* Calendário - hora e data
* Termómetro
* Altimetro
* Informação de bússola
* Memória interna de 64MB RAM e 32 MB de memória flash
* Larga capacidade de extensão de memória com cartões Compact Flash - até 1Giga

Com o surgimento da informática, pouco a pouco a velha máquina de escrever está cedendo lugar para novos equipamentos, que estão melhorando consideravelmente a qualidade de vida da pessoa cega. É o caso do “n speaker”, do Braille falado, das impressoras Braille computadorizadas, dos computadores (laptops) munidos de avançados sintetizadores de voz (como o Dosvox e o Virtual Vision), dos scanners e outros.    
Devemos considerar a importância desses recursos já que, segundo a (Convenção da Guatemala de 1999), as pessoas portadoras de deficiência têm os mesmos direitos humanos e liberdades fundamentais que outras pessoas; estes direitos, inclusive o direito de não ser submetidas à discriminação com base na deficiência, emanam da dignidade e da igualdade que são inerentes a todo ser humano  

Recursos Táteis
Maquetes e objetos, além de poderem ser vistos, podem ser tocados e manipulados. O tato é seguramente uma via receptora de informações diversas de tradução do ambiente externo para o interno; para desenvolver uma compreensão ótima do seu mundo, essas pessoas precisam do sentido do tato, algumas vezes dependendo exclusivamente dele (Martins et al, 2007).
Recursos de Áudio
Tanto os arquivos portáteis de áudio, quanto o livro falado elaborado para utilização junto a alunos com deficiência visual são chamados recursos instrucionais.
Libâneo (1994), recursos instrucionais são “os meios e/ou materiais que auxiliam o docente na organização e condução do processo de ensino e aprendizagem”. Nos últimos anos surgiram outros recursos; poderíamos citar: equipamentos de multimeios (veículos para comunicar uma idéia, questões, imagens, áudio, informação ou um conteúdo qualquer), textos, trabalhos experimentais, computador e recursos da localidade como: biblioteca, museu, indústria, modelos de objetos e situações.
Os recursos multimeios de áudio são chamados multimeios auditivos; podem ser: rádio, disco, cd, fita magnética, computador, entre outros recursos. Livros falados são multimeios auditivos utilizados como recurso didático para alunos portadores de deficiência visual. No Brasil, a maioria dos livros existentes é de literatura.
O Trabalho do Clube de Astronomia Marcos Pontes -Fundado na cidade de Itaocara-RJ em 2006 realiza, desde sua formação, vários projetos relacionados ao ensino e divulgação de Astronomia.
No ano de 2006 desenvolveu o projeto Astronomia para crianças: um universo de descobertas, que visava levar essa ciência ao 1º segmento do Ensino Fundamental. Em 2007, desenvolveu o projeto Astronomia, arte e mitologia no Ensino Fundamental, projeto também voltado ao ensino de Astronomia nas séries iniciais; objetivava utilizar a mitologia para estimular o interesse pela Astronomia. Em 2008 foram desenvolvidos vários projetos, entre eles: Vídeos educativos para o ensino de Astronomia, Recursos didáticos para o ensino de Astronomia para deficientes visuais e Jogos educativos para o ensino de Astronomia. A revista Educação Pública já publicou vários artigos sobre o CAMP.
Com o desenvolvimento do projeto Recursos didáticos para o ensino de Astronomia, foram elaborados livros falados com conteúdos desta ciência.
Gravação do Livro Falado
A gravação do livro falado se deu em parceria entre o clube, o Colégio Estadual Jaime Queiroz de Souza e a UENF (Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro), com a participação de alunos da UENF e do Colégio nas gravações.
O material foi aplicado em turma especial do Colégio Estadual Teotônio Brandão Vilela, também de Itaocara, e no Educandário para Cegos de Campos dos Goytacazes. Em breve o material será disponibilizado na Internet.

Sites Recomendados
http://www.educacaopublica.rj.gov.br/biblioteca
www.amazon.com/access
www.dicionariolibras.com.br
http://amarparaincluir.blogspot.com/2010/05/dosvox.html
Referências Bibliográficas
 
BRASIL. Lei nº 7.853, de 24 de outubro de 1989. Dispõe sobre o apoio às pessoas
portadoras de deficiência, sua integração social, sobre a Coordenadoria Nacional para
Integração da Pessoa Portadora de Deficiência (CORDE),

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