“Continuo buscando, re-procurando. Ensino porque busco, porque indaguei, porque indago e me indago. Pesquiso para conhecer o que ainda não conheço e comunicar e anunciar a novidade”.

Paulo Freire


sábado, 23 de abril de 2011

A DEFASAGEM IDADE/SÉRIE E OS MÉTODOS DE ALFABETIZAÇÃO

A DEFASAGEM IDADE/SÉRIE E OS MÉTODOS DE ALFABETIZAÇÃO
leitura A defasagem idade/série


        Há alunos que chegam na 5ª série/6º ano e alguns até a 8 série/9º ano com grande defasagem e dificuldades de aprendizagem. Os professores não vão voltar aos conteúdos e metodologias das séries iniciais para ajudar esses alunos e evitar a evasão e o término da vida acadêmica antes que cheguem as Universidades. De acordos com a nova conceitualização de analfabetismo, estes alunos serão os analfabetos funcionais que compõem o quantitativo de analfabetismo no     
Brasil, que vem descrescendo, mas que continua muito grande.
As estatísticas referentes aos índices de alfabetismo no Brasil revelam um dos mais graves problemas sociais no país, não obstante esforços empreendidos pelo governo ou pela sociedade, principalmente a partir do século XX, com o crescimento da população residente em áreas urbanas.
As causas não estão somente no Ensino Fundamental, são a soma de uma série de fatores que geram a evasão e o alfabetismo funcional.
A professora da Universidade de Brasília Stella Bortoni, escreveu um artigo , publicado na revista SCRIPTA da PUC/MG,(Setembro de 2010) em que analisa estas questões.
Transcrevemos um fragmento desse artigo que mostra a questão da alfabetização e de metodologias, que são fatores importantíssimos, que dizem respeito á pedagogia.
A professora Stella Maris Bortoni-Ricardo (UnB), Métodos de Alfabetização e Consciência Fonológica: o tratamento de regras de variação e mudança”, assinala que o analfabeto, “em 1958 a UNESCO definia como um indivíduo que não consegue ler ou escrever algo simples. Duas décadas depois substituiu esse conceito pelo de analfabeto funcional, que é um individuo que, mesmo sabendo ler e escrever frases simples, não possui as habilidades necessárias para satisfazer as demandas do seu dia-a-dia e se desenvolver pessoal e profissionalmente. Pesquisas recentes conduzidas pelo Instituto Paulo Montenegro trabalham com esse conceito (ver www.ipm.org.br e Ribeiro, 2004).
Analfabetismo Funcional
analfabetismo(imagem)
O Quinto Indicador Nacional de Alfabetismo Funcional, divulgado em setembro de 2005, por esse instituto, mostrou que só 26% dos brasileiros na faixa de 15 a 64 anos de idade são plenamente alfabetizados. Desses, 53% são mulheres, 47% são homens e 70% , jovens de até 34 anos.
Analfabetismo no Brasil

                                                   (imagem)
Era de se esperar que, em poucos anos, o percentual de brasileiros plenamente alfabetizados chegaria aos níveis do que se verifica em países industrializados. Mas isso não vem ocorrendo porque a escola brasileira não tem propiciado a um grande contingente de seus alunos efetivo acesso à cultura letrada.
       Desde 1990 o Ministério da Educação vem conduzindo testes nacionais de compreensão de leitura e habilidades matemáticas com alunos na 4ª e na 8ª séries do ensino fundamental e na 3ª série do ensino médio, identificados pela sigla SAEB: Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica.nordeste

As deficiências no sistema escolar, que provocam repetências e evasões, são diretamente proporcionais ao índice de desenvolvimento humano das regiões. Nas regiões brasileiras onde esse índice é mais baixo, como as regiões
norte
       Nordeste e Norte, são igualmente mais baixos os resultados do SAEB, tanto em Língua Portuguesa quanto em Matemática. Já sabemos também que dois grupos de alunos no ensino fundamental obtêm os piores resultados no teste: alunos cujos pais não são alfabetizados e alunos com defasagem idade/série.
        Pesquisadores de diversas disciplinas na área de ciências humanas têm conduzido pesquisas aplicadas que possam contribuir na solução do grave problema do analfabetismo no Brasil. Entre elas a Lingüística tem trazido uma significativa contribuição para o tratamento da leitura e da escrita no início da escolarização, mais propriamente do processo de alfabetização
       Os percentuais de alunos de 4ª e 8ª séries do ensino fundamental cujo desempenho para Língua Portuguesa e Matemática nos testes do SAEB foi considerado adequado é muito pequeno. Esses são os que certamente vão prosseguir os estudos até a universidade. Os demais vão acumular deficiências no trato com a leitura, a escrita e o cálculo, que os impedirão de ir muito longe na sua formação escolar. Eventualmente abandonam a escola, passando a avolumar as estatísticas dos brasileiros que são analfabetos funcionais.
        Pesquisadores da área de alfabetização, em muitos países de escrita alfabética, argumentam enfaticamente que o reconhecimento das palavras desempenha um papel central no desenvolvimento da habilidade de leitura.

Aprender a reconhecer palavras é a principal tarefa do leitor principiante e esse reconhecimento é mediado pela fonologia. Por meio da decodificação fonológica, o aprendiz traduz sons em letras, quando lê, e faz o inverso quando escreve. Reconhecem esses pesquisadores, entretanto, que tanto o processo da leitura quanto o da escrita envolvem muito mais que a compreensão do principio alfabético, que estabelece a correspondência entre grafemas e fonemas. Ler e escrever são processos complexos _ o segundo ainda mais complexo que o primeiro _ que exigem conhecimentos de natureza sintática, semântica e pragmático-cultural, que o leitor vai adquirindo à medida que amplia o seu léxico ortográfico, nos estágios subseqüentes à fase de alfabetização. Mas ressalvam que, na fase inicial da aprendizagem da leitura, a competência essencial a ser desenvolvida é a decodificação de palavras, o que por sua vez implica um processamento fonológico



cons
        A consciência fonológica e o princípio alfabético, a primeira como o entendimento de que cada palavra _ou partes da palavra_ é constituída de um ou mais fonemas. Para a fonoaudióloga Lílian Nascimento, rimas, aliterações, consciência sintática, silábica e fonêmica são habilidades relacionadas à consciência fonológica.. Na mesma linha de pensamento Alliende e Condemarín (1987 p. 46) denominam consciência lingüística “o conhecimento consciente do indivíduo dos tipos e níveis dos processos lingüísticos que caracterizam as expressões faladas”, entre os quais o de codificar foneticamente a informação lingüística. Discutindo o papel da consciência fonológica na alfabetização, Carvalho (2005) alerta para a necessidade de que os alfabetizandos percebam a dimensão sonora das palavras, que são formadas por sílabas e fonemas
cruzadinha

       Argumenta-se na literatura especializada, no Brasil e no exterior, que a ênfase no desenvolvimento da consciência fonológica dos alfabetizandos vai-lhes permitir compreender o princípio alfabético e segmentar seqüências fonológicas e ortográficas, levando-os à identificação das palavras e, em conseqüência, à compreensão do sentido do enunciado escrito (cf. Brasil. Câmara dos Deputados, 2003) [1][3]. Essas premissas estão na base de métodos de alfabetização denominadas “phonics” em inglês ou “fônica” ou modelos fônicos em português, que não devem, segundo seus defensores, ser confundidos com os antigos modelos de natureza comportamentalista, cuja prática pedagógica, essencialmente associacionista, consistia em estímulos e respostas. Tampouco ser identificados com a antiga calistênica fonológica, em que as palavras eram quebradas em sílabas e os alfabetizandos levados a recitar as sílabas numa seqüência em que o núcleo silábico ia-se alterando .(...)



Referências
ABAURRE-GNERRE, Maria Bernadette. Regionalismo lingüístico e a contradição no intervalo. In: SEMINÁRIO MULTIDISCIPLINAR DE ALFABETIZAÇÃO. Anais... Brasília: MEC-Inep, 1984, p.13-8.
ABAURRE-GNERRE, Maria Bernadette. Processos fonológicos segmentais como índices de padrões prosódicos diversos nos estilos formal e casual do português do Brasil. Cadernos de estudos lingüísticos, Campinas.v. 2, p. 23-43, 1981.
ALLIENDE, Felipe e CONDERMARIN, Mabel. Leitura teoria, avaliação e desenvolvimento. Porto Alegre: Artes Médicas, 1987.
BARBOSA DA SILVA, Mírian. Leitura, ortografia e fonologia. São Paulo: Ática, 1981.

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