“Continuo buscando, re-procurando. Ensino porque busco, porque indaguei, porque indago e me indago. Pesquiso para conhecer o que ainda não conheço e comunicar e anunciar a novidade”.

Paulo Freire


sábado, 25 de junho de 2011

Alunos Surdos do Ensino Médio – querem Salas Exclusivas- CEMEB (Centro de Ensino Médio Elefante Branco)- em Brasília-DF

Alunos NEEs do CEMEB - Brasilia -( Imagem: Correiobrasiliense/euestudante)
 

A realidade da  inclusão no ponto de vista dos alunos portadores de necessidades educacionais especiais.

Alunos portadores de deficiência visual e/ou auditiva sem adequação didática otimizada, não conseguem acompanhar as aulas, assimilar os conteúdos em tempo real e apontam a insuficiência que a Língua Brasileira de Sinais (Libras), o sistema Braille, os intérpretes, e mesmo a falta de preparação dos professores como as maiores falhas e pedem salas exclusivas.
São alunos sem déficits cognitivos, em níveis educacionais avançados, que estão sendo penalizados por estarem em salas inclusivas que não favorecem o entendimento dos conteúdos de todas as matérias. Os obstáculos começam com Libras que não possuem símbolos para traduzir conceitos científicos. Em História, por exemplo, não tem sinal para “feudalismo”, “ditadura”, “revolução”... Alguns apontam biologia e filosofia com algumas das disciplinas que apresentam maiores dificuldades de entendimento por falta da simbologia da Língua de Sinais.
Mesmo através do intérprete, a dificuldade permanece, pois a comunicação dos professores é muito rápida, aponta o aluno Marco Aurélio Belloti (17 anos), DA, em entrevista ao jornal “Correio Brasiliense” edição de 22/06/2011: “Inclusão é muito legal, mas o ouvinte consegue responder o professor em tempo hábil, assim que ele coloca a questão, mas a gente depende do intérprete. Então a comunicação deles é mais rápida e a gente não consegue acompanhar... e aí o professor já passou para outro assunto”
Mesmo com a ajuda do intérprete, devido ás falhas da Libras por não haver várias simbologias, o intérprete vai precisar soletrar o conceito, isso demanda tempo e descompensa a fala do professor e a assimilação dos alunos.
A situação, sob o ponto de vista dos DAs e DVs é desesperadora e exige iniciativas que façam com que a inclusão seja avanço e não retrocesso na vida acadêmica dos portadores de necessidades educacionais especiais.
A língua brasileira de sinais (LIBRAS) é a língua de sinais (língua gestual) usada pela maioria dos surdos dos centros urbanos brasileiros e reconhecida pela Lei. É derivado tanto de uma língua de sinais autóctone quanto da língua gestual francesa; por isso, é semelhante a outras línguas de sinais da Europa e da América. A LIBRAS não é a simples gestualização da língua portuguesa, e sim uma língua à parte, como comprova o fato de que em Portugal usa-se uma língua de sinais diferente, a língua gestual portuguesa (LGP).
Assim como as diversas línguas naturais e humanas existentes, ela é composta por níveis linguísticos como: fonologia, morfologia, sintaxe e semântica. Da mesma forma que nas línguas orais-auditivas existem palavras, nas línguas de sinais também existem itens lexicais, que recebem o nome de sinais. A diferença é sua modalidade de articulação, a saber, visual-espacial, ou cinésico-visual, para outros. Assim sendo, para se comunicar em Libras, não basta apenas conhecer sinais. É necessário conhecer a sua gramática para combinar as frases, estabelecendo comunicação. Os sinais surgem da combinação de configurações de mão, movimentos e de pontos de articulação — locais no espaço ou no corpo onde os sinais são feitos, os quais, juntos compõem as unidades básicas dessa língua. Assim, a Libras se apresenta como um sistema linguístico de transmissão de ideias e fatos, oriundos de comunidades de pessoas surdas do Brasil. Como qualquer língua, também existem diferenças regionais, portanto deve-se ter atenção às variações praticadas em cada unidade da Federação.
A Libras foi oficializada somente em 2002, como meio legal de comunicação, forma de comunicação e expressão com sistema linguístico de natureza visual-motora com estrutura gramatical própria para surdos, o que já constituiu um avanço, pois antes a aprendizagem da língua portuguesa para surdos acontecia sem referências sonoras. Agora é preciso que seja revista em suas falhas e complementada.
Os intérpretes também percebem as dificuldades destes alunos, se desdobram para ajuda-los, mas compreendem que é muito difícil, pelas falhas da Libras com vocabulário limitado, e lembram que mesmo sabendo ler o que o professor escreve, há que estar entendo o contexto, portanto são muitas as falhas.
A Educação Especial é taxativa: todas as crianças e jovens com necessidades especiais devem estudar na escola regular. Desaparecem, portanto, as escolas e classes segregadas. O atendimento especializado continua existindo apenas no turno oposto. É o que define o Decreto 6.571, de setembro de 2008. O texto não acaba com as instituições especializadas no ensino dos que têm deficiência. Em lugar de substituir, elas passam a auxiliar a escola regular, firmando parcerias para oferecer atendimento especializado no contra turno (salas de recursos). Ensinar os conteúdos das disciplinas passa a ser tarefa do ensino regular, e o profissional da Educação Especial fica na sala de recursos para dar apoio com estratégias e recursos que facilitem a aprendizagem.


Porém a inclusão não consiste apenas acabar com a segregação, a escola precisa atender aos diferentes níveis de acessibilidade do aluno na rede escolar, inclusive a adequação necessária ao seu letramento: acessibilidade á metodologia, dentre outras. Caso contrário o aluno, sem conseguir aprender ficará “segregado” na própria sala de aula. É o que está acontecendo aos alunos com deficiência auditiva do Centro de Ensino Médio Elefante Branco.
“Sabe-se que esse momento da inclusão é um “momento de transição”, mas é preciso estar atento para que os alunos que estão vivendo esta transição não sejam onerados em seus direitos e condições de aprender: "tratar com igualdade nem sempre é oferecer condições iguais para todos, mas ter a percepção da diversidade e saber adequar á realidade, á cada um de acordo com sua necessidade”
Os alunos ao reivindicar salas exclusivas esclarecem que nestas salas, professores e alunos passam pelo intérprete “o desenvolvimento em turmas diferentes é muito mais rápido, porque o professor tem que passar pelo intérprete e os ritmos são diferentes”, diz o aluno Wellington Edmundo Gonçalves, 21 anos.


A partir da observação destas dificuldades pesquisadores da UnB elaboraram um projeto publicado na obra “Educação Científica, Inclusão Social e Acessibilidade”, lançado esta semana em Brasilia-DF. Excelente trabalho que será divulgado na próxima postagem.


Referências


Educação Bretas , Paulo Sério e Gauche, Ricardo - Educação Científica Inclusão Social e Acessibilidade Edit. Cânonehttp://www.correioweb.com.br/euestudante/noticias.php?tp=15=




Sites Recomendados


Surdos protestam contra a inclusão educacional - artigo
http://br.groups.yahoo.com/group/MODEF/message/303


A INCLUSÃO ESCOLAR DE ALUNOS SURDOS:
O QUE DIZEM ALUNOS, PROFESSORES E INTÉRPRETES
SOBRE ESTA EXPERIÊNCIA

http://www.scielo.br/pdf/ccedes/v26n69/a04v2669.pdf











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