“Continuo buscando, re-procurando. Ensino porque busco, porque indaguei, porque indago e me indago. Pesquiso para conhecer o que ainda não conheço e comunicar e anunciar a novidade”.

Paulo Freire


sexta-feira, 15 de abril de 2011

“nunca coloque nada na internet que você não mostraria para sua mãe”. Cristiana Matos Assunção


Sextexting – competência da Escola?

 Professor/aluno – uma relação de aceitação e confiabilidade


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A escola e a educação têm como principal fundamento o repasse de valores e conhecimentos básicos para os seus alunos, em que o professor é visto como mediador de conhecimento e que possui determinados tipos de poder  sobre os alunos, que forma sua identidade através da significação desses vários recursos. Essa é uma das definições simplificadas das relações escola-professor-aluno.

De acordo com FRANCIELLI PIROLLI DA SILVA, graduada em Ciências Sociais pela Universidade Estadual do Oeste do Paraná e RODRIGO ASSUFI DALLANOL, Concluinte em Psicologia pela Faculdade Assis-Gurgacz. kaamus@hotmail.com

O ser humano em sua essência é formado através de seu convívio com a sociedade, levando em conta a internalizarão das diversas aprendizagens e experiências. O poder das instituições de ensino na formação social do indivíduo e na influência destas para a construção da identidade, observa-se que estas relações de poder existentes no interior da escola, principalmente na relação e exercício do poder entre professor e aluno, através da educação reproduz ideologias da sociedade e tem poder de influenciar o indivíduo o qual carrega seus valores e conhecimentos adquiridos para suas relações sociais dentro e fora da escola.”

O professor ao dar uma aula, não desenvolve apenas o conteúdo da sua disciplina. Acaba por influir muito na forma de como o aluno poderá entender a sociedade em que vive,  isso significa que um professor sempre revela aos seus alunos as suas opiniões sobre o que acontece na sociedade ou na escola, sempre acaba colocando seus valores e concepção de vida. Por isso ao dar suas aulas, todo o professor faz mais do que desenvolver um conteúdo: influi nas concepções de vida do aluno. Isso de forma natural, não planejada, que se torna para o aluno uma determinante de conceitos ou de preconceitos que vai carregar para o resto de sua vida, ao qual estarão sempre associando á outros momentos, outras idéias vinculados á indivíduos que sejam professores, sempre com respeito e confiabilidade.

Essa relação professor/aluno começa nas séries iniciais, quando a criança ainda podia chamar de “tio” ou de “tia” o professor ou a professora, cuja presença prá ela significava “o que sabe tudo, em quem eu acredito”. Quantas vezes por um engano o professor passava um conceito equivocado e mãe ao ajudar o filho nos deveres de casa, dizia “não, não é assim” e o filho “mas a tia falou...” e nada faria com que ele deixasse de aceitar como certo o que “a tia falou”.
Aceitação e confiabilidade é que vão  fazer com que a escola, na pessoa do professor, alcance 
muito mais sucesso na formação e orientação dos procedimentos morais e sociais, do que a família, as leis civis ou qualquer outra forma de formação ou coação.

 O aluno é um agente social que leva para a escola uma série de experiências acumuladas do cotidiano, que o tornam capaz de reelaborar os conceitos emitidos pelo professor. É nessa contraposição entre a experiência do professor e a experiência do aluno que o conhecimento se faz. (MEKSENAS, p.101, 102).

 E todos os conceitos e definições de escola, professor e aluno filosoficamente são maravilhosos, só que na prática, as experiências, que hoje os alunos estão trazendo para a escola, cada vez mais complexas, tomando rumos nunca imaginados, tem exigido que a escola esteja preparada, pois não se trata mais da família que se exime do seu papel social, mas do que está vindo de uma forma totalmente nova e desconhecida tanto para a escola como para a família, e no “frigir dos ovos” o trabalho com a criança e do adolescente, apesar de ser de toda uma sociedade, recai sobre a escola e o professor.
A tecnologia conquista seus usuários cada vez mais cedo, apesar de, muitas vezes, as crianças não estarem preparadas para os riscos que ela traz. Podem aprender a usar computadores sozinhas, mas elas ainda precisam de muita orientação sobre como utilizar essas ferramentas da forma correta. É disso que vamos falar. Do papel da escola na orientação das crianças quanto ao uso correto da tecnologia e o papel do professor exercendo seu poder de convencimento para evitar que a “moda” do Sextexting,  por exemplo, se espalhe indiscriminadamente.

O importante, quando se trata de educar as crianças autodidatas da tecnologia, é transmitir valores éticos, que se mantêm os mesmos na vida virtual e também na “real”. Esses valores diminuem as chances de uma criança adicionar desconhecidos numa rede social ou ver cenas de nudez, por exemplo.
Começar cada vez mais cedo à educação virtual,  seja em casa ou na escola,  é uma arma para combater os riscos existentes no mundo online.

Cleuza Vilas Boas, diretora pedagógica do Móbile, colégio em São Paulo, explica que até pouco tempo atrás, o assunto era abordado no 6º ano (quando a criança tem em média 11 anos). “Hoje, alunos com menos de 9 anos já tem MSN, perfil no Orkut e trocam e-mails com amigos. Portanto, adiantamos a discussão para o 4º ano”, revela.

Família e Escola – o que fazer?
Pesquisadores apontam como um dos principais desafios que as escolas enfrentam é o fato de que ficar online já faz parte do cotidiano dos alunos. Muitos deles têm livre acesso a esse recurso em suas casas, mesmo sem a maturidade cognitiva e educacional para lidar com os riscos aos quais estão expostos. “Existem pais que usam a internet como uma espécie de babá dos filhos”

Aula de comportamento - escola particular

No Vértice, tido como escola (particular) modelo no Brasil, os alunos do 6º ao 9º ano cursam duas matérias específicas que tratam do comportamento na internet, assim como no Móbile, dentro da disciplina de Orientação Vocacional e EVE (Educação e Vida em Família), trabalhadas durante o ano letivo de cada série

A escola deve procurar dar todos os alertas sobre as consequências de os alunos publicarem fotos e informações pessoais, no caso do uso de redes sociais. Para os educadores, o diálogo com os estudantes,  seja na escola ou em casa, ainda é o melhor caminho. “As tecnologias não vão desaparecer, elas sempre evoluem. O que permanece, sempre, são os perigos. Interagir com as crianças, tanto a escola como os pais, para fazer com que reflitam sobre esses perigos e as consequências de um mau comportamento online é o que funciona”, conclui.


Escolas públicas


Em escolas públicas ainda não existe uma recomendação pedagógica direta quanto ao uso seguro da internet. No entanto, em São Paulo, há um projeto chamado Acessa Escola, que disponibiliza o acesso à web em laboratórios na própria instituição de ensino. Dentro deles ficam alguns monitores , jovens do Ensino Médio, concursados,  que, além de prestar suporte a alunos e professores para fazer pesquisa, são treinados para dar recomendações aos usuários.
“Os monitores conseguem orientar os colegas sobre como evitar situações embaraçosas”, disse João Thiago, diretor de Tecnologia da Informação da Fundação para o Desenvolvimento da Educação. Durante o treinamento, inclusive, há módulos que ensinam sobre os riscos da superexposição na rede.
Rodrigo Netj, diretor de prevenção da Safernet (ONG de defesa dos direitos humanos na internet), afirma que as escolas particulares abordam mais o cuidado com a segurança online porque neste ambiente os alunos têm mais acesso à web. “A realidade do aluno da escola particular é diferente do que o que estuda na pública, pois geralmente ele é mais conectado. Logo, acaba surgindo, nesse tipo de instituição privada, a necessidade de falar sobre o tema.”
Apesar da questão econômica, o diretor de prevenção da Safernet ressalta que é necessário abordar o tema nas aulas de todos os tipos de escolas. “É preciso incluir isso [uso responsável da internet] no planejamento pedagógico. Temas como sexting [envio de mensagens ou fotos pornográficas via celular] e ciberbullying devem sempre ser discutidos. Não se trata de um assunto técnico, mas de ética e cidadania, valores recorrentes na relação interpessoal, na internet”.
 Segundo Quézia Bombonatto, presidente da ABPp (Associação Brasileira de Psicopedagogia), os valores passados por pais e professores são decisivos para que os jovens saibam distinguir o quanto podem se expor nesses meios.

A sexualidade também é outro aspecto que está sendo desenvolvido nessa época. O jovem, segundo a psicopedagoga, pode ter dois comportamentos em relação a isso: ficar retraído em relação ao corpo ou, no outro extremo, querer exibi-lo. Contribui para esse segundo comportamento a excessiva erotização que há sobre o corpo jovem na mídia e na sociedade. "É aí que a família tem que estar por perto", explica Quézia, para que não haja a exposição do adolescente nessa fase "imatura".

Outra experiência, em São Paulo, é o projeto "Ética e cidadania digital" do colégio Bandeirantes, em São Paulo, a coordenadora Cristiana Mattos Assumpção, explica: o raciocínio é simples: “nunca coloque nada na internet que você não mostraria para sua mãe”. "É uma informação que vai ficar lá para sempre, o adolescente pode se arrepender depois de tê-la colocado lá. Ele tem que lembrar que está num espaço com um público muito amplo", diz.

E mais uma vez a Escola, o Professor, assumem o papel principal nas questões complexas, que á princípio parecem fugir de suas funções, mas que depois se vê que mudou a roupagem, mas que crianças e adolescentes estão, talvez um pouco mais cedo, necessitando de serem orientados quanto aos valores morais, á conduta social, sexualidade, ética e cidadania... dentro de um novo contexto social ,e o professor, mas do que nunca deve estar bem atualizado em seus conceitos para exercer seu poder de ser o norte confiável dos seus educandos.

REFERÊNCIAS

 SETTON, Maria da Graça J. As transformações do final do século: resignificando os conceitos de autoridade e autonomia. In:
MEKSENAS, Paulo. Aprendendo Sociologia: A Paixão de Conhecer a Vida. 6ª ed.
RODRIGUES, Neidson. Educação: da formação humana à construção do sujeito ético. Educação e Sociedade. V.22 n.76. Campinas. 2001.
LAMELA, Anxo. Disponível em: http://g1.globo.com/noticias

Sites Recomendados:

http://www.safernet.com/
http://educacao.uol.com.br/ultnot/2011/04/13/sexting-nao-publique-nada-na-internet-que-nao-mostrasse-para-a-mae-orienta-educadora.jhtm
http://jacquelineferreira.wordpress.com/tag/internet/
http://g1.globo.com/noticias
www.unioeste.br/cursos/cascavel/pedagogia/.../Artigo%2007.pdf

















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