“Continuo buscando, re-procurando. Ensino porque busco, porque indaguei, porque indago e me indago. Pesquiso para conhecer o que ainda não conheço e comunicar e anunciar a novidade”.

Paulo Freire


quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Atividades Significativas–Sucesso nas Avaliações Pedagógicas


"Escrever não é fácil. Para que o aluno fique estimulado com a proposta, é preciso que veja sentido nisso."Fernanda Liberial, da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo.revistaescola.abril.com.br/.../escrever-verdade-427139.shtml


Avaliação Pedagógica - Usando atividades Significativas

“Amanda,(nome  fictício) tem 10 anos, cursa a 4ª série/5º ano , foi encaminhada em 2009, ao COMPP (O COMPP é o Centro de Orientação Médico-Psicopedagógico do DF que atende crianças e adolescentes com distúrbios emocionais e comportamentais.), por não haver uma Equipe de Apoio Pedagógico na Escola, para Avaliação Psicopedagógica, cuja psicóloga  solicitou á escola uma avaliação pedagógica, para complementação do atendimento”

Motivo do Encaminhamento
– Relatório da Professora -
“A aluna não apresenta indisciplina, boa interação social e afetiva, mas evidencia  dificuldades de aprendizagem, de atenção e  concentração; é lenta para realizar atividades, na sala de aula,que ás vezes não conclui; dificuldades na leitura e na escrita; está com defasagem de conteúdos; suspeita de aluna com necessidades educacionais especiais.”
Equipe de Apoio á Aprendizagem
      A mãe da aluna, apresentou a solicitação de avaliação pedagógica da aluna que seria encaminhada ao COMPP. Nesta oportunidade realizamos uma entrevista com a mãe, investigando a história de vida da aluna.
      A mãe relatou que “Amanda” é a filha mais nova entre três irmãos com a diferença de idade de 10 anos ( filha “temporã”). Foi um bebê saudável, sem nenhum tipo de complicação de gestação ou parto. Bem acolhida na família,  mimada pelo pai, os  irmãos e a própria mãe. Pré-adolescente, embora não tivesse grandes problemas de comportamento, ninguém lhe orientava com regras e limites. Gosta muito de ver TV e passa todo o tempo que não está na escola, assistindo TV. Dorme tarde e levanta tarde, por isso não faz deveres de casa. a mãe trabalha fora o dia todo e os irmãos cuidam de “Amanda”.


      Perguntamos a mãe se ela notava algum indício em “Amanda” que denotasse algum tipo de deficiência, de atraso no desenvolvimento em relação aos irmãos, e ela respondeu que não, só preocupava muito com a masturbação  excessiva e na presença da família. A mãe e ninguém da família dava orientações sobre a sexualidade á “Amanda”.

                                                          Avaliação Pedagógica
      "Amanda”, durante o acolhimento, demonstrou tranquilidade e curiosidade diante de novas  situações.
     Nos vários momentos de avalições, num ambiente sem muitos estímulos visuais e trânsito de pessoas, a aluna, num ritmo um pouco lento, realizou atividades de matemática ( conteúdos que estavam sendo trabalhado na sala de aula), atividades de geografia, sem necessitar de intervenção.
        Para a Avaliação da escrita, leitura e interpretação, usamos a mesma técnica da escolha da “gravura que mais gostei”.Uusamos esta técnica nas avaliações pedagógicas, e não outras, também significativas, pelo fato de não termos acesso ás preferências do aluno no seu dia-a-dia.
     Não foi preciso usar uma grande variedade de gravuras pois rapidamente “Amanda” escolheu  e decidiu que essa era a que mais apreciava: uma atriz  de telenovelas da TV (Juliana Paes), caracterizada pelo seu personagem Maya, na novela que passava naquele ano “Caminho das Índias”.



A atriz  Juliana Paes na novela Caminho das Índias - no  papel da protagonista Maya

     “Amanda” estava gostando muito da novela, e falou sobre o enredo, e toda a trama que estava se desenvolvendo naquele momento, e sua preferência pela protagonista, e sua personagem, a Maya. Foi um momento de interpretação da gravura, cheio de detalhes em que “Amanda” exprimiu seus sentimentos  de forma espontânea e emotiva.


Cleo Pires representando Surya - personagem citado por "Amanda"
  Pedimos então que “Amanda” escrevesse tudo que ela estava falando, e desse um título á sua história.


       A aluna produziu um texto pequeno, vocabulário usual, com  uma estrutura padrão : título, começo, meio e fim (houve intervenção para que produzisse um fim, uma vez que o tema  da dissertação foi  sobre uma telenovela em curso, pedimos que ela imaginasse como terminaria o episódio que relatou). Fez uso de parágrafos, usou letras maiúsculas no início de frases e em nomes próprios, usou a pontuação e concordâncias de forma correta; letra legível,  com apenas alguns erros ortográficos em nomes dos personagens citados, por se tratar de nomes de uma língua desconhecida, que foram escritos como se fala.
     Em seguida pedimos que ela lesse o que escreveu.
     “Amanda”, no seu próprio ritmo, interpretou, escreveu e leu. Concluir nesta ordem, interpretou, escreveu e leu, alterou o resultado, por uma razão: primeiro  usou a linguagem oral  para sua auto-motivação, e o resto foi consequência.

                                                     Conclusão da Avaliação

        “Amanda” demonstrou  interesse, afetividade;  muita  tranquila diante de situações novas ,  interagindo bem nos vários momentos de avaliação.
       A aluna não apresentou dificuldades nas atividades pedagógicas propostas que indicassem deficiência intelectual. O ambiente sem estímulos contribuiu para a sua atenção e concentração se mostrassem nos parâmetros da normalidade, embora dentro de um ritmo mais lento, iniciou e conclui todas as atividades.
       Vem de séries anteriores com defasagem de conteúdos, não tem hábito de estudo por falta de orientação da família.
       Necessita de regras e limites nas atividades da vida diária, orientação quanto ao desenvolvimento da sexualidade  e recuperação paralela dos conteúdos defasados.


“ É necessário fazer relações entre os elementos que compõem o universo do aluno, desde sua família ás suas preferências e aversões, seu sentir e seu agir… tudo se encontra interligado e faz fluir de dentro, o querer aprender.” EW

   
Para refletir
Fica uma questão: se se fosse apresentado primeiro um  texto ( sobre o mesmo tema), sem ter falado sobre ele, somente para avaliar a leitura e depois solicitado uma interpretação e em seguida uma reprodução do texto, para verificar a escrita, teríamos obtido o resultado real de conhecimento da aluna ? 
     E dentro de uma situação de aprendizagem em sala de aula, sem que o aluno esteja  auto-motivado ( por provocação do professor) usando a ordem convencional de: leitura, interpretação e reprodução de texto, através uma atividade não- significativa pra ele,   os resultad0s serão excelentes?

     



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