“Continuo buscando, re-procurando. Ensino porque busco, porque indaguei, porque indago e me indago. Pesquiso para conhecer o que ainda não conheço e comunicar e anunciar a novidade”.

Paulo Freire


segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

POLITICAS PARA EDUCAÇÃO INCLUSIVA - BRASIL- REINO UNIDO - PROFª ADRIANA LAPLANE


UMA ANÁLISE DAS CONDIÇÕES PARA A
IMPLEMENTAÇÃO DE POLÍTICAS DE EDUCAÇÃO
INCLUSIVA NO BRASIL E NA INGLATERRA

                                 - TRAÇANDO PARALELOS_

www.scielo.br/pdf/es/v27n96/a04v2796.pdf

Fragmentos da Pesquisa da Professora:
 

ADRIANA LAPLANE. Professora da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Estadual de Campinas
(UNICAMP). E-mail: adrifri@fcm.unicamp.br
 
        O artigo analisa as condições de implementação de políticas
de educação inclusiva no Brasil e no Reino Unido. Essas políticas inserem-se em um movimento de características excludentes que tem afetado a sociedade ocidental desde o período posterior à Segunda Guerra Mundial.
No sentido oposto ao desse movimento excludente, as políticas inclusivas afirmam a necessidade de garantir educação a todos os indivíduos de uma sociedade. A implementação dessas políticas, nos dois países considerados, é pontuada por um conjunto de leis e documentos oficiais que visa a especificar as ações inclusivas. As práticas, entretanto, esbarram tanto nos conflitos e tensões gerados pelas condições sociais gerais, como nas propriedades dos sistemas educacionais.
O artigo argumenta em favor de uma melhor compreensão das condições de implementação das políticas inclusivas, de modo que o educador possa estabelecer, assim, as prioridades no seu contexto de atuação.
Para finalizar, gostaria de registrar a minha concordância com as
palavras de Corbett (2001), quando afirma que: "(...) a educação inclusiva diz respeito à qualidade da educação comum e não à educação especial".
De alguma forma, as perguntas que percorrem este estudo – resultado de leituras, conversas, observações e reflexões sobre o papel da educação nas sociedades contemporâneas – dizem respeito às relações entre a educação e a sociedade e aos modos de funcionamento dos sistemas educativos, às suas funções, problemas e possibilidades de contribuir para uma sociedade mais justa.
 





Referências bibliográficas
BEVERIDGE, S. Special educational needs in schools. London: Routledge,




1999.
BRASIL. Constituição (1988). Constituição da Republica Federativa do. Brasília, DF: Senado, 1998.
Brasil
BRASIL. Coordenadoria Nacional para Integração da Pessoa Portadora
de Deficiência. Declaração de Salamanca e linha de ação sobre necessidadesBrasília, DF: CORDE, 1994.
educativas especiais.

 
Considerações finais
No Reino Unido, ao tomar contato com o debate educacional (sempre em pauta, seja na mídia, no ambiente político ou acadêmico), foi a de que os problemas da educação, apesar das imensas diferenças históricas, sociais, econômicas e culturais que separam os dois países, eram muito parecidos aos do Brasil
A heterogeneidade assume formas diferentes nos dois países. O componente multicultural, forte em ambos, configura-se de maneiras muito diferentes.
A influência dos fatores socioeconômicos é grande e afeta a capacidade dos sistemas educativos de prover educação
para todos.
As políticas inclusivas estão baseadas em princípios morais e políticos estabelecidos nos documentos nacionais e internacionais e na legislação, tanto nos países desenvolvidos como nos países em desenvolvimento: a educação de qualidade tem se tornado um direito humano inquestionável e os países têm formulado políticas e leis que, aparentemente, visam a garanti-la.
Entretanto, algumas questões permanecem: Por que é tão difícil implementar políticas de educação inclusiva?
Por que é tão larga a brecha entre as políticas e as práticas?
O objetivo de tornar a educação acessível a todos os membros de
uma comunidade (como explicitado na maioria dos documentos oficiais) colide com a rigidez dos tempos, a tendência à homogeneização e a necessidade de obter um alto desempenho (medidas da qualidade).
As propostas centradas nos aspectos práticos da inclusão (a formação, o repertório de ensino, os sentimentos dos professores em relação aos alunos com necessidades especiais) apenas terão chances de sucesso se inseridas numa análise ampla da escola como instituição atravessada por conflitos e demandas contraditórios entre si.
A Escola deve organizar-se para favorecer a aprendizagem de cada aluno, mas dentro de parâmetros e limites bastante rígidos, que tornam a tarefa difícil e complexa.
Entendo que enfocar a magnitude dessa tarefa, a sua complexidade
e os seus limites e possibilidades é mais produtivo no terreno das
práticas educativas do que difundir um discurso ingenuamente otimista,que proclama a celebração da diversidade sem oferecer ao educador os elementos necessários para situar-se na realidade que irá enfrentar.
Políticas e práticas estão imersas num contexto que, a cada momento,redefine as relações entre elas. Do ponto de vista de quem está situado no lugar da prática, essas relações não são muito claras e há uma tendência a conceber de forma separada a dimensão política e a da prática. Quando os profissionais se
voltam unicamente para os aspectos práticos, perdem de vista o quadro.
A visão estreita de educação como ensino-aprendizagem tem seu preço: impede que sucessos e fracassos sejam analisados no quadro das possibilidades criadas pelas condições em que essas práticas ocorrem.
Para finalizar, gostaria de registrar a minha concordância com as
palavras de Corbett (2001), quando afirma que: "(...) a educação inclusiva
diz respeito à qualidade da educação comum e não à educação especial".
De alguma forma, as perguntas que percorrem este estudo – resultado
de leituras, conversas, observações e reflexões sobre o papel da
educação nas sociedades contemporâneas – dizem respeito às relações entre a educação e a sociedade e aos modos de funcionamento dos sistemas educativos, às suas funções, problemas e possibilidades de contribuir para uma sociedade mais justa.
Nota
1. A formulação da Lei com relação ao trabalho é digna de comentário: "IV – educação especial para o trabalho, visando a sua efetiva integração na vida em sociedade, inclusive condições
adequadas para os que não revelarem capacidade de inserção no trabalho competitivo, mediante articulação com os órgãos oficiais afins, bem como para aqueles que apresentam uma habilidade superior nas áreas artística, intelectual ou psicomotora". A menção aotrabalho competitivo, por oposição a um tipo de trabalho que não é competitivo, sugere a
necessidade de uma reflexão mais profunda sobre o estatuto do trabalho na sociedade e as formas de participação de diferentes grupos sociais. Foge aos objetivos desse texto avançar nessa direção, mas cabe aqui abrir a questão e dar crédito à professora Gilberta Jannuzzi pela sua insistência em incentivar a importância de abordar esta questão.
 

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