“Continuo buscando, re-procurando. Ensino porque busco, porque indaguei, porque indago e me indago. Pesquiso para conhecer o que ainda não conheço e comunicar e anunciar a novidade”.

Paulo Freire


quinta-feira, 24 de março de 2011

Criança mal-educada ou hiperativa ? TDAH/ ADD ( Attention Déficit Disorder)







Como saber, principalmente nas escolas, onde á cada ano, o número de crianças com suspeitas de TDAH, aumenta assustadoramente?
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Não se pode negar que alguns dos sintomas da pessoa portadora deste transtorno podem ser os mesmos que resultam de outros acontecimentos que afetam o estado emocional do indivíduo: momentos conflituosos, desajuste gerando  distúrbios de comportamento, quase sempre dissociados de suas verdadeiras causas. Como por exemplo, uma criança que não recebe em sua educação familiar a necessidade de aprender a obedecer a regras e limites, repetindo comportamentos inadequados nos ambientes sociais, como a escola; conflitos emocionais por maus tratos, perdas e luto separação dos pais, negligência… geram transtornos de conduta que podem confundir os adultos cuidadores dessas crianças: pais, professores e outros. As dificuldades familiares podem ser mais conseqüência do que causa do TDAH (na criança e mesmo nos pais). Problemas familiares podem agravar um quadro de TDAH, mas não causá-lo.



Vamos começar pela definição de TDAH,  Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade, segundo a Associação Brasileira do Déficit de Atenção (ABDA).
O Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) é um transtorno neurobiológico, de causas genéticas, que aparece na infância e freqüentemente acompanha o indivíduo por toda a sua vida. Ele se caracteriza por sintomas de desatenção, inquietude e impulsividade. Ele é chamado às vezes de DDA (Distúrbio do Déficit de Atenção). Em inglês, também é chamado de ADD, ADHD ou de AD/HD. Um transtorno listado pela Organização Mundial de Saúde como parte dos diagnósticos da Classificação Internacional das Doenças não só na sua última versão (CID-10) como nas anteriores (CID-8 e CID-9). Está lá no capítulo dos transtornos mentais – vide o site http://www.datasus.gov.br/cid10/v2008/cid10.htm




Quando partimos de uma definição fidedigna, e por há sérias razões de expor o TDAH, como de fato ele tem sua realidade comprovada cientificamente. Por motivos diversos há controvérsias sobre sua existência, e nota-se que, os que negam sua existência são pessoas leigas, que julgam fatos por desinformação, falta de competência e até por motivos escusos, sem fundamentos legais: ”desinformação, falta de raciocínio científico e ingenuidade, constituem uma mistura perigosa”, porque levam a conclusões errôneas.


Não é tão difícil assim, separar uma coisa da outra. Através de uma investigação, levantando a história de vida da pessoa, seja de uma criança (é nesta fase que os sintomas ficam bastante evidentes, principalmente para professores e cuidadores), através de entrevistas com os pais, informações de pessoas ligadas ás atividades de vida criança, a colocação de regras e limites e a importância da atenção, da concentração na aquisição de habilidades e competências,  por exclusão chega-se á necessidade ou não de aprofundar a investigação através  de  médicos especialistas nas áreas da psicologia e  psiquiatria…




O Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade pode ser diagnosticado por um médico porque pode ser comprovado por exames.






 O TDAH é um dos transtornos mais bem estudados da medicina e com mais evidências científicas que a maioria dos demais transtornos mentais, segundo Paulo Mattos – Presidente do Conselho Científico da ABDA– Psiquiatra – um dos cientistas pesquisadores mais competentes, no Brasil: Professor Adjunto do Instituto de Psiquiatria da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Mestre e Doutor em Psiquiatria. Pós-Doutor em Bioquímica. Membro da Associação Brasileira de Psiquiatria (Título de Especialista), American Psychiatric Association e Academia Brasileira de Neurologia. Membro do Comitê Editorial do Journal of Attention Disorders, do Jornal Brasileiro de Psiquiatria e da Revista de Psiquiatria Clínica. Coordenador do GEDA - Grupo de Estudos do Déficit de Atenção da UFRJ.
No Brasil ha vários pesquisadores na área da psiquiatria desenvovendo novos estudos sobre transtornos mentais, principalmente o TDHA, que  aqui serão citados com fonte segura na fundamentação  de tudo que até hoje foi comprovado sobre o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade, como  o Dr. Luiz Augusto Rohde – Vice-presidente do Conselho Científico da ABDA – Psiquiatra. Professor Adjunto da UFRS; Bolsista de Produtividade em Pesquisa 1B; Orientador de Doutorado; Doutorado em Medicina pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul; Editor da Revista Brasileira de Psiquiatria; Co-editor do European Child and Adolescent Psychiatry; Editor internacional do Journal AM. Acad. Child and Adolescent Psychiatry; membro do corpo editorial de várias outras revistas (como Neuropsychiatric Genetics e Journal of Attention Disorder); Secretário Geral da International Association of Child Adolescent Psychiatry Allied Psychiatry - Membro do grupo para Transtornos Disruptivos do Comportamento e TDAH do DSM-V e do grupo de coordenação de parceria científica global para CID-11.
Sintomas que caracterizam o TDAH




No processo de investigação, para se formar um quadro antes de encaminhar o indivíduo ao diagnóstico, é muito importante conhecer os sintomas e em  que condições eles se manifestam:




(1) Desatenção




(2) Hiperatividade-impulsividade

                                       








O TDAH na infância em geral se associa a dificuldades na escola e no relacionamento com demais crianças, pais e professores. As crianças são tidas como "avoadas", "vivendo no mundo da lua" e geralmente "estabanadas" e com "danadas" ou “desobedientes” (isto é, não param quietas por muito tempo). Os meninos tendem a ter mais sintomas de hiperatividade e impulsividade que as meninas, mas todos são desatentos. Crianças e adolescentes com TDAH podem apresentar mais problemas de comportamento, como por exemplo, dificuldades com regras e limites.
Em adultos, ocorrem problemas de desatenção para coisas do cotidiano e do trabalho, bem como com a memória (são muito esquecidos). São inquietos (parece que só relaxam dormindo), vivem mudando de uma coisa para outra e também são impulsivos ("colocam os carros na frente dos bois"). Eles têm dificuldade em avaliar seu próprio comportamento e quanto isto afeta os demais à sua volta. São freqüentemente considerados “egoístas”. Eles têm uma grande freqüência de outros problemas associados, tais como o uso de drogas e álcool, ansiedade e depressão.


CAUSAS


Estudos científicos mostram que portadores de TDAH têm alterações na região frontal e as suas conexões com o resto do cérebro. A região frontal orbital é uma das mais desenvolvidas no ser humano em comparação com outras espécies animais e é responsável pela inibição do comportamento (isto é, controlar ou inibir comportamentos inadequados), pela capacidade de prestar atenção, memória, autocontrole, organização e planejamento.


O que parece estar alterado nesta região cerebral é o funcionamento de um sistema de substâncias químicas, chamadas neurotransmissores (principalmente dopamina e noradrenalina), que passam informação entre as células nervosas (neurônios).


Existem causas que foram investigadas para estas alterações nos neurotransmissores da região frontal e seu córtex. (ABDA)




Observação:
Os termos aqui transcritos, na introdução deste estudo, de cunho puramente científicos, tem a finalidade de distanciar a questão do TDAH do banalismo que percebe-se  estar  se transformando, a cada dia. Quando a abordagem do tema alcançar a praticidade do  seu enfrentamento, no cotidiano da escola, usaremos uma linguagem mais coerente com a prática.






A) Hereditariedade:


Os genes parecem ser responsáveis não pelo transtorno em si, mas por uma predisposição ao TDAH. A participação de genes foi suspeitada, inicialmente, a partir de observações de que nas famílias de portadores de TDAH a presença de parentes também afetados com TDAH era mais freqüente do que nas famílias que não tinham crianças com TDAH. A prevalência da doença entre os parentes das crianças afetadas é cerca de 2 a 10 vezes mais do que na população em geral (isto é chamado de recorrência familial).
Porém, como em qualquer transtorno do comportamento, a maior ocorrência dentro da família pode ser devido a influências ambientais, como se a criança aprendesse a se comportar de um modo "desatento" ou "hiperativo" simplesmente por ver seus pais se comportando desta maneira, o que excluiria o papel de genes. Foi preciso, então, comprovar que a recorrência familial era de fato devida a uma predisposição genética, e não somente ao ambiente.




B) Substâncias ingeridas na gravidez:


Tem-se observado que a nicotina e o álcool quando ingeridos durante a gravidez podem causar alterações em algumas partes do cérebro do bebê, incluindo-se aí a região frontal orbital. Pesquisas indicam que mães alcoolistas têm mais chance de terem filhos com problemas de hiperatividade e desatenção. É importante lembrar que muitos destes estudos somente nos mostram uma associação entre estes fatores, mas não mostram uma relação de causa e efeito.


C) Sofrimento fetal:


Alguns estudos mostram que mulheres que tiveram problemas no parto que acabaram causando sofrimento fetal tinham mais chance de terem filhos com TDAH. A relação de causa não é clara. Talvez mães com TDAH sejam mais descuidadas e assim possam estar mais predispostas a problemas na gravidez e no parto. Ou seja, a carga genética que ela própria tem (e que passa ao filho) é que estaria influenciando a maior presença de problemas no parto.




D) Outras Causas  - citadas em outros estudos anteriores foram descartadas, sem comprovação científica.




O diagnóstico de um especialista é importante porque nem sempre aquela criança agitada é hiperativa
Em  seguida vamos abordar a questão das formas de tratamento.




Fonte de Pesquisa:


Associação Brasileira do Déficit de Atenção (recomendo visitar esse site, tem muito mais informações importantes)
http://www.tdah.org.br/br/a-abda/quem-somos.html
TDAH - Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade:
Informações e Orientações -  Simaia Sampaio

http://www.profala.com/arthiper2.htm

VEJA TAMBÉM:

Mentes Inquietas
http://impactodapedagogiamoderna.blogspot.com/2010/09/mentes-inquietas-de-ana-beatriz-barbosa.html


O Apoio Pedagógico conta histórias do seu cotidiano : Um caso de TDAH
http://impactodapedagogiamoderna.blogspot.com/2010/09/equipe-de-apoio-aprendizagem-conta_20.html

2 comentários:

  1. Bom dia!!

    Parabéns pelo site .Sou Psicopedagoga e estou pesquisando tudo sobre TDAH. Tenho um "cliente" que apresenta ser Hiperativo e em outros momentos tem comportamento de Autista?? Seria possível manter contato para troca de informações!?? AAT/Maria Inêz!!

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  2. Obrigada Maria Inez. Você pode entrar em contato, no blog, ou pelo meu email: moura.juliavirginia@gmail.com
    abraços
    Júlia

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