“Continuo buscando, re-procurando. Ensino porque busco, porque indaguei, porque indago e me indago. Pesquiso para conhecer o que ainda não conheço e comunicar e anunciar a novidade”.

Paulo Freire


quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Ciência da Informação - UnB


A sociedade de Informação tem mudado todas as ações do indivíduo em sociedade. Nem todos se sentem confortáveis com as mudanças por não conseguirem se adequar ao uso das modernas tecnologias. Mas no dia a dia sem que se perceba uma gama de informações são passadas pela mídia e pela rede mundial, e até pelas próprias mudanças de hábitos, que influenciam o "modo vivendis" de todas as classes sociais. E dentro destas mudanças percebe-se a presença das informações científicas, do interesse pelas pesquisas, norteando grande parte do cotidiano das pessoas.
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E mais do que nunca os investimentos no campo das pesquisas científicas, neste momento, devem ser mais considerados, pois há uma demanda crescente. Hoje o homem desta nova era moderna tem as bases de sua vida na ciência.
O artigo abaixo transcrito, trata da acessibilidade da sociedade á essas informações e as mudanças que são necessárias para que até os leigos possam, não apenas ter acessibilidade como encontrar essas informações numa linguagem mais popular. 
Este artigo foi escrito pela professora da Faculdade de Ciència da Informação  da Universidade de Brasília - DF- Suzana Muller



Por que precisamos da ciência?

Suzana P. M. Mueller
Professora Titular da Faculdade de Ciência da Informação
A sociedade atual é caracterizada por um esforço de modernização compulsiva e obsessiva que carrega consigo risco e incerteza. Em todas as nossas atividades, somos confrontados com a necessidade de fazer escolhas, e nem sempre estamos preparados para isso. Algumas dessas escolhas dizem respeito à vida cotidiana, nosso mundo imediato, e o melhor exemplo são aquelas ligadas à saúde. Por exemplo, quando vamos ao mercado, qual o significado de termos como orgânicos, transgênicos gordura trans? Na farmácia, que riscos existem na automedicação? Quão seguras são as vacinas?
 
Há outras questões mais afastadas de nosso mundo imediato, que não demandam propriamente uma ação, mas a respeito das quais, como cidadãos e eleitores, devemos tomar posição. O melhor exemplo talvez seja aquelas ligadas ao meio ambiente. Por exemplo, o uso da água, a questão do lixo, as escolhas entre fontes de energia. Deveríamos apoiar a construção de mais hidrelétricas, que exigem a construção de grandes barragens, ou a nuclear, que forneceria a citada “energia limpa”, mas cujo potencial de perigo ficou tão evidente com os recentes acontecimentos no Japão, ou ainda as chamadas fontes de energia ecológicas ou alternativas, mas cujo alto custo levanta dúvidas de sua viabilidade?
 
A ciência, embora não nos possa indicar com certeza qual escolha é a correta, fornece informações que nos permitem confrontar prós e contras, conhecer riscos. O conhecimento científico, entretanto, não é facilmente acessível aos não especialistas. Os cientistas escrevem para outros cientistas, não para o público em geral. Entender o que escrevem exige treinamento. Torna-se necessário, então, um mediador que “traduza” para a sociedade esse conhecimento, em linguagem comum e acessível.
Mas a sociedade não é composta de grupo homogêneo de indivíduos, com a mesma capacidade de entendimento, nem sequer com a mesma necessidade de informação. Os diversos grupos que a compõem divergem tanto em idade quanto em capacidade de compreensão, tanto em interesses em relação à ciência quanto em necessidade de serem informados. Por exemplo, a necessidade de informação de um cidadão que vai ao mercado é diferente daquela do gestor de saúde pública, que deve decidir como melhor aplicar ou distribuir os recursos nunca suficientes, entre, digamos, campanhas de vacinação contra a gripe e combate ao mosquito vetor da dengue.
As ações para divulgar a ciência, ainda que bem planejadas e bem executadas, não terão sucesso se não forem adequadas às pessoas para quem são dirigidas. Por isso, diversos tipos de mediadores fazem uso de diferentes canais, dirigindo seus esforços a vários públicos. Por exemplo, pessoal da mídia em geral como jornalistas e radialistas, educadores, curadores de museus, e às vezes, até mesmo cientistas atuam como mediadores, usando como canal jornais, revistas, programas de televisão, campanhas de esclarecimento, museus, exposições, feira de ciências e outros.
 
O sucesso da divulgação científica não depende exclusivamente dos divulgadores. A capacidade de entender a ciência depende muito do indivíduo para quem é dirigida, pois para entender algo é preciso relacioná-lo, de alguma forma, com experiências já existentes. Esse fato aponta para o papel crucial da educação, sugerindo que esforços isolados para divulgar a ciência não bastam. Sem o respaldo da educação de base não haverá entendimento nem o espírito crítico que capacita o julgamento sobre o que está sendo divulgado.  A mediação do conhecimento científico não é uma tarefa fácil nem segura, pois na “tradução” da informação há risco da deturpação, da ênfase mal colocada, da perda de sentido. Há ainda o perigo que venha a servir outros interesses.
  
Em sociedades democráticas, o acesso ao conhecimento é direito de todos os cidadãos e obrigação do Estado. Parafraseando Morin (2000), a ciência tornou-se um problema sério demais para ficar apenas nas mãos de cientistas, tornou-se muito perigosa para ficar nas mãos dos estadistas, passou a ser um problema cívico, dos cidadãos.
REFERÊNCIA
MORIN, Edgar. Ciência com consciência. 4. ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2000. 350p.

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