“Continuo buscando, re-procurando. Ensino porque busco, porque indaguei, porque indago e me indago. Pesquiso para conhecer o que ainda não conheço e comunicar e anunciar a novidade”.

Paulo Freire


terça-feira, 5 de julho de 2011

Sugestão para trabalhar a autoestima–a Criança e a Aprendizagem


 
“A Autoestima, a Criança e a Aprendizagem”
]
"A opinião que o indivíduo tem de si mesmo está
ligada ao seu desenvolvimento e aprendizagem. O autoconceito se desenvolve desde muito cedo na relação da criança consigo mesma e com os outros. No trabalho de autoestima com o aluno, o relaxamento e a automassagem são fundamentais, para que o princípio do "se sentir bem consigo  mesmo", aconteça.. "
 
 
Este é um dos atendimentos da Equipe de Apoio a Aprendizagem - SEAA -
Alunos que apresentam baixo rendimento escolar, repetências, defasagem de conteúdos, problemas emocionais, comportamentos inadequados (agressividade ou apatia), inadaptação á escola, e/ou á turma... situações de dificuldades refletindo em baixo rendimento escolar.



  
- Encaminhados pelo professor ou por solicitação da família ou do serviço médico.
-Com o acompanhamento do professor e participação da família.

Caso as dificuldades apresentadas em sala de aula estiverem ligadas apenas á baixa autoestima, vai haver uma diferença significativa. Se, porém, o problema persistir, as oficinas de autoestima atuam, também, como instrumento de investigação psicopedagógica sugerindo uma investigação completa da história de vida do aluno.

Julia Virginia de Moura - Pedagoga


“Projeto Resgatando a Autoestima – a Criança e a Aprendizagem"









Justificativa

A importância das relações interpessoais, da integração dos grupos, descoberta do seu próprio fazer, autovalorização, da autoestima, e o quanto tudo isso influencia na capacidade do ser humano de aprender, principalmente no período escolar, estas oficinas se destinam aos alunos que estão sendo encaminhados á Equipe de Apoio Pedagógico com queixas de agressividade ou apatia, repetências, defasagem, dificuldades acentuadas de aprendizagem, resultando em suspeitas de ANEEs.

Partilhar momentos de reflexões e encontrar soluções possíveis para situações de conflitos da vida diária, em sala de aula, na família, na comunidade, que possam estar refletindo em seus processos de aprendizagem e comportamentos inadequados.

Alunos provenientes de famílias desestruturadas em que os conflitos emocionais, sentimentos depressivos, gerados através de 
vários fatores como: separação dos pais e novo casamento, negligência, ou abuso sexual, criança enlutada por morte, natural ou violenta, de alguém querido, situações que tem o caráter de perda.
Tais comportamentos podem mascarar a realidade, como uma dificuldade de aprendizagem acentuada, aluno com necessidades educacionais especiais, um transtorno funcional (hiperatividade, dislexia, disgrafia... entre outros). Em todos os casos há uma queda na autoestima.

Dessa forma uma série de Oficinas de Autoestima vai dar um norte para cada um e uma melhora na qualidade de vida da criança.
Se persistirem em situações de dificuldades, observadas no inicio pelo professor, estas oficinas passam a um ser instrumento de investigação psicopedagógica, com acompanhamento da família, do professor e um parecer médico, caso seja necessário, para adequar o atendimento educacional destes alunos de acordo com suas necessidades.

Objetivo Geral

Trabalhar a afetividade, socialização, relações emocionais e os aspectos psicomotores, de uma maneira lúdica, visando resgatar autoestima e despertar o interesse do educando em aprender e proporcionar condições para que todos os alunos sejam capazes de possuir autonomia, independência frente ao conhecimento construído socialmente, em sala de aula, e seu sucesso no seu processo de letramento.


Objetivos Específicos

A partir das observações e informações dos professores, foi definido o seguinte objetivo para a realização destas oficinas de autoestima: oportunizar ao aluno atividades que possibilitem o conhecimento de si mesmo e dos demais participantes do grupo, a fim de elevar sua autoestima, para que desenvolva um convívio melhor , aprendizagem dentro de atividades de inclusão social, melhorando suas relações com o mundo, a família, a escola, a comunidade e consigo mesmo.

Público Alvo

Alunos das séries iniciais do Ensino Fundamental que se encontram em situação de dificuldades de aprendizagem e/ou disciplina.Turmas de alunos, no máximo, 12 (doze) alunos.

Metodologia

As Oficinas serão desenvolvidas com base em dinâmicas de trabalho na Sala de Oficinas Pedagógicas/Equipe de Apoio á Aprendizagem, pela pedagoga, semanalmente, sob a responsabilidade da Equipe de Apoio á aprendizagem.
-O aluno, em um momento apropriado será "escutado” (sobre seu desempenho na sala de aula, o motivo pelo qual vai participar das Oficinas, e no final fará uma autoavaliação.
- Deverá participar de atividades de Relaxamento, Auto Massagem e Sensibilização.
-Ler e interpretar textos (textos reflexivos, músicas, poesias, contos, histórias...), alunos de 3º Ano, 3ª e 4ª Série/ 4º e 5º Ano.
- Interpretar gravuras músicas, poesias e contos oralmente (alunos de 1ºe 2ºAnos e 2ª Série.
* De acordo com a capacidade de cada um dos participantes que se constituirão, muitas vezes de séries/anos diferente.
-Participar de dinâmicas de grupos
-Participar de atividades psicomotoras de recreação...
-Valorizar a afetividade e as regras de convivências;

Duração

Dois encontros semanais, no horário contrario ao horário de aula. Cada Oficina terá a duração de 1 hora divida em três tempos: 20 minutos: Auto massagem - Dinâmica- Sensibilização - 20 minutos: Explosão de Ideias - 20 minutos - Atividades pedagógicas, oralidade, expressão corporal, expressão artística produção/interpretação de gravuras, textos e dramatizações (de acordo com a dinâmica aplicada). Encerramento com uma mensagem e uma lembrancinha.

Cronograma

O Projeto Oficinas Pedagógicas Grupos de Vivência e Autoestima será executado no decorrer do ano letivo.

Avaliação

A avaliação será qualitativa e processual á cada bimestre, junto com o professor e o aluno também fará periodicamente uma autoavaliação.

Automassagem e seus efeitos, como realizar nas oficinas de autoestima


A massagem relaxante é realizada aplicando movimentos firmes e suaves sobre os tecidos do corpo proporcionando relaxamento muscular, melhoria da circulação sanguínea, alívio das tensões no pescoço e ombros entre outros benefícios.
O movimento da massagem relaxante proporciona benefícios físicos e psicológicos, aliviando o estresse, dores musculares, diminuição da ansiedade, irritabilidade, aumenta a flexibilidade, elasticidade.
É feita no corpo todo e pode ser aplicada em homens, em mulheres, e crianças em situação de stress. 



Posições que podem ser usadas na automassagem


                                        
                                                                              
  A massagem relaxante é uma técnica para eliminar o stress e a dor física, desfrutar de uma sensação de bem-estar e relaxamento e até mesmo dissolver as preocupações e melhorar o humor.
Foi cientificamente provado que o corpo faz contato com algumas alterações, tanto físicas como psicológicas. isto permite que libere os hormônios que criam uma sensação de bem-estar e felicidade. O contato, ou toque, transmite ao sistema nervoso impulsos que permitem afrouxar os nervos e dissolver os nódulos de tensão.
A massagem trabalha na pessoa com profundidade e modifica o estado físico e mental. Se repetidas, podemos dizer que é curativa. 
Quando estamos trabalhando com crianças em situações de stress, temos efeitos significativos como: relaxamento, bem estar e elevação da autoestima, uma vez que além dos efeitos terapêuticos, a criança está sendo trabalhada no seu esquema corporal (localização espacial) motricidade, e inclusão social.





-Automassagem – em Oficinas de Autoestima








Introdução

“Sentados em círculo “olhinhos fechados”,” respirando pelo nariz soltando lentamente e devagarzinho pela boca... " vamos aquecer as mãos , esfregando uma na outra, fechar mãozinhas em concha e colocar várias vezes em determinados pontos do corpo.
Cada um fazer vai em si mesmo, por isso chama -se  automassagem.

Passo a passo

1-música bem suave, relaxante (de fundo);












3-colocar as mãozinhas no local que vou indicando, fazendo a respiração por três vezes em cada local: na cabeça, nos ouvidos, na garganta, nas costas... abaixo do peito, no rosto, no coração.
Estes são alguns pontos de tensão muscular e sede das emoções . 

Sempre no início de todas as oficinas realizar o relaxamento e automassagem.












1ª OFICINA - Acolhimento -

Um lanche e uma conversa informal explicando o que vamos fazer nos nossos encontros, a rotina das oficinas: automassagem, dinâmica, e expressão oral ou artística.
Falar sobre os vínculos do grupo: “somos um grupo de amigos que vamos fazer uma série de atividades, jogos, brincadeiras e principalmente, estamos aqui pra sermos amigos e "ouvir um ao outro". aqui não é a sala do castigo... é a sala do bate-papo. hoje as pessoas não querem escutar umas ás outras, ninguém quer ouvir o outro, e as crianças então... não são ouvidas. Aqui é o espaço da “escuta”.
-falar sobre a automassagem, o relaxamento, que faz a gente se sentir bem...



Roteiro de uma Oficina de Autoestima

1- Ambiente acolhedor musica suave, e balas com mensagens de motivação, para o final.
2_ Auto Massagem - Relaxamento - Respiração
3 - Aplicar uma dinâmica, ler um conto de fadas(por exemplo) que fala muito de sentimentos, para estimular a criança a falar como se sente. E nos outros encontros dinâmicas de autovalorização.
4_ Explosão de Ideias - quando as crianças falam de seus sentimentos, dificuldades emocionais, através da escrita, ou escolha de gravuras, os participantes são convidados a "dar ideias" sobre como o colega que vai lidar com aquela situação...
O efeito das ideias colocadas pelos seus pelos pares tem mais efeito (poderá haver provocação ou intervenção “espontânea” da articuladora, que também é uma participante).

5- Atividades
- Expressão dos sentimentos através da ESCRITA ou do DESENHO. 
Exposição no mural.

6- Finalização –

Reafirmando a confiança da criança no grupo e na coordenadora da Oficina “a gente, aqui, não chama pai, mãe, professora... somos amigos, estamos aqui, para um escutar o outro, e tudo que for dito aqui fica entre a gente."
Entrega de balas ou doces com uma mensagem.


                               MODELO DE OFICINA DE AUTOESTIMA
.

OFICINA “COMO ESTOU ME SENTINDO”

Usar Carinhas que sentimentos diversos, positivos e negativos:




COM MEDO

               
CHATEADO
                                                                                                                                                                                                                                                
TRANQUILA(o)
   
TRISTE

PREOCUPADO
                                                                                        
FELIZ
                                                     ...

e pedir que cada participante  escreva seu nome (numa ficha) e cole embaixo da carinha com a qual ele identifica a forma como está se sentindo hoje.



      


Em seguida, "Quem Que Falar Sobre o que está acontecendo que faz com que e se sinta dessa forma (a escolhida pelo aluno)”?
A dinâmica da dinâmica - Neste momento em que há uma “Explosão de Ideias"
Participantes vão apontar possíveis soluções, que se forem corretas serão reforçadas pela articuladora.
E, finalizando, uma bala e uma mensagem afetiva de otimismo são distribuídas.

*Usar em outras oficinas dinâmicas de autoestima e interação social, e sempre voltar á Oficina "Como estou me Sentindo Hoje" - pois quando o aluno fala, e ouve os seus pares - parte de seus conflitos emocionais minimizam e os reflexos apresentam-se na sala de aula, na sua aprendizagem e comportamento.

Júlia Virginia de Moura









11 comentários:

  1. Júlia,
    Trabalho com as EEAA's de Santa Maria e estou sempre buscando me aperfeiçoar. Foi aí que navegando na web encontrei esse seu blog incrível que trata diretamente da demanda que atendemos. Obrigada pelas postagens! Sei que estar atualizando o blog é um trabalho extra onde a única recompensa é saber que estamos de alguma forma ajudando os "hérois" dos Serviços de Apoio aos Alunos. Tenha um delicioso recesso!!!

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  2. Gostei demais das sugestões e acho que algumas aulas da oficina podem ser incluidas diretamente na rotina, nas aulas de educação física, arte e língua Portuguesa, através de um Projeto de Educação Emocional Interdisciplinar, no caso da escola não poder realizar estas oficinas em outro horário, por não dispor de capital para pagar um profissional. O que achas, poderia adequá-las à sala de aula? Com o desenvolvimento pelo próprio professor da sala? Aguardo resposta.Bjs.

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    1. Maze, as oficinas de autoestima em salas de aula é o ideal, pois vai alcançar toda a turma. E quem não precisa de trabalho para elevar um pouco mais a autoestima sujeita a uma queda a qualquer momento? O que penso que os professores estão sobrecarregados com conteúdos à serem passados e a autoestima fica prá depois. Trabalho numa equipe multidisciplinar e faço essas oficinas com alunos que estão apáticos, desinteressados, baixo rendimento, problemas familiares... e tem sido um sucesso.
      Obrigada pela visita.
      abraços
      Julia

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  3. Maze, obrigada pela visita e pelo comentário. Concordo plenamente com você. Se o professor usar 20 minutos de suas atividades semanais para fazer um trabalho de autoestima e deste usar tudo o que for possível para trabalhar conteúdos curriculares seria ótimo, Mas, eu faços estas oficinas com alunos que o professor encaminha para a Equipe Multidisciplinar e vejo que eles estão passando por conflitos emocionais e não dificuldades de aprendizagem em si, Por que o próprio professor não faz, ele mesmo, este trabalho, penso que deve ser a preocupação em passar conteúdos o mais rápido e tirar dificuldades, pois o tempo em sala de aula acaba ficando reduzido...
    abraços
    Júlia

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  4. Muito interessante estas atividades, eu estava procurando por idéias como estas para desenvolver um trabalho com meus alunos. Eu tenho percebido que aqui no Japão, onde sou professor, muitas crianças possuem problemas relacionados a autoestima.

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    1. Professor Cláudio, há uma polêmica sobre o valor da autoestima e a aprendizagem. Há os que defendem que aprender eleva a autoestima, Concordo. Mas quem está com baixa autoestima tem dificuldades para se concentrar, desmotivação e apatia, e quando trabalho com essas crianças a autoestima os resultados são muito evidentes, há uma melhor na capacidade de aprender..
      Obrigada pela visita e pelo comentário.
      abraços
      Julia

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  5. Estamos planejando a Semana Pedagógica de minha escola, e um dos temas a ser abordado será a importãncia da afetividade no contexto escolar, pois acreditamos que quando existe afetividade entre educador e educando a aprendizagem flui melhor.
    E com certeza as sugestões serão de muito valia.
    Eloisa Oliveira

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  6. Esse trabalho da autoestima,(há uma diversidade de dinâmicas, o segredo é o afeto) do acolhimento, do relaxamento (os alunos amam...) tem resultados surpreendentes! Os vínculos afetivos depois que criamos com nossos alunos é uma garantia de que o trabalho pedagógico, com objetivos bem definidos, com recursos didáticos pode ser um grande sucesso. São experiências comprovadas!!
    obrigada pela visita e pelo comentário!! Sucesso na semana pedagógica"!
    Abraços
    Julia

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  7. Meu filho não gosta de desenhar , não tem habilidade nenhuma para esse habito tão importante na vida de uma criança,o que faço?Seria esse algum sinal de que algo nele não vai bem?Por favor,me respondam preciso muito saber!!

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    1. Vladia, o desenho é, com certeza uma expressão pela arte, dos nossos sentimentos, saberes, angustias, sonhos... mas não é necesáriamente, pelo desenho, que externamos o que talvez o insocnsciente, importante é de alguma forma expressarmos. Pense a infinidade de formas: pela conversa, (palavra escrita ou verbal), pela música, pela dança,pelos sonhos (ao dormir) por todas as formas de arte; escultura, construção de formas abstratas... não se preocupe, preste mais atenção e você observará que de alguma forma seu filho está exteriorizando o que for necessário para seu bem estar consigo mesmo e com o mundo( e você pode nem descobrir). O ser humano, cada um tem seus próprios recursos, nem sempre igual uns aos outros. Quantaas vezes uma criança agride pedindo amor e não "bronca", desobedece para ser corigido, por se sentir esquecido ou "grudento" por se sentir preterido? Se você precisa mesmo saber... preste atenção para entender. Somos seres bastante complexos:quantas vezes, nós, adultos, dizemos "não" quando queremos dizer "sim" ou vice versa? Pense bem!
      Obrigada pela visita. Se quiser conversar comigo entre em contato pelo email:
      moura.juliavirginia@gmail.com
      Abraços
      Julia

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