“Continuo buscando, re-procurando. Ensino porque busco, porque indaguei, porque indago e me indago. Pesquiso para conhecer o que ainda não conheço e comunicar e anunciar a novidade”.

Paulo Freire


quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Pedagogia e tecnologia preparam o aluno para o trabalho –e a exclusão digital ?

“Pedagogia e tecnologia (entendidas como processos sociais) sempre andaram de mãos dadas: o processo de socialização das novas gerações incluem necessária e logicamente a preparação dos jovens para o uso dos meios técnicos disponíveis na sociedade, seja o arado seja o computador.” Maria Luzia Belloni - Professora da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). E-mail: malu@intergate.com.br


Neste momento atual em que a era da comunicação digital é a grande revolução da tecnologia, as diferenças sociais no Brasil são alarmantes e quando assunto é acesso à internet, a realidade não poderia ser diferente quando as dicotomias sócio-econômicas são muito grandes, em determinadas regiões distanciadas dos grandes centros de desenvolvimento do país, impedindo que a pedagogia moderna seja para todos, pois ficam evidentes os abismos entre riqueza e pobreza que se chama exclusão digital. Muitos alunos não têm acesso ao mundo digital, pelas condições de vida, assim como muitos professores, por não haver no país, um piso salarial, que resgatasse o máximo na média e não no mínimo. O atual piso ajudou a reduzir as desigualdades salariais entre as regiões, mas pouco alterou os vencimentos médios dos professores.

Pesquisas realizadas pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) e pelo Comitê para Democratização da Informática (CDI), traçaram um mapa de “exclusão digital no país e seus resultados convergiram ao grande contraste econômico existente no país, onde as riquezas estão concentradas nos grandes centros urbanos”. Através da referida pesquisa foi possível verificar que do total de 170 milhões de brasileiros, apenas 26 milhões têm acesso ao computador, ocasionando uma média nacional de 8,2% de inclusão digital.
Esta é uma realidade, também, de outros países, que como o Brasil, está procurando desenvolver políticas de inclusão digital, a fim de inserir toda a sociedade ao acesso á tecnologia de informação e comunicação.

“A integração entre Pedagogia e Tecnologia Digital desde que vista como uma estratégia de grande valor, como ferramentas pedagógicas de grande valor deve ser vista como meios e não finalidades da educação, podendo ser um tema transversal de potencial aglutinador e mobilizador” (Belloni – Educação & Sociedade, Abril /2002)
No campo da educação não, porém, como negar os desafios tanto teóricos assim como os práticos, pois as novas gerações estão inseridos em novas formas de comunicação oral e escrita, a “autodidaxia”*, e a escola não pode ignorar tal fato.
Tratamos em postagens anteriores das atividades pedagógicas, chamadas significativas, em sala de aula, voltadas para um trabalho inserido nesta “autodidaxia”, lembrando que não é a realidade da grande maioria dos estudantes e professores no Brasil.
Cientes de que a escola prepara os jovens para a tecnologia que a sua realidade vai conduzi-lo, ainda que a inclusão digital não seja a sua realidade, o educador vai usar as ferramentas que neste momento tem significado para seu aluno, isso é que é importante.

Abre-se um leque de alternativas:

Filmes, TV (animações, novelas, seriados...) vídeos, músicas, tradições regionais (carnaval, festa junina), esportes (futebol a paixão nacional)...
São todas ferramentas valiosas e significativas para se trabalhar em sala de aula, desenvolvendo projetos (na escrita, leitura...) sempre como “meios de levar o educando ao seu processo bem sucedido de alfabetização e letramento”.

Sugestões:

Esporte
 



o Brasileirão (Campionato Nacional), o futebol local, Jogos Panamericano no México neste ano, as Olimpíadas e Paraolimpíadas em Londres/2012 , (o Brasil se preparando para sediar em 2016), o Brasil sediando a Copa do Mundo em 2014;
                                         




                    






Futebol

O esporte nacional é assunto do dia-a-dia entre os meninos, se as meninas não são grandes apreciadoras, mas pode-se criar grupos competitivos esportivos – usando pesquisas: descrição da modalidade de esporte, regras, e premiações – tudo permeado e recheado de textos, fotografias, murais, torcidas... Envolvendo toda a escola, trazendo nova realidade de comportamento social em sala de aula, valores, respeito ás limitações, ás diferenças...



  
                                                                                                                    







Música

O ritmo que toca em todas as rádios:axé,  o forró, sertanejo. Trabalhando as letras das músicas, com correção de ortografias... bastante criatividade no tema (prosa, poesia, rimas paródias, sinônimos,...), interdisciplinando com história, geografia, história da arte, (regionalismo) em todos os níveis (paródias, sinônimos, rimas...; formação de bandas, grupos folclóricos..., e tudo vai terminar em música, dança e canto (regras, limites, valores)... Percebe-se o prazer e a motivação que uma atividade significativa vai trazer aos alunos e a compensação do trabalho ao professor, com os resultados positivos.
Referências:

Química do Amor (Part. Ivete Sangalo)

Luan Santana

Queria ser um peixe e mergulhar no seu aquário
Queria ser a data pra marcar seu calendário
Eu e você espera para ver
Que tal a gente agora misturar a nossa cor
Pra ver a combustão, a quimíca do nosso amor
Eu e você, quer pagar pra ver?
Me diga, que você vai entrar na minha vida
Que eu sou a sua musa preferida
Diga que eu sou seu bem me quer
Seu anjo, sua fada, o que você quiser
Fala no meu ouvido bem baixinho que me ama
E me leva de uma vez pra sua cama
Me dá uma noite de prazer
Eu topo tudo com você
Vambora, não demora
Eu quero ser o seu amor, ôô, ôô
Tô louco pra me entregar, aa, aa
E aí paixão o meu coração,
Tá xonado de tanto desejo
Eu quero ser o seu amor, ôô, ôô
Tô louca pra me entregar, aa, aa
Tudo o que eu quero agora é tá contigo e te amar
Me diga, que você vai entrar na minha vida
Que eu sou a sua musa preferida
Diga que eu sou seu bem me quer
Seu anjo, sua fada, o que você quiser
Fala no meu ouvido bem baixinho que me ama
E me leva de uma vez pra sua cama
Me dá uma noite de prazer
Eu topo tudo com você

( o seu aluno gosta desta música, sucesso do carnaval da Bahia? Você pode não gostar, mas ele precisa gostar... qual música ele gosta?  Use também o vídeo...)

*autodidaxia

-Capacidade suportada por alguém capaz de aprender sozinho sem qualquer apoio humano.

Maria Luzia Belloni  Educação & Sociedade, Abril /2002
-Concepções de Estudantes Universitários acerca das Tecnologias da Informação e Comunicação.
-Estéfano Vizconde Veraszto (Universidade Estadual de Campinas – Unicamp) e
Universidad Complutense de Madrid

- estefanovv@gmail.com
(nas próximas postagens vamos sondando novas possibilidades de atividades significativas)

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