“Continuo buscando, re-procurando. Ensino porque busco, porque indaguei, porque indago e me indago. Pesquiso para conhecer o que ainda não conheço e comunicar e anunciar a novidade”.

Paulo Freire


quarta-feira, 11 de abril de 2012

Equipe de Apoio Pedagógico : histórias do cotidiano–“sexualidade precoce”–um estudo de caso



Este trabalho, Estudo de Caso, realizado numa escola pública da periferia de Brasília, resultou de “uma escuta” à duas crianças e às “brincadeiras”, relativas à sexualidade, desprovidas de malícia, ou outras intenções; essas “brincadeiras”  estavam  sendo realizadas na sala de aula
e ficou claro tais brincadeiras muito em breve passariam por transformações e consequências, desnecessárias e prejudiciais sob vários aspectos, neste período de suas vidas, e para o futuro destas crianças, pois configuravam uma “sexualidade aflorada precocemente e mal-orientada”.
sex1
Tudo começou com:
“A queixa de uma mãe de uma aluna , levada á professora, sobre “W” , estar entrando no banheiro das meninas, e o de “B, da mesma sala de aula, “estar passando a mão” nas meninas… “
Observando com mais atenção descobriu-se que a brincadeira, era uma só, em vez de duas, e que havia uma parceria… o que para os dois meninos era muito divertido, pois davam risadas, como se fosse à coisa mais engraçada que haviam aprendido
rir
A Equipe Disciplinar (SEAA) buscou saber a história de vida do aluno “J”, que vinha de outra escola, e  o perfil que se formou deixou a Equipe bastante preocupada, pois havia no ambiente familiar, muita estimulações á sexualidade precoce mal direcionada e à outros comportamentos antissociais, que pediam um redirecionamento de comportamento, urgente.
Todos os documentos referentes ao histórico do aluno, na escola de origem e as evidências devidamente documentadas através de relatórios, encaminhamentos à tratamentos psicológicos, e inclusive solicitações ao Conselho Tutelar, quanto a intervenções junto à família, desde que esta não prestava nenhuma colaboração no sentido de ajudar a escola a encontrar alternativas de mudanças de hábitos de vida para “B, (fatos que datavam já há de quatro) de tentativas de ajudar “B”, nos diversos problemas que apresentava na escola. Com uma história de vida marcada desde a concepção por eventos negativos, mãe usuária de drogas rejeitou o filho, o pai presidiário, esteve desde a primeira infância sob os cuidados da avó, proprietária de um bar, ponto de prostituição, cresceu num ambiente familiar desestruturado e de relações pouco saudáveis.
 
Quando se conversa com “B” observa-se, sobre educação, somente os ensinamentos básicos, sem princípios e valores morais, regras e limites, boas maneiras, respeito ao próximo... Solitário, sem afetividade, agressivo, mal- humorado, negligenciado... enfim, passou os principais anos de sua infância com a ausência de mínimos sentimentos humanitários. A avó diz:" faço muito em cuidar dele”. Cuida dele, num ambiente de prostituição onde ele presencia toda a espécie de relacionamentos degradáveis próprios dos seus frequentadores.

Quanto ao seu desempenho escolar e sua capacidade de aprendizagem, “B” apresenta capacidades intelectuais normais, psicomotricidade em desenvolvimento, identifica algumas letras, escreve e lê apenas o pré-nome, identifica números e quantidades até nove. Está defasado em conteúdos na série que cursa (3º ano), não tem interesse pelas atividades pedagógicas, é infrequente. Aprecia jogos, computador (diz não possuir em casa TV e nem games). Não gosta de estudar. Atrapalha os colegas. Apresenta dificuldades de atenção e não tem concentração (apenas nas aulas), demonstra agitação, por falta de regras e limites.
O companheiro de “brincadeiras” vem de uma família desestruturada, pais alcoólatras, sofre maus tratos quando vão reclamações da escola, é agressivo, e não tem dificuldades de aprendizagem e acompanha o nível da turma no seu processo de letramento.


Conclusão:  “B” já saiu da fase das brincadeiras e já entrou nas descobertas da sexualidade e dos comportamentos violentos que presencia dos usuários do álcool e da prostituição. Já reproduziu um ato violento de “furar” um garoto vizinho, fora da escola. E o seu caso, foge totalmente ao trabalho de atendimento da Equipe de Apoio á Aprendizagem, e passamos ao Conselho Tutelar, pois a família e a criança precisam ter acompanhamento e tratamento psicológico, oferecido pelo Sistema Público de Saúde - COMPP
Quanto á “N” está inserido nos atendimentos da Equipe, e participará dos Projetos de Orientação Sexual, caso não surjam outros fatores determinantes de comportamento antissocial social.
Sabe se que as crianças, desta geração, de uma sociedade em mudanças na estrutura familiar, nos princípios morais, acabam se tornando emocionalmente permeadas de conflitos e socialmente mal  ajustadas ; vivem em ambientes contrários ao seu crescimento e desenvolvimento dentro da normalidade; e sem a parceria das famílias, tudo fica difícil.
Elas necessitam muito mais do que a escola, no âmbito da educação, da orientação, da afetividade, pode proporcionar.


SEAA - Julia Virginia de Moura - Pedagoga

Nenhum comentário:

Postar um comentário

. Não seja apenas um visitante. Deixe seu comentário. Este é um espaço de intercâmbio de conhecimentos Entre educadores, e não apenas de divulgação de informações e conteúdos PARA educadores