“Continuo buscando, re-procurando. Ensino porque busco, porque indaguei, porque indago e me indago. Pesquiso para conhecer o que ainda não conheço e comunicar e anunciar a novidade”.

Paulo Freire


segunda-feira, 11 de abril de 2011

Interpretar as respostas dos alunos para programar situações de aprendizagem - construindo a linguagem escrita


Interpretar as respostas dos alunos para programar situações de aprendizagem - construindo a linguagem escrita
Imagem -  quintetofama.blogspot.com


Ana Teberoski em sua obra “Psicopedagogia da Linguagem Escrita” (Ed. Vozes), tratando da aquisição da linguagem escrita, neste trecho diz:
‘Se o professor é capaz de oferecer uma ajuda efetiva quanto à diversidade das situações de uso, a criança poderá aprender, por meio desse uso, as regras de funcionamento da linguagem escrita. O principal propósito, na nossa experiência, é ajudar os professores na interpretação das respostas das crianças e na programação de situações de aprendizagem. Por isso, antes de discutir o que é que os professores podem e devem ensinar, parece-nos importante saber quais são as idéias e os conhecimentos das crianças e qual expectativa pode ter para proporcionar, depois, situações de ensino e aprendizagem.



Fica Claro que um dos grandes fundamentos das teorias construtivista de Emilia Ferreiro e Ana Teberoski(1970), é conhecer o aluno e o ele que traz para a escola em conhecimento adquiridos.  A Psicogênese da Língua Escrita esclarece sob um novo prisma como esse aluno está passando pelo processo de aprendizagem. E que essa forma de aquisição da escrita e da leitura vai depender muito mais da relação que a criança tem desde os primeiros anos da infância, com a cultura escrita; em outras palavras, o acesso que ela tem á princípio na família, á cultura, ao letramento, (as estimulações á leitura e a escrita), do que os métodos de alfabetização que o professor vai usar nas séries iniciais.

Os Parâmetros Curriculares brasileiros são fundamentados nas teorias construtivistas. Muitos educadores se queixam de não alcançarem sucesso neste processo construtivista e não sabem onde estão as lacunas, embora perseverem nestas práticas. A contribuição de Emilia Ferreiro e Ana Teberoski, para se compreender o processo do desenvolvimento e aquisição da linguagem escrita tem um valor inestimável para o educador ainda que apareçam lacunas não explicadas. As pesquisas demonstram que essas teorias alcançam sucesso absoluto quando as crianças trazem  alguma bagagem cultural antes de chegarem á escola.  Crianças que vem de famílias com algum nível de cultura.

A realidade dos educandos brasileiros percorre uma variável muito grande, principalmente, os filhos de famílias de baixa renda e nível socios-culturais muito pobres, geralmente alunos das escolas públicas. Há uma  diversidade muito grande permeando também as vastas regiões geográficas, umas muito ricas e outras muito pobres.

O educador de uma escola pública, mesmo na periferia de uma metrópole, vê essa diferença  socio-cultural. E essa relação com a cultura escrita muitas vezes é quase nenhuma. Essa realidade não gera grandes expectativas para o educador proporcionar, situações de ensino e aprendizagem. O que o educador vai necessitar é criar vínculos entre a criança e a escrita, os vínculos que não existiam. Um bom exemplo, é a grande diferença que um professor de escola pública encontra entre duas crianças, no primeiro ano: uma que está entrando na escola sem ter passado pela educação infantil e a outra que passou pela educação infantil. A diferença é muito grande a ponto de o professor suspeitar de uma dificuldade de aprendizagem naquela criança que não passou pela educação infantil. Porque na realidade da educação brasileira, escolas públicas da periferia de grandes cidades ou de regiões muito pobres o trabalho da educação infantil é mais que um espaço em que a criança é identificada como alguém que já que possui saberes, conhecimentos, como alguém já tem interações com o mundo, mas estimular estes fatores propulsores de desenvolvimento á escrita e leitura, direcionando-os ás descobertas, troca de experiências, aprendizagens significativas, provocando o querer conhecer e o saber.

No entanto diante de uma realidade cultural que “parece” destoar dos postulados do construtivismo, sabe-se que o processo da aquisição é o mesmo só que o ponto de partida é outro, o que não exclui todo o embasamento da nova postura do educador, nos fundamentos construtivistas, quando vai fazer uso do diagnóstico psicogenético, quando vai programar situações de aprendizagem, vai fazer uso de um ambiente alfabetizador...

Em entrevista á revista Nova Escola, Ana Teberoski falou sobre a polêmica em torno do construtivismo e os problemas de alfabetização, no Brasil, levantada pelos defensores do método fônico, ao que ela esclareceu:



“Para afirmar se a culpa é ou não de determinada maneira de ensinar, seria necessário ter um estudo aprofundado das práticas pedagógicas dos alfabetizadores em todo o país. Uma coisa é o que eles declaram fazer, outra é o que eles executam de fato. Quem afirma que uma forma de alfabetizar é melhor que a outra está apenas dando sua opinião, já que não existe nenhuma pesquisa nessa linha. A dificuldade em alfabetizar no Brasil é histórica e já existia mesmo quando o método fônico estava na moda”.



Uma pesquisa com certeza mostraria quais os fatores que tornam a alfabetização no Brasil tão complicada, como aponta Teberoski. Mas, quanto à história da dificuldade de alfabetizar é história de todas as nações, uma vez que sempre há e haverá diversidade e homogeneizar é impossível.

 Referências:

Teberoski, Ana
Psicopedagogia da Linguagem Escrita - Editora Vozes -
Revista Nova Escola
revistaescola.abril.uol.com.br/.../psicopedagogia-linguagem-escrita-ana-teberosky

 Dificuldades de Aprendizagem - Fracasso Escolar

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