“Continuo buscando, re-procurando. Ensino porque busco, porque indaguei, porque indago e me indago. Pesquiso para conhecer o que ainda não conheço e comunicar e anunciar a novidade”.

Paulo Freire


quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

A Equipe de Apoio Pedagógico conta histórias do seu cotidiano– Sucesso, atividades “significativas" na escrita, leitura e interpretação.


Antes de deixar sugestões de atividades “significativas” para sala de aula, com vivências atuais dos alunos, a Equipe de Apoio á Aprendizagem relata duas experiências,  em momentos de avaliação pedagógica:  aluno ANAEE ( com necessidades educacionais especiais) e uma aluna do ensino regular,Ensino Fundamental, 4ª série/5º ano.

O significado das coisas não está nas coisas em si, mas sim em nossa atitude com relação a elas. (Antoine de Saint-Exupéry)


Reavaliação de um aluno ANAEE com fins de adequação ao mercado de trabalho.

       O Centro de Ensino Especial de Planaltina – DF,  nos seus atendimentos aos alunos especiais, viabiliza um projeto destinado aos alunos maiores de 18 anos em preparação para a inclusão ao mercado de trabalho.
         Assim que as empresas da comunidade solicitam, enviando o números de vagas, os alunos do PROESP passam por uma reavaliação de capacitação dentro de suas limitações. Esta avaliação engloba as habilidades e competências, e uma série de critérios necessários,  relativos ao desempenho das funções oferecidas … tais como:
-nível de desenvolvimento do raciocínio lógico-matématico – noções básicas de adição e subtração,    resolução de situações problemas…
-linguagem oral, interpretação e escrita;
-sistema monetário e as operações simples de adição e subtração;
-comportamento e interação social ;
- independência nas AVD  (Atividades da Vida Diária) e locomoção de um local a outro, entre outros.
        Todas as formas de avaliação são significativas baseadas nas atividades sociais do dia-a-dia, principalmente as atividades que o aluno deve desenvolver no trabalho.
                                             (os nomes são fictícios)
     “Leandro, 19 anos,  chegou á Equipe de Apoio á Aprendizagem, bastante apreensivo. Tinha conhecimento de que surgia  um momento novo na sua vida, e que passaria por uma avaliação.
      Nos relatórios anteriores constava que era um aluno bastante sociável, interagia bem com todos na escola, alegre, brincalhão com seus pares…
Passou pelo acolhimento muito calado, demonstrando medo de não ser bem sucedido. Poucas palavras. Muito resistente.


       Ficou decidido que para avaliar Leandro, ele passaria a estar na sala de Apoio á Aprendizagem por alguns momentos diários, para quebrar o gelo, e á título de ajudar na organização da sala, guardando jogos, papéis… em conversas informais, criando situações problemas, havia muito á avaliar.
      Para a avaliação da linguagem escrita e interpretação, usamos a técnica “escolher a gravura que mais gosto”, foi o nome dado a esta técnica que sempre dava resultados muitas vezes surpreendentes.
      A técnica consiste em , “casualmente”(neste caso, de um DI), recolhendo várias gravuras coladas em cartolinas com representações diversas, como : natureza, cenas da vida diária, personalidades conhecidas(cantores, apresentadores de TV, jogadores de futebol, políticos, atores, atrizes..), pessoas comuns,pessoas praticando esportes, animais … entre um  comentário e outro, eram feitas provocações para que Leandro selecionasse as que mais gostava.









        Finalmente, sentindo-se em casa, sentado diante a mesa, com mais ou menos 12 gravuras… quais você escolhe?



(no caso do "Leandro", que não era nosso aluno, e portador de necessidades especiais, apresentamos uma diversidade de gravuras. Mas quando o professor já conhece o seu aluno no dia-a-dia, suas preferências, sua situação sócio-económica e cultural , as alternativas já são mais específicas.)

                                            Mais 6 gravuras … e assim por diante; 







                                  separadas,as escolhidas, no final ele fez a seleção de uma,

Atores representando uma família, a família dos cantores José de Camargo e Luciano, no cinebiografia "Os Três Filhos de Francisco"
                                                       


 por que essa teria todo o significado possível pra que ele pudesse se expressar, na escrita e na interpretação. Ele escolheu uma gravura onde um grupos de atores representavam  uma família numerosa, muito simples e pobre do interior, do filme “Os dois filhos de Francisco”, história de vida dos cantores sertanejos José de Camargo e Luciano.
        Assim que Leandro chegou na “gravura que ele mais gostou”, conversamos muito, tudo sobre aquela gravura; ele falou bastante, e aí “Leandro porque você não escreve ( papel e lápis diante dele) o que você está falando? você está falando tantas coisas importantes…







E aí o texto fluiu espontaneamente. Lembrando que era um texto de um aluno com necessidades educacionais especiais:
       Um texto pequeno. Com uma estrutura falha, frases simples,  vocabulário pobre e  alguns erros ortográficos.
       Agora “leia o que você escreveu”. E ele leu.
      Foi uma surpresa: nos relatórios anteriores constava que Leandro só escrevia o pré-nome, não tinha compreensão do processo de codificação e decodificação da linguagem escrita e oral .Não interpretava e nem abstraia.
        Tudo que foi preciso foi motivá-lo a escrever, o que, pra ele, tinha significação.


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