“Continuo buscando, re-procurando. Ensino porque busco, porque indaguei, porque indago e me indago. Pesquiso para conhecer o que ainda não conheço e comunicar e anunciar a novidade”.

Paulo Freire


quarta-feira, 28 de março de 2012

Teste da Psicogênese – Atividade para aluno com Necessidades Especiais

 
A sugestão de usar uma motivação e estimulação, para o teste da psicogênese, através de imagens ou gravuras, que traz a intenção de ser uma forma em que o aluno possa escolha um tema de seu interesse, que seja significativo para ele, com certeza, vai dar mais precisão no resultado da hipótese em que se encontra na psicogenética da escrita, do que um tema escolhido pelo professor(ª) aleatoriamente, muitas vezes para toda turma, sendo que cada aluno é um indivíduo que constrói, de acordo com suas experiências de vida, a sua escrita.
Essa técnica foi demonstrada numa postagem anterior, usada com alunos da educação básica, ensino regular, como sondagem inicial e avaliações bimestrais para verificar avanços nos níveis da psicogênese, segundo Emília Ferreiro.
Uma variação desta técnica  usada com alunos encaminhados á Equipe Interdisciplinar (SEAA), com queixas de dificuldades de aprendizagem e com alunos com Necessidades Educacionais Especiais em situação de avaliações ou reavaliações, assim como  para professores de turmas inclusivas, salas de recursos, demonstrou excelentes resultados.

Os alunos trazem para escola conhecimentos adquiridos dos quais já construíram hipóteses de escrita que os representam, sem que o professor tenha consciência ou que tenha sido mediado na escola. Buscar o que é significativo para os alunos, em suas individualidades é complexo, e como os alunos especiais, pela experiência de treze anos na Educação Especial, sei que é muito difícil, principalmente quando o comprometimento intelectual é grande.
Sabendo que a aprendizagem do aluno especial, em qualquer estágio, acontece com sua interação com o concreto, sempre correlacionando com imagens, gravuras… a técnica ficou assim elaborada: Veja o passo a passo com alunos DI (Deficiência Intelectual) com outros comprometimentos diversos, e um aluno diagnosticado DI, em reavaliação para constatação ou não de aluno com Transtorno do Desenvolvimento Global (TGD); e um aluno com diagnóstico de baixa audição e com cognitivo preservado.
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1-Teste da psicogênese – “W” é um aluno DI com dificuldades motoras e comprometimento na fala; identifica letras do alfabeto, e lê palavras de estrutura simples. Quanto ao raciocínio lógico matemático realiza cálculo mental simples e operacionaliza a adição e subtração simples (dentro do algoritmo) -
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O aluno “W” passou por dois momentos da realização do teste da psicogênese da escrita. No primeiro momento escreveu com letra caixa alta, quando foi solicitado que escrevesse com letra cursiva, transpareceu uma escrita de palavras com maior quantidades de letras, então ficou claro que havia uma possibilidade de um desempenho melhor com a letra cursiva. Em outro momento ele realizou novamente o teste e realmente o resultado foi mais preciso dentro da hipótese em que se encontra. Veja:
Técnica usada: escolha de gravuras ( com limitação do tema: animais)
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O aluno, com a opção de escolher um dos animais que mais gostava, escolheu o dinossauro. E após ele ser motivado a falar sobre sua preferência por dinossauros e tudo o que sabia e sentia pelos animais, foram ditadas as palavras:
Polissílaba: dinossauro
Trissílaba: cavalo
Dissílaba: gato
Monossílaba: cão
Frase: Eu vi o dinossauro na televisão.
Interpretação do teste:
O aluno se encontra na psicogenética da escrita na -hipótese silábica – em que já percebe que para cada parte falada ( sílaba oral) ele pode grafar uma letra. Essa etapa pode ser dividida em dois níveis: o aluno se encontra no segundo, o silábico com valor sonoro, em que há um avanço e cada sílaba é representada por uma vogal ou consoante que expressa o seu som correspondente. O avanço nesta hipótese é menos demorada. (No primeiro nível, o aluno escreve qualquer letra para representar uma sílaba, sem valor sonoro)
2- Teste da Psicogênese – aluno com diagnóstico de DI ( Deficiência Intelectual) em processo de reavaliação psicopedagógico com fins de investigação de outros comprometimentos, suspeita de TGD (Transtorno do Desenvolvimento Global )
“R” está  na educação inclusiva com diagnóstico de DI, comportamentos e comprometimentos prováveis de TGD. Identifica fonemas e grafemas, identifica letras do alfabeto, escreve o pre-nome e, lê algumas palavras de uso do cotidiano, aleatoriamente, por memorização, faz interpretação de gravuras; No raciocínio lógico matemático encontra no nível pre-operatório concreto intermediário, operacionalizando adição simples. Não gosta de realizar atividades pedagógicas, gosta de cortar, colar espontaneamente, é bastante disperso, fixa pouco atenção em qualquer atividade, direcionada ou espontânea. Tem pouca resistência para atividades muito prolongadas.
O teste através de objetos ( uso do concreto) , ou de escolha de gravuras , não despertou interesse no aluno. Sabendo da sua preferência por cortar e colar gravuras. Oferecemos o tema “animais”, com um pouco de restrição para evitar que sua atenção se dispersasse por outros temas correlacionados.
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O teste foi bem sucedido e somente quanto á frase, percebeu-se que o aluno estava disperso. Veja:
Nomeou o nome dos animais conhecidos e assim foram escolhidas as palavras para o ditado: ele recortava a gravura, colava e escrevia o nome:
Polissílaba:    galinha
Dissílaba:      onça
Trissílaba:      cavalo
Monossílaba:   rã
Frase: A onça é pintada.
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Interpretação do teste:
O “R” se encontra, também, na psicogenética da escrita na hipótese silábica – em que já percebe que para cada parte falada ( sílaba oral) ele pode grafar uma letra. Essa etapa pode ser dividida em dois níveis: o aluno se encontra no segundo, o silábico com valor sonoro, há um avanço e cada sílaba é representada por uma vogal ou consoante que expressa o seu som correspondente. O avanço nesta hipótese é menos demorada. Possui boa compreensão do valor sonoro e posicional das letras. (No primeiro nível, o aluno escreve qualquer letra para representar uma sílaba, sem valor sonoro)
Durante o teste foi solicitado que o aluno lesse as palavras e  o “por que” usou as letras, por exemplo na palavra dissílaba ele usou as letras OAS, repetindo-as na frase, e explicou:  lendo onças, ressaltando o S, embora na gravura houvesse apenas uma, mas identificou o som do s na palavra. Quando leu a monossílaba ( ele identificou a gravura e concordou que era uma rã) mas quando escreveu  palavra ditada, percebe-se que usou as letras da palavra sapo. E quanto  à frase, começou colocando as letras que representam as sílabas da palavra onça e acrescentou bolinhas pretas, ainda associando letras para sílabas com o desenho que representa a escrita (muito usado no nível pre-silábico).
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3- Teste da Psicogênese – Aluno diagnosticado com perda auditiva neurosensorial leve no ouvido direito e perda neurosensorial profunda no ouvido esquerdo. Considerado baixa audição, dificuldades na fala, sem prejuízo intelectual ( cognitivo normal). Teste da psicogênese para avaliação de desempenho bimestral.
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Com “E” foram realizados dois testes da psicogênese, para verificar o avanço na hipótese e verificar qual a técnica deixou o aluno mais motivado resultando em um resultado mais preciso.
A técnica de motivar com o tema partes do corpo foi sugestiva, porém o aluno cometeu mais erros: trocas e omissões de letras. O teste usado  com  uma terceira  variação, excelente para alunos com baixa audição e até mesmo baixa visão: foi usado animais (miniaturas) para que, após serem manuseadas, fossem escolhidas e depois ditados os nomes, dos animais. Com essa  técnica o aluno teve um desempenho melhor e falou que preferiu as miniaturas do que as gravuras. Veja:
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Polissílaba: dinossauro
Trissílaba: abelha
Dissílaba: porco
Monossílaba: rã
Frase:    Eu gosto de montar à cavalo. (a frase foi criada pelo aluno)
Interpretação do teste
Teste 1 – motivação corpo humano - O aluno tem dificuldade na fala e omite fonemas na fala e na escrita e cometeu mais erros ortográficos.(seis erros)
Teste 2 – Cometeu apenas dois erros ortográficos “dinosalo” e “mostar” ao invés de “montar “palavra usada na frase. Lembrando que as plavras foram escolhidas pelo aluno e até a própria frase.
 
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Teste 1                                                          Teste 2
O objetivo do teste é investigar a hipótese na psicogênese da escrita do aluno e se depende da motivação, com bases na abordagem que se faz dos seus conhecimentos,  não se deve banalizar as maneiras de obter os melhores resultados dentro da proposta do construtivismo.
Conclusão
“E” se encontra na -hipótese-alfabética/ortográfica em que, agora, entende que: sílaba não pode ser considerada uma unidade e que pode ser separada em unidades menores; a identificação do som não é garantia da identificação da letra, o que pode gerar as famosas dificuldades ortográficas e a escrita supõe a necessidade de análise: a necessidade da análise fonética das palavras. Já possui domínio do código formal da  escrita . Nesse estágio, os alunos ainda apresentam erros ortográficos, mas já conseguem entender a lógica do funcionamento do sistema de escrita alfabética.
Essas sugestões e suas variações são usadas  com sucesso quando se pensa nas ações pedagógicas, de acordo com a citação de Jean Piaget: 
" O professor não ensina, mas arranja modos de a própria criança descobrir. Cria situações-problemas".( Jean Piaget )
Por Júlia Virginia de Moura – Pedagoga




























3 comentários:

  1. meus parabéns! esse espaço é maravilhoso par a pessoas que trabalha com criançaNEE

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  2. Obrigada pela visita e pelo comentário. Volte outras vezes. Há várias publicações sobre alunos especiais.
    abraços
    Júlia

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