“Continuo buscando, re-procurando. Ensino porque busco, porque indaguei, porque indago e me indago. Pesquiso para conhecer o que ainda não conheço e comunicar e anunciar a novidade”.

Paulo Freire


quarta-feira, 4 de maio de 2011

A queixa dos professores dos 3º e 4º anos, séries iniciais–“alunos com história de repetências e defasagem idade/série”




 
Baixo rendimento, repetências e baixa autoestima caracterizam uma grande porcentagem de alunos que se encontram, principalmente, nos 3º e 4º anos das séries iniciais do Ensino Fundamental. Os professores não conseguem entender situação e apelam ás equipes multidisciplinares das escolas, solicitando apoio pedagógico, apresentando um grande número de alunos que suspeitam serem portadores de déficit cognitivo.
O mau desempenho escolar é o resultado de vários fatores que vão desde questões pessoais, como agressividade, desatenção e isolamento, á dificuldades de aprendizagem, déficit cognitivo (deficiência intelectual) e promoção de uma série á outra, sem que o aluno tenha dominado os conteúdos da série cursada.



Para ajudar esses alunos, os especialistas sugerem o acolhimento, a escuta ao aluno, a disponibilidade, não somente por parte do professor quanto da equipe multidisciplinar/equipe de apoio pedagógico, com o propósito de elevar a autoestima e detectar a origem do baixo desempenho escolar que dificulta o acompanhamento dos conteúdos.

Quando o problema se encontra na falta de domínio de conteúdos anteriores, como a aquisição do processo de escrita/leitura, os projetos interventivos são, atualmente, as ferramentas que possibilitam melhores resultados. Os projetos são usados para organizar e planejar os conteúdos específicos de uma situação-problema, dentro de um tempo previsto e flexível que vão envolver toda a turma, atingindo os alunos que se encontram com necessidades específicas.


Um projeto enfocando necessidades dos alunos com defasagem, nas séries iniciais, que na maioria das vezes apenas iniciaram o processo de alfabetização, alguns com repetências no 3º ano, outros que escrevem, mas não leem (será que “escrevem” ou “copiam”?) – necessidades configuradas no processo de codificação e decodificação.


“Um projeto com o foco em necessidades específicas de alguns, não vai prejudicar o resto da turma?”, pergunta o professor.

A angústia do professor é muito grande, ele tem conteúdos de 3º ano nos seus planejamentos e não de 2º ou 1º ano... Aí é que vai estar a funcionalidade do projeto, que envolve várias habilidades, que embora tenha o objetivo de melhorar o desempenho de alguns vai se estender á todos.

Á partir do diagnóstico, envolvendo a Equipe de Apoio Pedagógico, “o professor vai conhecer melhor o aluno e o que ele sabe; sua história de vida, sua cultura, seu universo linguístico, bem como seu processo de socialização. Uma vez identificadas às necessidades, propor-se-ão as intervenções pedagógicas: o eixo orientador da organização do Projeto. serão elaborados os objetivos, as expectativas, definidas as habilidades e ações, bem como o seu processo de avaliação”, segundo as orientações da proposta pedagógica do BIA, séries iniciais.




Os conhecimentos que o aluno já adquiriu vão direcionar a continuidade e os conteúdos que serão selecionados para compor o projeto. Um projeto de Língua Portuguesa para séries iniciais, com uma situação-problema que envolve necessidades de domínio do código, por exemplo, deve ter estratégias específicas, que vão se desenvolver dentro de quatro práticas, segundo Lígia Klein, em Prática Pedagógica na Perspectiva Histórica (2003): Leitura e Interpretação, Produção de Texto, Análise Linguística e Sistematização para o domínio do Código. Estas quatro práticas vão fundamentar a alfabetização e o letramento.
imagem- http://soraia-oliveira.blogspot.com/2011/04/metodos-de-alfabetizacao-quais-sao-e.html
A leitura e interpretação de palavras, frases, períodos e textos é o percurso que o aluno vai percorrer na construção das hipóteses sobre o conhecimento que podem ser identificadas nos níveis psicogenéticos de Emília Ferreiro.

Análise Linguística vai estar presente em todo o processo de alfabetização, observada nas produções dos alunos: palavras, frases, textos – coesão e coerência, vocabulário, parágrafo, gênero, ortografia, acentuação, pontuação, concordância, legibilidade, estética...

Na sistematização para o domínio do código, o nível da psicogênese vai determinar o nível de conhecimento que o aluno já domina na codificação, evidenciando o desenvolvimento das suas capacidades no campo da escrita e da leitura.



A característica maior dos alunos que estão em defasagem é o nível da psicogênese silábico. Tem conhecimento do alfabeto, discrimina letras de números, usa uma letra para uma sílaba, ou a própria sílaba, para palavras ou frases; escreve o seu pré-nome, independente da estruturação do sistema de escrita.

Essas quatro práticas vão permear todo o projeto para envolver todos os alunos. Sem descartar a importância do desenvolvimento da psicomotricidade que é pré-requisito no processo de alfabetização, que se não ocorrer de forma natural, deve ser mediada pelo professor: espaço-temporal, lateralidade, orientação espacial, coordenação viso-motora... são habilidades básicas que sugerem conteúdos da Educação Infantil, na realidade habilidades cujo domínio é essencial no domínio da escrita e da leitura.


 Uma criança que não desenvolveu a organiza ação espaço-temporal, localização espacial e lateralidade, ela vai aprender o código, mas terá dificuldades em sistematizá-lo. Veja o exemplo: “K”, cursa o 2º ano, não desenvolveu estas habilidades espontaneamente; conhece algumas letras do alfabeto; discrimina letra de números; identifica, discrimina e nomeia as letras do pré-nome, mas usa as letras numa sequencia aleatória, da mesma forma com os números: identifica numerais até 9 (nove) e quantifica, mas não assimilou a sequencia numérica; está em defasagem em relação aos conteúdos.” Falta lateralidade (noção de direita e esquerda), noção de localização espacial...



Estes são os fundamentos para se organizar um bom projeto. Caso os professores que estão diante da defasagem de seus alunos não se apropriarem de  uma boa proposta pedagógica, ele vai dar continuidade á repetência ou vai promover um aluno defasado e contribuindo para esses alunos acabem abandonando a escola.


Em seguida veja, na próxima postagem, sugestões de atividades pedagógicas, que podem ser adequadas ás necessidades de seus alunos e organizadas em seu projeto.


Referências:

BRASIL. Ministério da Educação-Pró-Letramento, Alfabetização e Linguagem (2007)

Proposta Pedagógica do Bia – Alfabetização 9 anos (2006)

Lemle, Miriam – Guia Teórico do alfabetizador
Grossi, Ester Pilar – Didática do Nível Silábico

ESTEBAN, Maria Tereza. O que sabe quem erra? Reflexões sobre avaliação e
fracasso escolar. Rio de Janeiro: DP&A, 2002.
Revista Nova Escola – Edição de Abril/2011
Sites Recomendados:

CONEXÃOPROFESSOR

http://www.conexaoprofessor.rj.gov.br/especial.asp?EditeCodigoDaPagina=1704





Defasagem idade-série atinge metade dos alunos e provoca abandono; situação no ensino médio é pior


Leia mais sobre esse assunto em


http://oglobo.globo.com/educacao/mat/2011/05/01/defasagem-idade-serie-atinge-metade-dos-alunos-provoca-abandono-situacao-no-ensino-medio-pior-924359691.asp#ixzz1LQPt6fjS


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