“Continuo buscando, re-procurando. Ensino porque busco, porque indaguei, porque indago e me indago. Pesquiso para conhecer o que ainda não conheço e comunicar e anunciar a novidade”.

Paulo Freire


sexta-feira, 8 de abril de 2011

Massacre em escola pública no Rio de Janeiro se assemelha a Columbine, nos Estados Unidos


Nesta quinta-feira passada (07/04/2011) uma tragédia deixa o Brasil de luto pela morte de 11 crianças, em uma escola pública de Realengo no Rio de Janeiro, a Escola Municipal Tasso da Silveira, onde estudam quatrocentas crianças com idades entre nove e 14 anos.
Famílias enlutadas, professores aterrorizados, crianças feridas... este é o quadro desolador que invade os lares das famílias brasileiras que sofrem por uma violência de proporções tão grandes.
A tragédia se aproxima do massacre ocorrido em Columbine, no interior dos Estados Unidos. O caso da Columbine High School, em Littleton, Colorado, ficou famoso em todo o mundo e levantou a discussão sobre o comércio de armas nos Estados Unidos, principalmente após o lançamento do filme Tiros em Columbine, do documentário Michael Moore. O caso da Escola Municipal Tasso da Silveira, em Realengo, pode ser ainda pior, pois há 22 feridos, muitos em estado grave.
Um ex-aluno invadiu o colégio de Realengo e fez vários disparos, que teriam atingido mais de 30 alunos. Segundo o relações-públicas dos Bombeiros, coronel Evandro Bezerra, 13 pessoas morreram. O major Machado, do 14º BPM (Bangu), afirmou que há ainda 22 feridos em estado grave apenas no Hospital Albert Schweitzer, a maioria baleada no tórax e na cabeça. O atirador foi identificado como Wellington Menezes de Oliveira. Ele foi baleado na perna e depois se matou deixou uma carta explicando as razões do atentado
O que leva uma pessoa a entrar em uma escola e sair atirando a esmo? Até hoje psicólogos e policiais se perguntam, o que passavam nas cabeças destes assassinos que protagonizaram os massacres mais sangrentos em escolas de diversas partes do mundo.
Morreu com Wellington Menezes de Oliveira a possibilidade de diagnóstico sobre sua saúde mental. Restou uma pista, a carta sem nexo. E meia dúzia de hipóteses. A mais provável é que, vítima de distúrbio, tenha usado a escola como cenário de resgate de algo de sua identidade, por meio de um “ato heroico”. As conjecturas sobre as causas são diversas, principalmente, neste caso em que o atirador era ex-aluno da escola. Porém, não há quem responda por que, sempre as vítimas são crianças e principalmente meninas. Fica com junto ao terror deste ato de insanidade uma pergunta sem resposta.
Agora, a certeza maior são as sequelas que ficarão nos sobreviventes, o transtorno de stress pós-traumático, uma desordem caracterizada pelo medo e pela repetição de uma recordação intensa e vívida, inevitável e que carregarão pelo resto de suas vidas.
Experiências recentes com psicoterapia mostram que é possível melhorar a vida de sobreviventes de guerra e massacres, de mãe com depressão pós-parto e de outras vítimas do stress causado pela violência ou pela pobreza, cuja eficácia chega a dispensar o uso de medicação. Vários estudos já foram feitos em pacientes com stress após trauma onde se constatou a prejuízo da memória e do aprendizado.
De acordo com o estudo realizado pela médica pediatra e clínica de adolescentes; professora adjunta da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade do Estado do Rio de Janeiro:
(...) pessoas, e principalmente as crianças em desenvolvimento cerebral, processam, armazenam e recordam as informações e depois respondem ao mundo dependendo de seu estado fisiológico momentâneo, ou seja, suas respostas dependem de seu estado interno. Se a criança foi exposta a ameaças ou possui traumas extremos e invasivos, seu sistema de estresse pode ficar sensibilizado e haverá dificuldade de responder a experiências cotidianas, como se essas fossem também ameaçadoras. Dependendo das variáveis passadas e de suas respostas ao estresse, a criança ou o adolescente poderá se mover primariamente por meio do continuum dissociativo ou de estímulo, mas qualquer mudança irá reduzir sua habilidade de aprender a informação cognitiva, como o trabalho em sala de aula, apresentando queda no rendimento escolar.”
Esses alunos, vítimas da violência, vão necessitar de um atendimento diferenciado por uma equipe multidisciplinar com treinamentos específicos para avaliação diagnóstica da violência que e dos traumas de diversas origens, causados durante os períodos da infância e da adolescência. A banalização da violência fortalece os danos à saúde, o ciclo da pobreza e a falta de aprimoramento dos fatores de proteção social que todo cidadão merece, especialmente os adolescentes, que representam o futuro imediato para o nosso país.


Pesquisa e sites recomendados:




Col. David Grossman - www.killology.com
Extratos de palestra proferida em Bethel College, North Newton, Kansas - EUA
Publicado na revista australiana Trans Intelligence (no 3 e 4 de 1999)
Baseado no livro: "On Killing: The Psychological Cost of Learning to Kill in War and Society" (Little, Brown and Co.,1996)
"Meu Vizinho é Um Psicopata", escrito pela psicóloga Martha Stout,Reportagem adicional de Peter Szekely, John O'Callaghan, Sandra Maler, David Storey, David Alexander e David Wiessler


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