“Continuo buscando, re-procurando. Ensino porque busco, porque indaguei, porque indago e me indago. Pesquiso para conhecer o que ainda não conheço e comunicar e anunciar a novidade”.

Paulo Freire


quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Taxa de repetência no Distrito Federal é assustadora - Veja a pesquisa do Correio Brasiliense


Recente notícia no jornal local, sobre  os índices de repetência em Brasília- DF, não surpreende os educadores das escolas públicas do DF. Mas quando se vê estampada numa reportagem, a realidade parece ganhar mais vida e consistência, que o dia a dia na escola, nas salas de aula, não deixam perceber a  verdeira dimensão.  Um grande problema que vem avançando ano após ano e quando se volta para os comentários sobre a questão se percebe a verdade em cada um deles,formando um quadro como uma colcha de retalhos. O que se vê em todas as análises da situação são as causas: 
  • alunos desinteressados
  • ausência da família no acompanhamento da vida acadêmica do aluno;
  • o sistema educacional;
  • o salário e a formação do professor... são alguns das diversas razões para um quadro desolador, que queira ou não vai recair sobre o professor;
Mas não se vê sugestões para reverter este quadro. Vejam a notícia:
Pesquisa revela que a taxa de repetência no Distrito Federal é de 18,6%
A agonia de perder um ano de escola e ter de rever todas as matérias se tornou rotina na vida de boa parte dos estudantes do ensino médio do Distrito Federal. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), com base no censo escolar do Ministério da Educação de 2010, mostram que o DF está entre as três unidades da Federação com maior número de repetentes do país. Entre os matriculados no ensino médio das escolas públicas e privadas, 18,6% não atingem médias para concluir a série. Número inferior foi constatado somente nos estados do Rio Grande do Sul e do Rio de Janeiro (veja quadro). O índice brasileiro é de 12,5%. 


No ensino fundamental, esses índices caem consideravelmente. Ao contrário dos vestibulandos, somente 10,1% dos estudantes do 1º ao 9º não conseguem passar de uma série para outra. A média nacional é de 10,3%, o que deixa o DF em 16º lugar no ranking nacional. 


O desempenho das crianças e dos adolescentes matriculados nas escolas públicas contribui para o aumento da média da capital. No ensino médio, são 13,7% de reprovados, e, no fundamental, 12,4%. Nas unidades particulares, esses índices são reduzidos a 4,3% e 3%, respectivamente, índices encontrados em países desenvolvidos, como os Estados Unidos, a França e a Inglaterra. Embora em muitos casos os pais associem a repetência à falta de esforço dos filhos, especialistas ouvidos pelo Correio afirmam que o problema pode ter outras explicações. A metodologia de ensino, a qualidade das instituições e a formação dos professores são algumas das hipóteses apontadas. 


De acordo com o consultor da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) Célio da Cunha, a discrepância entre os primeiros anos de estudo e os da conclusão da educação básica deve-se aos diferentes graus de investimento e aos métodos de ensino utilizados nos dois níveis. “Dos anos 1990 até os dias de hoje, o Brasil iniciou uma política de melhoria do ensino fundamental com maior assistência pedagógica aos estudantes e verbas, como as oriundas do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb). Enquanto isso, o ensino médio deixou de evoluir ”, lamenta. 


Para Cunha, o currículo não atende as necessidades dos jovens que vivem cercados pelas ferramentas virtuais e recebem, em tempo real, informações sobre os mais variados temas. “As aulas não têm sido atraentes para os alunos. É um método arcaico. Estamos lidando com novas mentes, sem alterar as formas de ensinar”, complementou. Para que o número de repetências caia, o especialista sugere a criação de um método de ensino específico para a juventude, com disciplinas interligadas e capazes de dar ao estudante uma ideia do todo, e não somente da fragmentação explicada por cada professor. 
Magali (C), que cursa o 1º ano pela segunda vez, Ludmylla (E) e Bruna dizem que é preciso tempo para se adaptar (Kleber Lima/CB/D.A Press )
Magali (C), que cursa o 1º ano pela segunda vez, Ludmylla (E) e Bruna dizem que é preciso tempo para se adaptar




Continuidade 
O programa dos últimos anos de estudo deveria dar continuidade ao volume de conteúdo exigido no ensino fundamental. Os dados do IBGE mostram que 25,5% das reprovações acontecem justamente na fase de transição, ou seja, no 1º ano do ensino médio. “Já existe a pressão do vestibular, além das mudanças de fase de vida. E, logo nesse início, o volume de matérias é muito extenso. Isso deveria mudar”, acredita o professor da Faculdade de Educação da Universidade de Brasília (UnB) Carlos Augusto de Medeiros. 


A estudante Magali Cristina Sousa, 17 anos, sentiu o aumento de exigência de um período para o outro. Matriculada no Centro Educacional Setor Leste, na 611 Sul, ela cursa, pela segunda vez, o 1º ano do ensino médio e ainda não sabe se será aprovada. A jovem tem dificuldades, principalmente, em matemática e história. “Quando passamos do ensino fundamental para o médio, tudo muda muito, e de uma vez: a quantidade de matérias, o ritmo dos professores e as responsabilidades dos alunos. Fica difícil acompanhar e entender os assuntos. Eu me esforço”, diz. Ela admite trabalhar os pontos fracos, mas acredita que a situação seria diferente se o currículo escolar fosse readaptado. “O ensino poderia ser melhor se tivéssemos mais tempo para nos adaptar às mudanças que ocorrem”, avalia.


Colegas de sala de Magali, Bruna Carolina Ribeiro e Ludmylla Florencio de Santana, ambas com 16 anos, também enfrentam dificuldades às vésperas do término do ano letivo. Bruna diz que ainda se sente um pouco perdida. A justificativa é a mesma da amiga. “Não estava acostumada com o ritmo e a quantidade de matérias. É muito puxado. Devia ser mais devagar. Tenho medo de não conseguir”, desabafa. Já Ludmylla tem mais facilidade, mas, mesmo assim, se queixa do “tranco” que sentiu ao entrar no 1º ano. “Na oitava série, eles chegam a falar sobre os assuntos que veremos. Mas é muito pouco. Não chegamos preparados. Acho que um período de adaptação seria muito importante”, reflete.

Sala dos Professsores - Pesquisas


Correio Braziliense - Cidades DF - Pesquisa revela que a taxa de repetência no Distrito Federal é de 18,6%

   

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