“Continuo buscando, re-procurando. Ensino porque busco, porque indaguei, porque indago e me indago. Pesquiso para conhecer o que ainda não conheço e comunicar e anunciar a novidade”.

Paulo Freire


domingo, 20 de novembro de 2011

Projeto: Autonomia, Independência e Aprendizagem - Intervenção e Prevenção- SEAA

Situações de Dificuldade Escolares geram Projetos.
Este projeto surgiu das queixas dos professores, á partir do segundo semestre, principalmente,  de  alunos 1º e 2º Anos, (séries iniciais), quanto á dificuldade de aprendizagem, ao SEAA – Serviço Especializado Apoio á Aprendizagem da Escola.
Os alunos destas séries estão iniciando a vida escolar em processo de adaptação, diversas formas de desenvolvimento, desde a socialização, á rotina permeada de regras e limites, processos psicomotores, dentre outros. Alguns trazem uma bagagem de conhecimentos pré-adquiridos maior, outros menor e alguns chegam ainda com muito pouco de independência, autonomia e maturidade, ferramentas importantes nas aquisições cognitivas da alfabetização.
Os alunos encaminhados ao atendimento demonstram em sala de aula: dificuldades na coordenação motora, desinteresse pelas atividades pedagógicas, suspeita de deficiência intelectual, conflitos emocionais familiares, baixa autoestima…
O Apoio Pedagógico iniciou então um projeto de desenvolvimento da Psicomotricidade e Autoestima que apresentou resultados na estimulação e melhora no desempenho em sala de aula, porém foram resultados insuficientes mas que redirecionaram o projeto á outros fatores que são importantes e necessários á desenvolvimento de habilidades e competências em sala de aula, tais como autonomia e independência.
Uma investigação mais aprofundada mostrou que mais de 60% dos alunos atendidos pela Equipe de Apoio Pedagógico, no convívio familiar ainda não haviam transposto as etapas do desenvolvimento da autonomia e independência, que até os 6 anos já os capacita ao domínio das atividades diárias. As habilidades simples e concretas da vida diária são básicas para o desenvolvimento de outros estágios mais avançados. Os processos de aprendizagem mais complicados são construídos a partir dos mais simples, suporte para os mais complexos e abstratos.(Veja  as postagens deste blog sobre autonomia e independência clicando aqui, e  sugestões de atividades para o desenvolvimento , clicando aqui ).
Os alunos atendidos pelo projeto além das atividades da Psicomotricidade estão em atividades de desenvolvimento da Autonomia  e Independência, veja a publicação de nesta página “Sugestões de Atividades – Desenvolvendo a Autonomia e a Independência”, e numa terceira etapa do projeto foi realizado um “Encontro de Pais”, pelo SEAA – com a psicóloga Carolina de Souza Leal e a  Pedagoga  Julia Virginia de Moura, para orientações e sensibilização no sentido de conscientização da situação de dificuldades  que os filhos estão tendo nestes primeiros anos escolares,  e as causas observadas por falha na função educar da família.
convite com envelope azul
   
capa do convit -ofici                   interior do conv-2
Este foi o primeiro encontro de uma série que vai se alongar para o próximo ano letivo, em que a proposta colocada á família de se trabalhar a autonomia, vai ser avaliada não somente nos próximos encontros, como pelo próprio grau de maturidade e prontidão que os filhos vão demonstrar através do desempenho em sala de aula ou que poderão redirecionar este projeto ás outras intervenções que forem necessárias.
Este Projeto mostra uma das atividades do SEAA: intervenção e prevenção em situações de dificuldades de aprendizagem.
“Nem sempre vemos as crianças que fizeram parte da nossa vida crescerem, mas sabemos que em algum momento,
fomos importantes e necessários na vida delas”
SEAA- Carolina de Souza Leal – Psicóloga
            Julía Virginia de Moura – Pedagoga
Escola Classe 02 do Arapoanga – Planaltina-DF
Secretaria de Estado de Educação do Distrito Federal 

sábado, 5 de novembro de 2011

Reprovar – A angústia do professor no final do ano

Avaliação, recuperação, aprovação
Não há como negar a angústia do professor no final do ano quando sabe que vai ter que reprovar alguns alunos, ou vai ter que aprovar pela “promoção continuada”, sabendo que não aprenderam tudo que deveriam. Uma análise sobre ações já conhecidas, neste momento, pode abrir possibilidades.
Retornando a questão da “avaliação” é bom lembrar novamente a possibilidade que ela traz de ser referência para “recuperação” para os que não aprenderam.
E outro ponto a ser relembrado em relação ás provas, como ferramenta avaliativa: "Não é possível ser construtivista na hora de ensinar e tradicional na hora de avaliar”, esse ponto a ser repensado pode diminuir o número de alunos da lista dos antecipadamente reprovados.
Dicas para se trabalhar com os alunos que ainda não aprenderam   autoava
Os alunos já foram avaliados pelo professor. Uma auto-avaliação, individual ou em grupo, oral e/ou escrita pelos próprios alunos sobre suas dificuldades vai apontar, exatamente, “os que ainda não aprenderam”, que será o ponto de partida de novas ações.
Em um clima de descontração, em que premiação ou punição fiquem claramente excluídas e o verdadeiro objetivo seja claro: “ninguém aqui quer ser reprovado, então vamos ver o que está faltando, certo?” E realize a auto avaliação de acordo com a facilidade ou dificuldade de cada um em se expressar sinceramente. Anote tudo: alunos e pontos a serem trabalhados. E analise bem os resultados, pois as condições de ajudá-los serão maiores.
Trabalhar dificuldades em grupos:
Envolva toda a turma. Forme 4 grupos: um grupo dos que só precisam avançar mais, e 4 grupos que tem grupodificuldades semelhantes. Deixe que escolham entre si as formações, por afinidades, os resultados serão maiores. Retome o conteúdo de forma diferente, use as diversas técnicas de trabalho em grupo: recursos áudios-visuais, revistas, jornais, trabalhe escrita, oralidade, expressões matemáticas e expressão artística, e apresentações á toda a sala (o tema deverá ser o mesmo). E deixe claro qual o objeto e o resultado que espera no final.
Distribuindo atribuições dentro dos grupos: Duplas: o que aprendeu melhor com o que não aprendeu, ou aprendeu em parte, as dúvidas deste, leva o outro á avançar mais. Subgrupos: com a finalidade organizativa, de acordo com as necessidades específicas, sempre com um participante que lidera e tem mais domínio. Individuais: as atribuições individuais dentro do grupo, provoca a autonomia e segurança com mais chance duplade resultados.
Organização das atividades para os grupos: O primeiro grupo terá atividades mais complexas (dentro do mesmo conteúdo. As atividades de um grupo deverá ser dentro de uma sequencia. Nunca a mesma atividade para todos os grupos. No momento da exposição, do resultado final, que seja na ordem. Sendo que o grupo de atividades mais complexas fará o fechamento.     
Duração de 1 hora, sem a necessidade de que seja todos os dias.
2- Remanejar os alunos na sala da seguinte forma:
No fundo da sala – os mais adiantados; no centro os que ainda necessitam de reforço, e na frente os que tem mais dificuldades. Durante as atividades percorra a sala, questione a maneira como estão realizando as atividades e permita que troquem idéias á esse respeito um com outro. Intervenção no momento da dificuldade e a escuta dos pares é uma receita que dá certo.

3- Reforço no horário contrário ás aulas
Pode-se obter grandes avanços com alunos que estão defasagem: por exemplo, alunos de 3º ano, séries iniciais, pré-silábicos ou alfabéticos. Se o professor se dispuser a retornar aos conteúdos não adquiridos das séries anteriores, vai ter alunos a menos na reprovação. Comprovadamente as chances são grandes.
4- Tarefa prá casa. Ajuda?
Ajuda como fixação de conteúdo que foram revistos em sala e exercitados e se houver alguém que possa tirar dúvidas, caso contrário, é tempo perdido. E quando se fala em casa, é preciso lembrar que se a família inteirada da situação do aluno, da necessidade de ajuda, não colaborar, a escola e o professor não obterão grande avanço com estes alunos.
Há casos de famílias que no final do ano querem a todo custo a recuperação do filho, pois não aceitam a reprovação e se propõem a pagar um reforço, por outro profissional da comunidade. Pode dar certo? Sim, se as dificuldades a serem trabalhadas forem as reais necessidades do aluno. É comum um educador ser contratado para um reforço e trabalhar atividades do livro da série cursada, quando se sabe que a maior dificuldade do aluno que está preste a ser reprovado está em conteúdos não dominados em séries anteriores. É recomendável que o professor deste reforço entre em contato com o professor da escola que o aluno estuda.
A recuperação pode dar certo?
Através de novas avaliações e análises do trabalho realizado; as participações, o interesse do aluno, dos resultados, se ele está seguro nas atividades: "É preciso acompanhar o avanço de cada um de perto e registrar todos os passos", recomenda Luckesi. E se ainda houver tempo torne a remanejar e no final vai haver resultados, com certeza.






Veja também neste blog:
Recuperação, uma ferramenta que dá certo?
http://impactodapedagogiamoderna.blogspot.com/2010/11/recuperacao-e-um-instrumento-pedagogico.html
Tudo o que o Professor quer, é que seu aluno aprenda!
http://impactodapedagogiamoderna.blogspot.com/2011/01/tudo-que-o-professor-quer-e-que-seu.html
Fracasso Escolar - Dificuldades de Aprendizagem
http://impactodapedagogiamoderna.blogspot.com/2010/09/dificuldades-de-aprendizagem-fracasso.html





Referências- Livros Recomendados

BIBLIOGRAFIA
Avaliação da Aprendizagem na Escola: Reelaborando Conceitos e Recriando a Prática
, Cipriano Luckesi
Da Avaliação dos Saberes à Construção de Competências, Maria Celina Melchior
Por que Avaliar? Como Avaliar? - Critérios e Instrumentos, Ilza Martins Santana, 136 págs., Ed. Vozes

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Avaliação: o que os alunos ainda não aprenderam?

 
   aval
Avaliação: o grande desafio na retal final do ano letivo é um instrumento para evidenciar não somente os alunos que aprenderem e serão promovidos, como “o que” alguns alunos ainda não aprenderam.
Sabe-se que a avaliação está intrinsecamente ligada a realização do trabalho pedagógico.
É “um trabalho de acompanhamento e ação com base na reflexão” (Hoffmann), em que as ações pedagógicas do professor e da escola, durante o processo de ensino/aprendizagem, são também avaliadas, pelos resultados gradativamente obtidos ou não.
Essa forma avaliativa torna possível o “repensar” das estratégias do professor, principalmente quando surgem, desde o início, os alunos com baixo rendimento.
As mudanças nas formas de mediar os conhecimentos curriculares, análise dos resultados apresentados por estes alunos não somente pelo professor, mas com a direção da escola, coordenação pedagógica, equipe multidisciplinar, a família, enfim um trabalho que envolva toda a comunidade escolar são suportes para a aprendizagem acontecer.
Uma avaliação não visa colocar os alunos, de uma única turma, em níveis, como por exemplo, os que estão no nível da série, os que estão em defasagem de conteúdos, os repetentes e os suspeitos de deficiência cognitiva; uma avaliação formativa e processual tem por objetivo tornar a turma mais homogênea possível, em meio a diversidade, aos ganhos pedagógicos; e quando se tem avanços neste processo, no decorrer do ano letivo, ao final, a promoção ou retenção será claramente delineada dentro de suas peculiaridades.
Espera-se portanto, que o processo de avaliação desvele ao aluno que ele aprende e como ele aprende, para que o mesmo desenvolva a confiança em sua forma de pensar, de analisar e de enfrentar novas situações”(Currículo da Educação Básica – Ensino Fundamental).
Na prática, a partir da avaliação inicial ( quando o professor recebe a turma), observações de atividades realizadas em sala de aula, atividades escritas, leitura, situações-problema, trabalhos em grupo, tarefas de casa, provas, esses e outros instrumentos quando analisados ajudam o professor perceber os níveis de conhecimentos de cada um.
Aqui, cabe um alerta, observar somente o resultado das provas, prática de avaliação que já foi muito usada, não é o bastante para saber o que o aluno aprendeu, principalmente, se estas provas são padronizadas, de acordo com a prática de várias escolas, em que é elaborada uma só prova para todas as turmas da mesma série.
Analisando a questão das provas padronizadas: nenhum professor dá uma aula, trabalha um mesmo conteúdo curricular da mesma forma. Como pode ser esta prova elaborada da mesma forma para todas as turmas? E como o aluno vai apresentar resultados satisfatórios num contexto  de ensino/aprendizagem diferente?
O professor vai avaliar os conteúdos da forma que o aluno aprendeu, considerando ainda as formas diversificadas que foram trabalhadas com os alunos que tiveram dificuldades em assimilar os mesmos conteúdos.
È preciso que o professor se desprenda da ideia de que a prova ainda é o principal e melhor instrumento avaliativo. Aquelas atividades aplicadas após cada etapa do conteúdo trabalhado, em comparação ,são muito mais importante, pois enquanto os alunos as realizam. o professor, passando de um a outro tem mais oportunidades de observar os desempenhos, os resultados, além de não trazerem a conotação da avaliação que aprova ou reprova. Antigo conceito que permanece arraigado e que tem influência negativa sobre o aluno e o seu desempenho.
A avaliação, para o professor, é um instrumento que ele usa para obter os bons resultados do seu trabalho: pois nenhum professor fica feliz quando constata que um ou mais alunos não estão aprendendo, “não tem condições de passar”. Portanto não façam das provas um instrumento definitivo de avaliação sabendo que não é o bastante para tal.
E o que fazer com os alunos que ainda não aprenderam?
Nunca determinar quem será reprovado antes do fim do ano letivo., não desista ainda dos "improváveis". 
 
Veja na próxima postagem algumas dicas sobre o que fazer com os “fracos”, os “improváveis de passar”, os que tem “maiores dificuldades”, os que já se “tentou tudo”...
 
Referências
Currículo da Educação Básica – Ensino Fundamental - Séries iniciais – GDF- SEDF
Bibliografia Recomendada
Avaliação da Aprendizagem na Escola: Reelaborando Conceitos e Recriando a Prática
, Cipriano Luckesi, Ed. Malabares,
Avaliar para Promover - As Setas do Caminho, Jussara Hoffmann, Ed. Mediação,