“Continuo buscando, re-procurando. Ensino porque busco, porque indaguei, porque indago e me indago. Pesquiso para conhecer o que ainda não conheço e comunicar e anunciar a novidade”.

Paulo Freire


quarta-feira, 29 de junho de 2011

Adaptações para surdos e cegos - Ensino Médio e Superior

 
Observando os obstáculos enfrentados por alunos deficientes visuais e auditivos, sem déficit cognitivo, em assimilar os conteúdos das disciplinas em níveis acadêmicos avançados, principalmente em Ciências, por meio da Libras e do sistema Braille, pesquisadores da Universidade de Brasília elaboraram um projeto que tem por objetivo melhorar a formação dos professores e criar símbolos específicos que traduzam os conceitos.

A partir dos resultados apontados por pesquisadores da UnB mostrando a ineficiência das práticas e materiais pedagógicos, do despreparo dos professores, como principais entraves ao aprendizado de alunos com deficiência, no ensino médio e superior, foi elaborado um projeto que deu origem ao livro “Educação Científica, Inclusão e Acessibilidade”. (Editora Cânone)

O trabalho foi idealizado e coordenado pela professora Heloisa Salles e teve seu início com o projeto “Português como segunda língua para a educação formal”, com a duração de 8 anos (2003/2008), em que foram investigadas as questões ligadas á aquisição do português como segunda língua para a educação formal dos surdos. Neste projeto alguns alunos do Cemeb participaram da pesquisa interdisciplinar da Universidade de Brasília(UnB).
“Para aprender a segunda língua é necessário ter domínio sobre a primeira, que vem ser à base da segunda e muitas vezes o deficiente nasce numa família de ouvintes ou videntes e não sabe a linguagem deles, ou adquiriu a deficiência depois”, lembra a professora Heloisa Salles
O Projeto então se volta para o desenvolvimento de técnicas para o ensino da língua: elaboração de dicionários com especificidades, glossários científicos, desenvolvimento de conceitos e novos sinais na terminologia científica.
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 Palestra UFES Profª Drª Helloísa
 Bilingüismo dos surdos: questões lingüísticas e educacionais"
 
A professora Heloísa Maria Moreira Lima Salles, Doutora em Linguística da Universidade de Brasília com formação acadêmica: Estágio de Pós-Doutorado: Universiteit Leiden, Netherlands, 2006-2007 - Mestrado - Preposições essenciais do Português - UnB, 1992 -Doutorado - Prepositions and the syntax of complementation - University of Wales, GB, 199; e com área de concentração no PPGL: Teoria e Análise Lingüística e Coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Lingüística (PPGL.

Há um capítulo do livro que trata sobre o ensino de química para deficientes visuais, por ser considerada a disciplina e o próprio curso em nível superior, o mais difícil de ser aprendido pelos deficientes visuais e auditivos. Este capítulo foi escrito pela professora da Faculdade de Educação da UnB, Patrícia Neves Raposo, onde são apresentado gráficos táteis em Braille, maquetes adaptadas e experimentos sonoros que favorecem a aprendizagem de química, discipliana que faz uso constante de fórmulas, gráficos e experimentos.                                                                                                                                                        
                                                                                                                                                                                            
A Professora Patrícia Neves Raposo é Mestre em Educação pela Universidade de Brasília (UnB), graduada em Pedagogia e Pós-graduada (lato sensu) em Educação Especial e Infantil. Atua como professora da Área de Educação Inclusiva na Faculdade de Educação da Universidade de Brasília (FE). Atua no Programa de Pós-graduação em Ensino de Ciências na linha de pesquisa Ensino de Química para alunos com necessidades educacionais especiais. Professora na disciplina Educação e Saúde do Programa de Pós-graduação da Faculdade de Saúde da UnB - Membro da Comissão Brasileira do Braille/Secretaria de Educação Especial do Ministério da Educação (MEC). Ministram cursos na área de Deficiência Visual, simbologia Braille da Matemática e Química, Educação de Alunos com Baixa Visão. Atua em pesquisas sobre Tecnologia Assistiva e o Ensino de Química para Alunos Deficientes Visuais (UnB).
De acordo com a professora Patrícia Raposo “houve situações em que alunos foram convidados a abandonar o curso (superior) por não conseguirem assimilar os conteúdos e hoje já são 5 (cinco) estudantes”.


A obra “Educação Científica, Inclusão e Acessibilidade”, um trabalho inédito e pioneiro na área da inclusão e acessibilidade, foi organizado pelos pesquisadores e professores Paulo Salles e Ricardo Guache.


Paulo Sérgio Bretas de Almeida Salles possui graduação em Ciências Biológicas pela Universidade de Brasília (UnB), mestrado em Ecologia pela UnB e doutorado em Ecologia pela Universidade de Edimburgo (Escócia). Realizou estudos de pós-doutorado na Universidade de Amsterdam (Holanda). Atualmente é professor adjunto da UnB, no Núcleo de Educação Científica do Instituto de Ciências Biológicas, onde atua na formação de professores. É professor orientador nos programas de Pós-graduação em Ecologia e Pós-graduação em Ensino de Ciências da UnB.

ricardo guacheRicardo Gauche é bacharel e licenciado em Química pela Universidade de Brasília (UnB), mestre em Educação (Metodologia de Ensino de Química) pela Universidade de Campinas (Unicamp) e doutor em Psicologia (Cultura e Desenvolvimento) pela UnB. É professor do Instituto de Química da UnB e tem experiência na área de ensino de Química, com ênfase na formação de professores, atuando principalmente nos seguintes temas: formação inicial, formação continuada e autonomia do professor; autoestima; pesquisa colaborativa; materiais de ensino; currículos e programas; avaliação; e processo ensino-aprendizagem
 
 
Em resumo, no livro os autores compartilham resultados de pesquisas e reflexões sobre práticas e materiais pedagógicos desenvolvidos para alunos com necessidades especiais em espaços formais e não formais de educação. Partindo de diferentes perspectivas teóricas e elegendo variados objetos empíricos, a obra propõe novas possibilidades de investigação e de aplicações dos resultados de pesquisa no campo da educação científica. Questões mais amplas referentes à acessibilidade. Os resultados apresentados reúnem conhecimentos que ampliam o entendimento de necessidades específicas desses educandos, ao mesmo tempo em que discutem alternativas metodológicas para um trabalho efetivamente inclusivo em sala de aula. Trata-se de uma obra de interesse á todos os envolvidos nesse processo de inclusão educacional, educadores e educandos. É muito importante tomar conhecimento desta obra
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Referências


Fundação de Apoio á Pesquisa-GDF
http://www.fap.df.gov.br/

Correiobrasiliense/euestudante
http://www.correiobrasiliense.com.br/
 
Ensino da Lingua Portuguesa para Surdos
http://pt.scribd.com/doc/31505625/ENSINO-DE-LINGUA-PORTUGUESA-PARA-SURDOS
 
Bretas e Guache - Educação Científica, Inclusão e Acessibilidade
http://www.canoneeditorial.com.br/canoneeditorial/cat_educacao_01.htm
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