“Continuo buscando, re-procurando. Ensino porque busco, porque indaguei, porque indago e me indago. Pesquiso para conhecer o que ainda não conheço e comunicar e anunciar a novidade”.

Paulo Freire


domingo, 23 de janeiro de 2011

Para ler e escrever, é preciso querer. Leitura e Escrita Significativas

A professora de Língua Portuguesa Paula comemora a evolução de um aluno da sexta série do ensino fundamental. "Ele escreveu o nome na capa do trabalho", a três colegas e à reportagem da Rede Brasil Atual. Ele começou a ler e escrever apenas neste ano. Até o início de 2010, o garoto de 12 anos sequer abria o caderno, afirma Cristina, responsável pela disciplina de Biologia. A professora conta que não é difícil detectar os alunos considerados "analfabetos funcionais; é comum 30% dos alunos da sexta série não saberem ler e escrever. São os mais indisciplinados. Por não saberem nem ler, nem escrever eles não entendem nada, não participam da aula; o que resta é ficar bagunçando", detecta Paula;".
Eduardo, professor universitário, mestrando e pesquisador, analisa que a dificuldade inicial em ler e escrever, transforma-se em dificuldade de compreensão, de reunir informações e de se expressar diante do mundo, conceitua.
"Se o aluno não compreende frases inteiras, como ele vai resolver questões de matemática?" questiona. "Eles até sabem que 3 x 5 é 15, mas se você colocar na prova quanto é o triplo de 5 mais o dobro de 20, ele não vai saber", exemplifica. "Se questões básicas não estão resolvidas, a estrutura fica afetada e o conhecimento que vem depois não se concretiza".( Suzana Vier/Rede Brasil Atual)

Estes depoimentos de professores da rede pública de São Paulo, assustados com alunos que chegam a 6ª série sem saber ler, escrever e interpretar, sabem também , que as causas são diversas, e apontam algumas. Descartados os problemas de aprendizagem por deficiência intelectual ou por transtornos emocionais de origem sócio-afetivo-culturais, pode-se analisar um outro fator determinante destes resultados: total desinteresse  e  resistência  do aluno á pratica da leitura e escrita.


Este problema, segundo as pesquisas, estão não rede pública de ensino como na rede particular. Por que razão eles resistem em aprender? O que falta par a Escola reverter esta situação? Se a Escola desde as séries iniciais não tem uma Proposta Pedagógica voltada para a leitura, e se os conteúdos não tem significados reais para aqueles alunos, o fracasso vai surgir em algum momento de sua vida acadêmica.
Em uma sociedade constituída em grande parte por analfabetos e marcada por reduzidas práticas de leitura e escrita, somente a consciência fonológica que permite associações de sons e letras, na escrita e na interpretação de palavras, frases ou textos, não é suficiente .

“…surgem na sociedade atual a exigência da língua escrita como condição de sobrevivência e conquista da cidadania, em que  aprender a ler e escrever implica não apenas no conhecimento das letras  e do modo de codificação e decodificação, mas  a possibilidade de usar esse conhecimento em beneficio de formas de expressão e comunicação, e possíveis reconhecimentos em um determinado contexto cultural”(Silvia Collelo)



Considerando, principalmente, a falta de significados nos textos, em sala de aula, nas leituras e reproduções de textos, o que motiva a oralidade e a escrita em crianças e adolescentes? Onde estão seus interesses  e preferencias que vão exigir deles ler, escrever e compreender?



Para cada contexto  social, uma motivação. Se os alunos dá sua escola estão voltados para os games, Orkut, msn,blogs,torpedos(sns), desenhos animados, novelas, seriados de tv, bandas de música, futebol… primeiro é preciso saber o que os motivam a escrita e a leitura, mesmo sem o conhecimento da  língua convencional; e a partir daí, trazer pr
sala de aula, esses modelos, trabalhar com os alunos do jeito que eles fazem , como na linguagem dos internautas, e trabalhar a maneira correta.




 Essas são intervenções significativas, criativas, em que o professor faz a provocação e os alunos direcionam as ferramenta.
Nas próximas blogagens as sugestões de alguns trabalhos e projetos serão mostrados no passo-a-passo.




Leia Mais

Suzana Vier/Rede Brasil Atual
www.redebrasilatual.com.br/

Sialvia Colello  - alfabetização e Letramento - Repensando o Ensino da Lingua scrita
mais.uol.com.br/.../educadora-silvia-colello-d-dicas-sobre-a-volta-s-aulas

Escrita e Perodução Textual em Ambientes Virtuais - Fátima Bezerra
www.educacaoetecnologia.org.br/?cat=4&paged=2

sábado, 22 de janeiro de 2011

Inicio do Ano Letivo - Novas Intervenções Pedagógicas para Velhos Problemas de Aprendizagem?





         Uma breve revisão teórica sobre a alfabetização, dificuldades de aprendizagem, caminhos percorridos, erros e acertos e uma realidade com velhos problemas acrescidos de mudanças de ordens diversas, é importante como ponto de partida para novas intervenções, com  ações pedagógicas que surgem da criatividade do educador, que tem por meta o sucesso do seu trabalho.
         Já algum tempo, a Escola tem se deparado com uma complexidade de fatores que surgem de situações conflituosas, próprias de uma modernidade que avança de forma acelerada, mudando comportamentos, estrutura sócio-afetivo-culturais dos educandos, para cujo enfrentamento se encontra despreparada.
       Desde os primeiros tempos que o grande problema da escola consiste no fracasso escolar, na alfabetização e na busca de novas metodologias, que foram se renovando e se adequando, não só no Brasil, mas em todo os países do mundo. E nunca um método de alfabetização foi totalmente perfeito e nunca será, pois trata-se de alfabetizar seres humanos em suas diversidades. Criticar o Sistema é necessário, no sentido de encontrar soluções que apresentem melhores resultados.
       A Psicologia de mãos dadas com a Pedagogia trouxe sua contribuição necessária e importantíssima quando se trata do conhecimento do desenvolvimento cognitivo, com seus fatores internos e externos determinantes do sucesso ou não do aluno,a importancia dos vículos afetivos, e da comprensão que os transtornos emocionais afetam a aprendizagem . A psicologia educacional,  presente nas escolas , quando vai  diagnosticar se orientar , é  um norte, em dúvida nenhuma, para todo educador.
       Rever as questões do fracasso escolar, em que alunos defasados, desinteressados, indisciplinados, com ou sem conflitos emocionais, resultando em  dificuldades de aprendizagem, evasões e o analfabetismo funcional assustadoramente crescente no Brasil, é o fundamento para novas intervenções. Tudo isso é problema do Sistema ? Pode ser, mas é problema também  da pedagogia, do educador, e mudanças só surgem quando o potencial intelectual de cada um dos  envolvidos no processo é colocado em ação.
        Através de bases teóricas coerentes o Impacto da Pedagogia Moderna se propõe a abrir   alternativas preventivas e  interventivas, em sala de aula, no enfrentamento dos velhos problemas com roupagens novas, como já foi feito  em outras postagens posteriores, mostrando  práticas bem sucedidas:  quanto á violência (bullying), sexualidade precoce, dificuldades de aprendizagem, desenvolvimento da psicomotricidade , o Programa de Educação Precoce de caráter preventivo, dentre outras, ilustradas por experiências vivenciadas.

       

As Atividades Presenciais e Virtuais- Impactam Profundamente a Aprendizagem Escolar – Moran



        Dentre as várias pesquisas sobre Aprendizagem, uma entrevista com o Professor JOSÉ MANUEL MORAN, que foi professor de Comunicação da Universidade de São Paulo (USP), concedida ao Portal Escola Conectada da Fundação Ayrton Sena, colhemos fragmentos, que vão de encontro a este momento em que estamos iniciando o ano letivo, e  que , pela coerência e  objetividade de forma simples e direta,  contextualiza  a abordagem do Impacto da Pedagogia Moderna , e de uma certa forma é uma motivação para o professor.moran


Escola Conectada- O que a escola deve fazer para, formar o aluno em conhecimentos, habilidades, valores, atitudes, formas de pensar e atuar na sociedade através de uma aprendizagem que seja significativa?

Moran  - A escola precisa re-aprender a ser uma organização efetivamente significativa, inovadora, empreendedora. A escola é previsível demais, burocrática demais, pouco estimulante para os bons professores e alunos. Não há receitas fáceis, nem medidas simples. Mas essa escola está envelhecida nos seus métodos, procedimentos, currículos. A maioria das escolas e universidades se distanciam velozmente da sociedade, das demandas atuais. A maior parte do tempo freqüentamos as aulas porque somos obrigados, não por escolha real, por interesse, por motivação, por aproveitamento. A escola precisa partir de onde o aluno está, das suas preocupações, necessidades, curiosidades e construir um currículo que dialogue continuamente com a vida, com o cotidiano. Uma escola centrada efetivamente no aluno e não no conteúdo, que desperte curiosidade, interesse. Precisa de bons gestores e educadores, bem remunerados e formados em conhecimentos teóricos, em novas metodologias, no uso das tecnologias de comunicação mais modernas. Educadores que organizem mais atividades significativas do que aulas expositivas. É uma mudança cultural complicada, porque os cursos de formação de professores estão, em geral, distantes tanto das novas metodologias como das tecnologias.
A escola precisa cada vez mais incorporar o humano, a afetividade, a ética, mas também as tecnologias de pesquisa e comunicação em tempo real. Mesmo compreendendo as dificuldades brasileiras.(...)

Escola Conectada - Como favorecer a aprendizagem significativa no contexto escolar?

Moran - Partindo de situações concretas, de histórias, casos, vídeos, jogos, pesquisa, práticas e ir incorporando informações, reflexões, teoria a partir do concreto. Quanto menor é o aluno mais práticas precisam ser as situações para que ele as perceba como importantes para ele. Não podemos dar tudo pronto no processo de ensino e aprendizagem. (...) O modelo de passar conteúdo e cobrar sua devolução é ridículo. Com tanta informação disponível, o importante para o educador é encontrar a ponte motivadora para que o aluno desperte e saia do estado passivo, de espectador. Aprender hoje é buscar, comparar, pesquisar, produzir, comunicar. Hoje milhões de alunos passam de um ano para o outro, sem gostar de ler, sem situações significativas vividas. Não guardam nada de interessante do que fizeram a maior parte do tempo. Há uma sensação de inutilidade em muitos conteúdos aprendidos só para livrar-se de tarefas obrigatórias. E isso chega até a universidade, tão atrasada ou mais ainda do que a educação básica.

      O sucesso pedagógico depende também da capacidade de expressar competência intelectual, de mostrar que conhecemos de forma pessoal determinadas áreas do saber, que as relacionamos com os interesses dos alunos, que podemos aproximar a teoria da prática e a vivência da reflexão teórica.
A coerência entre o que o professor fala e o que faz, na vida é um fator importante para o sucesso pedagógico. Se um professor une a competência intelectual, a emocional e a ética causa um profundo impacto nos alunos.
As técnicas de comunicação também são importantes para o sucesso do professor. (...) Os alunos gostam de um professor que os surpreenda , que traga novidades, que varie suas técnicas e métodos de organizar o processo de ensino-aprendizagem.




Desejo de Aprender = Aprendizagem Significativa - Profº José Moran- USP





Escola Conectada- Uma aprendizagem significativa está relacionada à possibilidade dos alunos aprenderem por múltiplos caminhos de forma colaborativa, permitindo o desenvolvimento de competências e habilidades. Nesse contexto, como tornar a sala de aula um espaço de aprendizagem significativa?


Moran- Os professores do ensino médio( em Curitiba) criticavam como era difícil dar aula para adolescentes desmotivados, dispersivos, barulhentos, indisciplinados.
 Uma professora de português deu um depoimento diferente. Ela não tinha problemas maiores com esses mesmos alunos. E  detalhou o seu método de trabalho.

1)"Eu gosto dos meus alunos e me preparo positivamente para as aulas".

 (…) Muitos professores parece que não apreciam os alunos, só os criticam e se preparam para a aula como para uma guerra e, evidentemente, ela acontece. 

2)"Procuro surpreendê-los sempre".



(…) os alunos aguardavam sempre por alguma surpresa. Às vezes era de caráter pedagógico: um vídeo diferente, uma nova dinâmica. (…). As aulas são diferentes umas das outras. Utiliza bastantes tecnologias : vídeos, CDs, DVDs, pesquisa na Internet.


3)"Faço os acordos possíveis para as atividades, pesquisas e forma de apresentação".

A professora procura negociar com os alunos os sub-temas de uma pesquisa: uns preparam um vídeo, outros um CD, outros desenvolvem uma peça de teatro. Acontece sempre um grande evento no fim do semestre para ampliar a repercussão dos trabalhos.
Os alunos se sentem valorizados, levados em consideração e correspondem participando com entusiasmo.



Agora,(o espaço era a sala de aula)continua com os estudantes no laboratório (organizando pesquisas, produzindo novos materiais), na Internet (atividades a distância) e no acompanhamento das práticas, dos projetos, das experiências: parte da carga horária da sua disciplina.



Educar com qualidade implica em organizar e gerenciar atividades didáticas em, pelo menos, quatro espaços.


1) Reorganização dos ambientes presenciais; as salas de aula podem tornar-se espaços de pesquisa, de desenvolvimento de projetos…
2) Aprendizagem em ambientes digitais


Há três campos importantes para as atividades em ambientes digitais: o da pesquisa, o da comunicação e o da produção-divulgação. Pesquisa individual de temas, experiências, projetos, textos…
O professor precisa hoje adquirir a competência da gestão dos tempos a distância combinados com o presencial. O que vale a pena fazer pela Internet que ajuda a melhorar a aprendizagem, que mantém a motivação, que traz novas experiências para a classe, que enriquece o repertório do grupo.(…)






3) Aprendizagem em ambientes experimentais profissionais e culturais ,espaços significativos da cidade: museus, centros culturais, cinemas, teatros, parques, praças, ateliês, centros esportivos, centros comerciais, centros produtivos, entre outros.
A escola pode trazer as manifestações culturais e artísticas próximas, fazendo dos alunos espectadores críticos e produtores de novos significados e produtos. Inserir atividades teóricas com as práticas, a ação com a reflexão.
Trazer pessoas com diversas competências para a escola mostrar novas possibilidades vocacionais para os alunos.(…)


O laboratório pode ser um espaço importante de integração entre as atividades presenciais e as virtuais, entre o mundo concreto e o abstrato, entre a teoria e a prática.
Se os alunos fazem pontes entre o que aprendem intelectualmente e as situações reais, experimentais, profissionais ligadas aos seus estudos, a aprendizagem será mais significativa, viva, enriquecedora.








?


Todos os serviços começam a poder ser realizados física ou virtualmente. Há um diálogo crescente, muito novo e rico entre o mundo físico e o chamado mundo digital, com suas múltiplas atividades de pesquisa, lazer, de relacionamento e outros serviços e possibilidades de integração entre ambos, que impactam profundamente a educação escolar e as formas de ensinar e aprender a que estamos habituados.


Escolas não conectadas são escolas incompletas (mesmo quando didaticamente avançadas). Alunos sem acesso contínuo às redes digitais estão excluídos de uma parte importante da aprendizagem atual: do acesso à informação;(…)
Hoje não basta ter um laboratório na escola (quando existe) para acesso pontual à rede durante algumas aulas. Hoje todos os alunos, professores Leia mais, leia tudo :

        Dentre as várias pesquisas sobre Aprendizagem, uma entrevista com o Professor JOSÉ MANUEL MORAN, que foi professor de Comunicação da Universidade de São Paulo (USP), concedida ao Portal Escola Conectada da Fundação Ayrton Sena, colhemos fragmentos, que vão de encontro a este momento em que estamos iniciando o ano letivo, e  que , pela coerência e  objetividade de forma simples e direta,  contextualiza  a abordagem do Impacto da Pedagogia Moderna , e de uma certa forma é uma motivação para o professor.moran


ESCOLA CONECTADA- O que a escola deve fazer para, formar o aluno em conhecimentos, habilidades, valores, atitudes, formas de pensar e atuar na sociedade através de uma aprendizagem que seja significativa?

 A escola precisa re-aprender a ser uma organização efetivamente significativa, inovadora, empreendedora. A escola é previsível demais, burocrática demais, pouco estimulante para os bons professores e alunos. Não há receitas fáceis, nem medidas simples. Mas essa escola está envelhecida nos seus métodos, procedimentos, currículos. A maioria das escolas e universidades se distanciam velozmente da sociedade, das demandas atuais. A maior parte do tempo freqüentamos as aulas porque somos obrigados, não por escolha real, por interesse, por motivação, por aproveitamento. A escola precisa partir de onde o aluno está, das suas preocupações, necessidades, curiosidades e construir um currículo que dialogue continuamente com a vida, com o cotidiano. Uma escola centrada efetivamente no aluno e não no conteúdo, que desperte curiosidade, interesse. Precisa de bons gestores e educadores, bem remunerados e formados em conhecimentos teóricos, em novas metodologias, no uso das tecnologias de comunicação mais modernas. Educadores que organizem mais atividades significativas do que aulas expositivas. É uma mudança cultural complicada, porque os cursos de formação de professores estão, em geral, distantes tanto das novas metodologias como das tecnologias.
A escola precisa cada vez mais incorporar o humano, a afetividade, a ética, mas também as tecnologias de pesquisa e comunicação em tempo real. Mesmo compreendendo as dificuldades brasileiras.(...)


ESCOLA CONECTADA- Como favorecer a aprendizagem significativa no contexto escolar?

MORAN-   Partindo de situações concretas, de histórias, casos, vídeos, jogos, pesquisa, práticas e ir incorporando informações, reflexões, teoria a partir do concreto. Quanto menor é o aluno mais práticas precisam ser as situações para que ele as perceba como importantes para ele. Não podemos dar tudo pronto no processo de ensino e aprendizagem. (...) O modelo de passar conteúdo e cobrar sua devolução é ridículo. Com tanta informação disponível, o importante para o educador é encontrar a ponte motivadora para que o aluno desperte e saia do estado passivo, de espectador. Aprender hoje é buscar, comparar, pesquisar, produzir, comunicar. Hoje milhões de alunos passam de um ano para o outro, sem gostar de ler, sem situações significativas vividas. Não guardam nada de interessante do que fizeram a maior parte do tempo. Há uma sensação de inutilidade em muitos conteúdos aprendidos só para livrar-se de tarefas obrigatórias. E isso chega até a universidade, tão atrasada ou mais ainda do que a educação básica.

      O sucesso pedagógico depende também da capacidade de expressar competência intelectual, de mostrar que conhecemos de forma pessoal determinadas áreas do saber, que as relacionamos com os interesses dos alunos, que podemos aproximar a teoria da prática e a vivência da reflexão teórica.
A coerência entre o que o professor fala e o que faz, na vida é um fator importante para o sucesso pedagógico. Se um professor une a competência intelectual, a emocional e a ética causa um profundo impacto nos alunos.
As técnicas de comunicação também são importantes para o sucesso do professor. (...) Os alunos gostam de um professor que os surpreenda , que traga novidades, que varie suas técnicas e métodos de organizar o processo de ensino-aprendizagem.




segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

CONSTRUTIVISMO– INCOMPREENDIDO E COMBATIDO…UM FRACASSO ?

Em recente documento do MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO, de novembro de 2010
(1.2_artigo_mec_propostas_curriculares_merces - Artigo MEC ...Belo Horizonte, novembro de 2010. 1. PROPOSTAS CURRICULARES DE ESTADOS E MUNICÍPIOS .... critério de agrupamento por áreas, indicado nos parâmetros curriculares do ..... distingue uma visão construtivista e funcionalista desses termos e ...
portal.mec.gov.br/index.php?option=com_docman&task=doc...
)

destacamos este parágrafo que diz respeito ao Ensino Fundamental, em que M. das Mercês F. Sampaio, faz referencia aos postulados construtivista:


            Ensino fundamental: alguns detalhes

“(…)No exame das propostas do ensino fundamental, é muito claro que as orientações oficiais são a referência central e consensual na elaboração das propostas curriculares, como já foi citado. Vale lembrar aqui brevemente algumas das orientações dos PCN.
Os PCN consideram que, devido a novas exigências para o reequacionamento do papel da educação no mundo contemporâneo, requer-se, na formação dos estudantes, a capacitação para aquisição e desenvolvimento de novas competências, exigidas para lidar com novas tecnologias e linguagens. Ou seja, novas relações entre conhecimento e trabalho exigem capacidade de iniciativa e inovação, exigem foco em “aprender a aprender”.
No
âmbito da perspectiva construtivista, fundamentam-se em uma série de princípios
explicativos do desenvolvimento e da aprendizagem, no marco da psicologia genética, da teoria sociointeracionista e de explicações da atividade significativa
; o núcleo dessas contribuições é o reconhecimento da importância da atividade mental construtiva nos processos de aquisição de conhecimento.
Os PCN optam por organizar a escolaridade em ciclos; enfatizam avaliação nas perspectivas diagnóstica, processual e formativa; os conteúdos são apresentados em blocos e/ou em organizações temáticas — agrupamentos que representam recortes internos à área e visam explicitar objetos de estudo essenciais à aprendizagem; para o tratamento didático, indicam que importa considerar as relações internas do bloco e entre blocos. Do ponto de vista metodológico, enfatizam a problematização, a atividade dos alunos, a necessidade de
contextualização e o tratamento interdisciplinar dos conteúdos.(…)”



     .
ANTÔNIO GOIS da Folha de S.Paulo, no Rio comenta a polêmica que ainda não tem previsão de chegar ao fim:
"Não é o método de alfabetização que determina o sucesso ou o fracasso escolar. Alunos de colégios construtivistas aprendem tanto na primeira série quanto os de unidades que priorizam o método fônico, baseado na associação entre letras e sons. O problema parece estar menos nos anos iniciais da alfabetização e mais na consolidação desse processo.
É o que mostram as primeiras evidências de estudo que acompanha a mesma geração de 19 mil alunos, ano a ano, da primeira a quarta séries do ensino fundamental. A pesquisa está sendo desenvolvida no Rio, em Belo Horizonte, em Campinas, em Salvador e em Campo Grande por seis universidades (PUC-Rio, UFMG, Unicamp, UFBA, Uems e UFJF).
Batizado de Geres (Geração Escolar), tenta identificar as causas do pífio desempenho no Saeb (exame do governo federal que avalia a educação). Em 2003, a prova mostrou que apenas 4,8% dos alunos da quarta série tinham desempenho adequado.
O debate entre os defensores de cada método reacendeu-se neste ano(2010), após o ministro Fernando Haddad (Educação) defender a revisão dos Parâmetros Curriculares Nacionais.
Os defensores do método fônico dizem que países desenvolvidos o adotam porque seria mais eficaz. Já os construtivistas afirmam que não se pode culpar o método pelos maus resultados.
Para Creso Franco e Alícia Bonamino, pesquisadores da PUC e coordenadores do Geres no Rio, os primeiros resultados, das turmas de primeira série de escolas públicas apenas, sugerem que essa "guerra da alfabetização" tem produzido mais calor do que luz.


A Revista Veja publicou um artigo comentado por Marcelo Bortoloti, onde ele assinala que:
 
Á partir dos anos 70 o Construtivismo foi disseminado nos Estados Unidos e a Europa. . Uma década mais tarde, porém, tal corrente começaria a ser gradativamente abandonada nos países que a adotaram pioneiramente. Os responsáveis pelo sistema educacional daqueles países chegaram a uma mesma conclusão: a de que a adoção de uma filosofia que não se traduzia em um método claro de ensino deixava os professores perdidos, deteriorando o desempenho dos alunos. Hoje, são poucos os países ainda entusiastas do construtivismo. Entre eles estão todos os de pior desempenho nas avaliações internacionais de educação.”
       Realmente , dá prá sentir esse efeito que a filosofia construtivista causa na maioria dos professores. A metodologia, nós educadores sabemos, que a melhor é aquela que se adapta ás diferentes necessidades e perfil dos alunos, só é muito importante conhecer as mais variadas metodologias para usar uma ou várias sem desprezar os postulados do construtivismo, na medida que se sabe como usá-lo. Na verdade não há uma formação contrária ao construtivismo. Os Métodos de Alfabetização tem seus valores quando atingem os objetivos do professor: pois o que cada professor mais quer é que seu aluno aprenda.

Referencias
-.2_artigo_mec_propostas_curriculares_merces - Artigo MEC ...Belo Horizonte, novembro de 2010. 1. PROPOSTAS CURRICULARES DE ESTADOS E MUNICÍPIOS .... critério de agrupamento por áreas, indicado nos parâmetros curriculares do ..... distingue uma visão construtivista e funcionalista desses termos e ...
portal.mec.gov.br/index.php?option=com_docman&task=doc...

Salto no escuro – Revista VEJA, fragmento do artigo de Marcelo Bortoloti
Idéias que o Brasil adotou
http://revistaescola.abril.com.br/lingua-portuguesa/alfabetizacao-inicial/estudiosa-revolucionou-alfabetizacao-423543.shtml?page=1
SMOLKA, Ana Luiza Bustamante. A criança na fase inicial da escrita: a Alfabetização como processo discursivo/7. ed. - São Paulo: Cortez, 1996.
Revista Nova Escola Janeiro/Fevereiro de 2001

* Citação extraída do artigo Letramento e alfabetização

“TUDO QUE O PROFESSOR QUER, É QUE SEU ALUNO APRENDA”–METODOLOGIAS E AÇÕES PEDAGÓGICAS

  abc    No Brasil, a história da alfabetização,  desde o  inicio, que as buscas de melhores métodos de alfabetização, permeadas de  tensas disputas relacionadas com "antigas" e "novas" explicações para um mesmo problema: a dificuldade de nossas crianças em aprender a ler e a escrever, especialmente na escola pública
      O que hoje denominamos “fracasso escolar na alfabetização” se vem impondo como problema estratégico a demandar soluções urgentes,  mobilizando administradores públicos, legisladores do ensino, intelectuais de diferentes áreas de conhecimento, educadores e professores.
 
ce
       “A questão dos métodos passou a ser considerada tradicional, e os antigos e persistentes problemas da alfabetização vêm sendo pensados e praticados predominantemente, no âmbito das políticas públicas, a partir de outros pontos de vista, em especial a compreensão do processo de aprendizagem da criança alfabetizanda, de acordo com a psicogênese da língua escrita.(Mortatti, 2006)”1car
            No decorrer dos tempos, vários métodos foram implementado para o ensino da leitura:  métodos de marcha sintética (da "parte" para o "todo"): da soletração (alfabético), partindo do nome das letras; fônico (partindo dos sons correspondentes às letras); e da silabação (emissão de sons), partindo das sílabas.

              Iniciando o ensino da leitura com a apresentação das letras e seus nomes (método da soletração/alfabético), ou de seus sons (método fônico), ou das famílias silábicas (método da silabação), sempre de acordo com certa ordem crescente de dificuldade. Posteriormente, reunidas as letras ou os sons em sílabas, ou conhecidas as famílias silábicas, ensinava-se a ler palavras formadas com essas letras e/ou sons e/ou sílabas e, por fim, ensinavam-se frases isoladas ou agrupadas.
           Quanto à escrita, esta tinha suas bases na caligrafia e ortografia, e seu ensino, à cópia, ditados e formação de frases, enfatizando-se o desenho correto das letras.
b a ba         As primeiras cartilhas brasileiras,  sobretudo por professores fluminenses e paulistas a partir de sua experiência didática, baseavam-se nos métodos de marcha sintética (de soletração, fônico e de silabação) e circularam em várias estados do Brasil por muito tempo..
       As cartilhas passaram por modificações baseadas programaticamente no método analítico (processos da palavração e sentenciação diferentes.  No entanto, buscando conciliar os dois tipos básicos de métodos de ensino da leitura e escrita (sintéticos e analíticos),  passaram-se a utilizar: métodos mistos ou ecléticos (analítico-sintéticoou vice-versa),cart considerados mais rápidos e eficientes.
           Surge  um ecletismo processual e conceitual em alfabetização, de acordo com o qual a alfabetização (aprendizado da leitura e escrita)envolvendo uma questão de adequação, e o método de ensino se volta para o nível de maturidade das crianças em classes homogêneas.
        Em 1970  uma outra nova compreensão no ensino da leitura e da escrita: a alfabetização com uma  didática baseada na psicologica visando enfrentar o fracasso da escola na alfabetização de crianças: o pensamento construtivista sobre alfabetização, resultante das pesquisas sobre a psicogênese da língua escrita desenvolvidas pela pesquisadora argentina Emilia Ferreiro e seus colaboradores.
     Porém o que se pode conluir após a análise da hitória da alfabetização no Brasil é que o sucesso da alfabetização é uma questão de métodos, com cartilhas  ou sem cartilha dentro do que permaneceu  e das inovações, com uma ressalva: métodos de ensino tem que estar voltado para o nível de maturidade ou o processo de aprendizagem do aluno, permanecendo a psicologia como base, com fins de atender a diversidade, que vai definir as AÇÕES PEDAGÓGICAS que o professor vai usar em sala de aula.
         Porque o que cada professor mais qprofesuer, não é  formar corrrentees contrárias ou favor deste ou daquele método, o que o professor mais quer é, que o seu aluno aprenda!


Referências:
1 –Trecho extraído da * Conferência proferida durante o Seminário "Alfabetização e letramento em debate", realizado em Brasília, em 27/04/2006.
** Professora Livre-docente - FFC-UNESP-Marília; coordenadora do Grupo de Pesquisa "História do Ensino
de Língua e Literatura no Brasil"; autora de: Leitura, literatura e escola: sobre a formação do gosto (Martins
Fontes); Em sobressaltos: formação de professora (Ed. Unicamp); Os sentidos da alfabetização (São Paulo-
1876/1994) (Ed. Unesp); Educação e letramento (Ed. Unesp).
2- A Contribuição Da Psicopedagogia Para O Processo De Alfabetização E Letramento-| Publicado em: 28/12/2009
3-SIMONETTI, Amália [et. al.]. O Desafio de Alfabetizar e Letrar. Fortaleza: Edições Livro Técnico, 2005.

sábado, 15 de janeiro de 2011

O que é Letramento ? CONHECIMENTO DE FORMA PRAZEROZA E SIGNIFICATIVA!

IMPACTO DA PEDAGOGIA MODERNA: IMPACTO DA PEDAGOGIA MODERNA: CONSTRUTIVISMO NÃO É...

IMPACTO DA PEDAGOGIA MODERNA: IMPACTO DA PEDAGOGIA MODERNA: CONSTRUTIVISMO NÃO É...: "IMPACTO DA PEDAGOGIA MODERNA: CONSTRUTIVISMO NÃO É MÉTODO DE ALFABETIZAÇÃO- EMIL...: 'EMILIA FERREIRO E ANA TEBEROSKY Emília Ferreiro..."

CONSTRUTIVISMO - INCOMPREENDIDO E COMBATIDO

       A fundamentação do Construtivismo é riquíssima quando traz para a Pedagogia a Psicologia, caminho de compreensão dos mecanismos de desenvolvimento do ser humano, da criança que se encontra nas escolas, cujo destino de crescimento e desenvolvimento em grande parte depende dos educadores.
    Teoricamente, o Construtivismo, é um novo caminho que se descortina na aprendizagem, nas séries iniciais, principalmente quando o professor sabe o conhecimento que já foi adquirido pela criança, sua realidade socio-afetivo-cultural, e parte de tudo que é significativo  prá ela, que vai  favorecer a construção de novos conhecimentos. Tudo que faz sentido, que tem significação é motivador e leva o individuo para mais além.
      Porém, a desinformação, assim como o direcionamento incorreto das teorias construtivista de Emilia Ferreiro, dividiram os educadores em prós e contra, sem meio termo.
        Não é um método de alfabetização, como foi passado para alguns professores, quase oficializando obrigatoriamente o seu uso. Por estas e muitas outras razões gerou sucessos e muitos fracassos. Os alunos que foram iniciados em salas de alfabetização em que os professores usaram “o método construtivista”, chegaram na série posterior indisciplinados, sem regras e limites, com “erros” difíceis de serem trabalhados e outros comportamentos na aprendizagem que assustaram os professores não-adeptos do “método construtivista”.
       Combatido e incompreendido, a contribuição, o enriquecimento que  as ações do modelo da construção do conhecimento dentro da alfabetização ficaram perdidos.
       A psicologia deve andar de mãos dadas com a pedagogia.
      Piaget não construiu um método de alfabetização, não se interessou pela pedagogia, mas a sua teoria do desenvolvimento cognitivo do individuo, da criança, não pode ser desconsiderado em momento algum pela pedagogia.


      As pesquisas de Emilia Ferreiro e o termo construtivismo começaram a ser divulgados no Brasil no início da década de 1980. As informações chegaram primeiro ao ambiente de congressos e simpósios de educadores. O livro-chave de Emilia, Psicogênese da Língua Escrita, saiu em edição brasileira em 1984.     
        As descobertas que ele apresenta tornaram-se assunto obrigatório nos meios pedagógicos e se espalharam pelo Brasil com rapidez, a ponto de a própria autora manifestar sua preocupação quanto à forma como o construtivismo estava sendo encarado e transposto para a sala de aula.




         Hoje o construtivismo é a fonte da qual derivam várias das diretrizes oficiais do Ministério da Educação. Segundo afirma a educadora Telma Weisz na apresentação de uma das reedições de Psicogênese da Língua Escrita, "a mudança da compreensão do processo pelo qual se aprende a ler e a escrever afetou todo o ensino da língua", produzindo "experimentação pedagógica suficiente para construir, a partir dela, uma didática.
      Porém, a desinformação, assim como o direcionamento incorreto das teorias construtivista de Emilia Ferreiro, dividiram os educadores em prós e contra, sem meio termo.
        Não é um método de alfabetização, como foi passado para alguns professores, quase oficializando obrigatoriamente o seu uso. Por estas e muitas outras razões gerou sucessos e muitos fracassos. Os alunos que foram iniciados em salas de alfabetização em que os professores usaram “o método construtivista”, chegaram na série posterior indisciplinados, sem regras e limites, com “erros” difíceis de serem trabalhados e outros comportamentos na aprendizagem que assustaram os professores não-adeptos do “método construtivista”.
       Combatido e incompreendido, a contribuição, o enriquecimento que  as ações do modelo da construção do conhecimento dentro da alfabetização ficaram perdidos.
       A psicologia deve andar de mãos dadas com a pedagogia.
      Piaget não construiu um método de alfabetização, não se interessou pela pedagogia, mas a sua teoria do desenvolvimento cognitivo do individuo, da criança, não pode ser desconsiderado em momento algum pela pedagogia.
  

    As pesquisas de Emilia Ferreiro e o termo construtivismo começaram a ser divulgados no Brasil no início da década de 1980. As informações chegaram primeiro ao ambiente de congressos e simpósios de educadores. O livro-chave de Emilia, Psicogênese da Língua Escrita, saiu em edição brasileira em 1984.     
        As descobertas que ele apresenta tornaram-se assunto obrigatório nos meios pedagógicos e se espalharam pelo Brasil com rapidez, a ponto de a própria autora manifestar sua preocupação quanto à forma como o construtivismo estava sendo encarado e transposto para a sala de aula.

         Hoje o construtivismo é a fonte da qual derivam várias das diretrizes oficiais do Ministério da Educação. Segundo afirma a educadora Telma Weisz na apresentação de uma das reedições de Psicogênese da Língua Escrita, "a mudança da compreensão do processo pelo qual se aprende a ler e a escrever afetou todo o ensino da língua", produzindo "experimentação pedagógica suficiente para construir, a partir dela, uma didática.

Emilia Ferreiro - COMENTA A DISCORDÂNCIA DO CONSTRUTISMO NO BRASIL

CONSTRUTIVISMO NÃO É MÉTODO DE ALFABETIZAÇÃO- EMILIA FERREIRO E JEAN PIAGET



       Emília Ferreiro nasceu na Argentina em 1936. Doutorou-se na Universidade de Genebra, sob orientação do biólogo Jean Piaget, cujo trabalho de epistemologia genética ela continuou, estudando e aprofundando-se em um assunto que Piaget não explorou: a escrita.
A partir do ano de 1974, Ferreiro desenvolveu na Universidade de Buenos Aires uma série de experimentos com crianças, a qual expôs as conclusões do estudo na obra Psicogênese da Língua Escrita, juntamente com a pedagoga Ana Teberosky.
Hoje Emília é professora titular do Centro de Investigação e Estudos Avançados do Instituto Politécnico Nacional, da Cidade do México, onde vive. Além de professora – que exerce viajando pelo mundo – Ferreiro está à frente do site WWW.chicosyescritores.org, em que alunos escrevem em parceria com grandes autores e publicam os próprios textos. ana

      Ana Teberosky é uma das pesquisadoras mais respeitadas quando o tema  é aprendizagem.  A Psicogênese da Língua Escrita, estudo desenvolvido por ela e por Emília Ferreiro no final dos anos 1970, trouxe novos elementos para esclarecer o processo vivido pelo aluno que está aprendendo a ler e a escrever. A pesquisa tirou a alfabetização do âmbito exclusivo da pedagogia e a levou para a psicologia
                                   Jean Piaget
Especialista em psicologia evolutiva e epistemologia genética, filósofo e educador, Jean Piaget nasceu em Neuchâtel, Suíça, em 09 de agosto de 1886, e morreu em Genebra a 16 de setembro de 1980. Desde criança interessou-se por mecânica, fósseis e jpzoologia. Enquanto terminava seus estudos secundários, trabalhou como assistente voluntário do Laboratório do Museu de História Natural, de Neuchâtel, sob a direção de Paul Godet, especialista em malacologia. Com a morte de Godê, em 1911, continuou trabalhando no laboratório e escreveu vários trabalhos, alguns publicados pelo Museu de História Natural de Genebra, na Lamarck Collection e na Revue Suisse de Zoologie.
      Jean Piaget foi o responsável por uma das maiores contribuições no campo da psicologia científica contemporânea, na área específica do comportamento cognitivo. As aplicações de sua teoria do desenvolvimento encontram-se muito difundidas, no campo pedagógico e na explicação da evolução da conduta cognitiva.
Sua teoria pode ser classificada em duas áreas principais: a que procura explicar a formação da estrutura cognitiva, tema central em sua psicologia evolutiva, e a que se desenvolve em torno da epistemologia genética.
      Emília Ferreiro e  Ana Teberosky, dentro das   aplicações da Teoria de Jean Piaget,   da explicação da evolução da conduta cognitiva  em torno da epistemologia genética.
        O que é a Epistemologia Genética ?
       Para Jean Piaget o conhecimento é gerado através de uma interação do sujeito com seu meio, a partir de estruturas existentes no sujeito. Assim sendo, a aquisição de conhecimentos depende tanto das estruturas cognitivas do sujeito como de sua relação com os objetos. Durante sessenta anos, Jean Piaget coordenou projetos de pesquisas, que deram base à compreensão contemporânea do desenvolvimento infantil. Piaget estava interessado em investigar como o conhecimento se desenvolvia nos humanos. Piaget fez sua formação inicial em Biologia e por isso alguns conceitos desta disciplina influenciaram sua teoria e descobertas sobre o desenvolvimento infantil.
      Ana Teberosky em seu livro “Psicopedagogia da Linguagem Escrita”(Ed. Vozes) tem como fim trazer á sala de aula, espaço onde se materializam os processos de construção do conhecimento dos alunos e que permite refletir  sobre as condições de atuação pedagógica.
       Veja um trecho do livro:constr
"Se o professor é capaz de oferecer uma ajuda efetiva quanto à diversidade das situações de uso, a criança poderá aprender, por meio desse uso, as regras de funcionamento da linguagem escrita. O principal propósito, na nossa experiência, é ajudar os professores na interpretação das respostas das crianças e na programação de situações de aprendizagem. Por isso, antes de discutir o que é que os professores podem e devem ensinar, parece-nos importante saber quais são as ideias e os conhecimentos das crianças e quais expectativas podemos ter para proporcionar, depois, situações de ensino e aprendizagem."

       E foi daí que, através de Jean Piaget, que Emilio Ferreiro e Ana Teberosky partindo da teoria do mestre,  pesquisaram a fundo, e especificamente. o processo intelectual pelo qual as crianças aprendem a ler e a escrever, batizando de construtivismo sua própria teoria.altas
Ao contrário do que alguns ainda  pensam Piaget não criou o  construtivismo. Ao contrário, ele nunca se preocupou em formular uma pedagogia: dedicou a vida a investigar os processos da inteligência. Outros especialistas é que se valeram das suas descobertas para desenvolver propostas pedagógicas inovadoras.
        Os Parâmetros Curriculares Nacionais, também conhecido como PCN´s, são uma espécie de manual para as escolas sobre como deveria ser a orientação para o ensino, de acordo com o Ministério da Educação,  criado em 1998.parametros
Os PCNs  propõem um currículo baseado no domínio das competências básicas e que esteja em consonância com os diversos contextos de vida dos alunos. "Mais do que reproduzir dados, denominar classificações ou identificar símbolos, estar formado para a vida, num mundo como o atual, de tão rápidas transformações e de tão difíceis contradições, significa saber se informar, se comunicar, argumentar, compreender e agir, enfrentar problemas de qualquer natureza, participar socialmente, de forma prática e solidária, ser capaz de elaborar críticas ou propostas e, especialmente, adquirir uma atitude de permanente aprendizado", diz o documento.
       Os PCN´s foram estabelecidos a partir de uma série de encontros, reuniões e de discussão realizados por especialistas e educadores de todo o país, de acordo com as diretrizes gerais estabelecidas pela Lei de Diretrizes e Bases. Segundo o MEC, estes documentos foram feitos para ajudar o professor na execução de seu trabalho, servindo de estímulo e apoio à reflexão sobre a sua prática diária, ao planejamento das aulas e, sobretudo, ao desenvolvimento do currículo da escola, formando jovens brasileiros para enfrentar a vida adulta com mais segurança.
       Os Parâmetros Curriculares Nacionais defendem a linha construtivista como método de alfabetização. Surgida na década de 80, a partir de estudiosas da área como Ana Teberowsky e Emília Ferreiro, esta linha defende que a escola deve valorizar o conhecimento que a criança  tem antes de ingressar no estabelecimento. A sua ênfase é na leitura


Referencias

Emília Ferreiro, a estudiosa que revolucionou a alfabetização – artigo publicado na revista Nova Escola

A EPISTEMOLOGIA GENÉTICA DE PIAGET E O CONSTRUTIVISMO www.dfi.ccet.ufms.br/prrosa/Pedagogia/Capitulo_3.pdf
- PARÂMETROS CURRICULARES NACIONAIS
Artigos= Uma Avaliação Teológica Preliminar de Jean Piaget
Epistemologia genética | Facebookpt-pt.facebook.com/pages/.../114738495210312Portugal
 
CONSTRUTIVISMO, CONHECIMENTO CIENTÍFICO E HABILIDADE DIDÁTICA
Professor Associado do Instituto de Física da USP; com auxílio parcial do CNPQ -Alberto VILLANI1 & Jesuina Lopes de Almeida PACCA2 Professora Associada do Instituto de Física da USP

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Construção da escrita: primeiros passos - parte 1

IMPACTO DA PEDAGOGIA MODERNA: EMILIA FERREIRO – COMO ALGUÉM APRENDE A LER E ESCR...

IMPACTO DA PEDAGOGIA MODERNA: EMILIA FERREIRO – COMO ALGUÉM APRENDE A LER E ESCR...: " EMÍLIA FERREIRO, a psicolinguística argentina, estudando os mecanismos pelos quais as crianças aprendem a ler e e..."

EMILIA FERREIRO – COMO ALGUÉM APRENDE A LER E ESCREVER?


    emilia  EMÍLIA FERREIRO, a psicolinguística argentina, estudando os mecanismos pelos quais as crianças aprendem a ler e escrever, ao invés de perguntar como se ensina  a ler e escrever, perguntou como alguém aprende a ler e escrever independente do ensino. A partir daí desenvolveu teorias que deixam de fundamentar-se em concepções mecanicistas/interacionistas fundamentando-se em Vygotsky e Piaget.
       O que isso significa? Significa que o processo de ensinar se desloca para  o ato de aprender, por meio da construção do conhecimento que será realizado pelo educando, que se torna agente de sua aprendizagem.construtivismo
        Os conceitos que os professores trabalham  separadamente, de acordo com Ferreiro, como imaturidade, prontidão, habilidades motoras e perceptuais deixam de ter sentido isoladamente. Os aspectos motores, cognitivos e afetivos são importantes, na medida que tratados no contexto da realidade sócio-cultural dos alunos. “Hoje a perspectiva construtivista considera a interação de todos eles, numa visão política, integral, para explicar a aprendizagem” diz Ferreiro.
   Os níveis diferentes em que normalmente os alunos se encontram e vão se desenvolvendo durante o processo de alfabetização, e a interação entre eles, é muito importante para o desenvolvimento do processo.ni
I  -   Os níveis estruturais da linguagem escrita podem as diferenças individuais e os diferente ritmos dos alunos :
1- diferenciar entre desenho e escrita;
2-utilizar no mínimo duas ou três letras para poder escrever palavras;
3- reproduzir os traços da escrita, de acordo com seu contato com as formas gráficas (imprensa ou cursiva), escolhendo a que lhe é mais familiar para usar nas suas hipóteses de escrita;
4- perceber que é preciso variar os caracteres para obter palavras diferentes.
4- perder que é preciso variar os caracteres para obter palavras diferentes.

II – Nível silábico – pode ser dividido entre Silábico e Silábico / Alfabético:n2
Silábico – a criança compreende que as diferenças na representação escrita está relacionada com “o som” das palavras, o que a leva a sentir a necessidade de usar uma forma de grafia para cada som. Utiliza símbolos gráficos de forma aleatória, usando apenas consoantes,  ora apenas vogais, ora letras inventadas e repetindo-as de acordo com o número  de sílabas das palavras.
Silábico/Alfabético – convivem as formas de fazer corresponder  os sons ás formas silábica e alfabética e a criança pode escolher as letras ou de forma ortográfica ou fonética.
Nível Alfabético – A criança agora entende que: sílaba não pode ser considerada uma unidade e que pode ser separada em unidades menores; a identificação do som não é garantia da identificação da letra, o que pode gerar as famosas dificuldades ortográficas e a escrita supõe a necessidade de análise a necessidade da análise fonética das palavras.
Esta análise do desenvolvimento cognitivo  do aluno é conhecido por “Nível da Psicogênese”.Ana Teberosky é uma das criadoras junto com Emilia Ferreiro da Psicogênese da Língua Escrita,   novos elementos para esclarecer o processo vivido pelo aluno que está aprendendo a ler e a escrever.
     Nessa linha de pensamento conhecida como “construtivismo”, para que a alfabetização tenha sentido é necessário ser um processo  interativo, dentro do contexto da criança, com histórias e com intervenções das próprias crianças, que podem aglutinar, contrair “engolir” palavras, desde que essas palavras ou histórias façam algum sentido para elas.
       Os “erros” das crianças podem ser trabalhados, eles demonstram uma construção, e com o tempo vão diminuindo, pois elas começam a se preocupar  com outras  (como ortografia), que não se preocupavam antes, pois estavam apenas descobrindo a escrita.c
        Magda Soares, no  artigo “Letramento e alfabetização: as muitas facetas”, 26ª Reunião Anual da ANPED. GT Alfabetização, Leitura e Escrita, resume bem a proposta construtivista: “(….) a perspectiva construtivista trouxe importantes e diferentes contribuições para a alfabetização: (...) Alterou profundamente a concepção do processo de construção da representação da língua escrita, pela criança, que deixa de ser considerada como dependente de estímulos externos para aprender   P       o sistema de escrita, concepção presente nos métodos de alfabetização até então em uso, hoje designados tradicionais, e passa a sujeito ativo capaz de progressivamente (re)construir esse sistema de representação, interagindo com a língua escrita em seus usos e práticas sociais, isto é, interagindo com material para ler, não com material artificialmente produzido para aprender a ler; os chamados para a aprendizagem pré- requisitos da escrita, que caracterizam a criança pronta ou madura para ser alfabetizada - pressuposto dos métodos tradicionais de alfabetização - são negados por uma visão interacionista, que rejeita uma ordem hierárquica de habilidades, afirmando que a aprendizagem se dá por uma progressiva construção do conhecimento, na relação da criança com o objeto língua escrita; as dificuldades da criança no processo da construção do sistema de representação que é a língua escrita- consideradas deficiências ou disfunções, na perspectiva dos métodos tradicionais - passam a ser vistas como erros construtivos, resultado de constantes reestruturações.”
        Reportando ao artigo da professora da Universidade de Brasília em sua investigação sobre Métodos  de Alfabetização  e Consciência Fonológica, em que aponta causas da dificuldade de de aprendizagem, defasagem  idade/série,  levam grande número de  alunos levam até o fim do 1º grau, resultado de várias pesquisas do analfabeto funcional e da evasão,e dentre outros fatores está o desenvolvimento do processo da leitura e da escrita “ a importância da consciência fonológica e o princípio alfabético, a primeira como o entendimento de que cada palavra _ou partes da palavra_ é constituída de um ou mais fonemas. Para a fonoaudióloga Lílian Nascimento, rimas, aliterações, consciência sintática, silábica e fonêmica são habilidades relacionadas à consciência fonológica.. Na mesma linha de pensamento Alliende e Condemarín (1987 p. 46) denominam consciência linguística “o conhecimento consciente do indivíduo dos tipos e níveis dos processos linguísticos que caracterizam as expressões faladas”, entre os quais o de codificar foneticamente a informação linguística. Discutindo o papel da consciência fonológica na alfabetização, Carvalho (2005) alerta para a necessidade de que os alfabetizandos percebam a dimensão sonora das palavras, que são formadas por sílabas e fonemas.”       
      Essa conclusão confronta com um nítido vácuo da construção da escrita e da leitura pela proposta construtivista.
      Ao contrário do que muitos pensam Emília Ferreiro trouxe valiosas contribuições para a compreensão da aquisição e desenvolvimento do conhecimento cognitivo na alfabetização,  porém Emília Ferreiro não é um Método de Alfabetização.
(…) a minha contribuição foi encontrar uma explicação segundo a qual, por trás da mão que pega o lápis, dos olhos que  olham, dos ouvidos que escutam há uma criança que pensa” Emília Ferreiro


Referências
·
BORTONI-RICARDO, Stella Maris. Nós cheguemu na escola, e agora? Sociolingüística & educação. São Paulo: Parábola Editorial, 2005.
Psicogênese da língua Escrita, de Emilia Ferreiro e Ana Teberosky. Ed. Artes Médicas, Av.
Jerônimo Ornellas. 670. CEP 90040-340. Porto Alegre. RS. Tel: (051) 330-3444/330-2183
A Escrita e a Escola, de Ana Maria Kaufman. Ed. Artes Médicas.
Alfabetização em Processo, de Emilia Ferreiro. Ed. Cortez. R. Bartira. 387. CEP 05009-000. São Paulo. SP. Tel: (011) 864-0111.
Ensaios Construtivistas, de Lino de Macedo. Ed. Casa do Psicólogo. R. Alves Guimarães, 436, CEP 05410-000. São Paulo, SP, Tel: (011) 852-4633.
Aprendendo a Escrever: Perspectivas Psicológicas e Implicações Educacionais, de Ana Teberosky. Ed. Ática. R. Barão de Iguape. 110. CEP: 01507-900, caixa postal 8656, São Paulo, SP. Tel: (011) 278-9322.
-Márcio Ferrari (novaescola@atleitor.com.br)
Trecho da palestra de Emilia Ferreiro durante a 1ª Semana da Educação, em outubro de 2006, em São Paulo
-SMOLKA, Ana Luiza Bustamante. A criança na fase inicial da escrita: a Alfabetização como processo discursivo/7. ed. - São Paulo: Cortez, 1996.
Revista Nova Escola Janeiro/Fevereiro de 2001

-Mara Regina Maraia Schoenberger , licenciada em Pedagogia,Pós graduada em Educação Interdisciplinar e Metodologia do Ensino Fundamental: Educação Interdisciplinar  de 1ª á 4ª serie do Ensino Fundamental  com Enfase em Educação Infantil:Cursando  Educação Especial e Inclusiva
João Batista Araujo e Oliveira
Consultor, Presidente da JM-Associados1 Publicado na Revista Ensaio, V. 10, N. 35, Abril-Junho 2002. pp. 161-2000
atégiashttp://www.alfaebeto.org.br/documentos/construtivismo_alfabetizacao.pdf

IMPACTO DA PEDAGOGIA MODERNA: A DEFASAGEM IDADE/SÉRIE E OS MÉTODOS DE ALFABETIZA...

IMPACTO DA PEDAGOGIA MODERNA: A DEFASAGEM IDADE/SÉRIE E OS MÉTODOS DE ALFABETIZA...: "A DEFASAGEM IDADE/SÉRIE E OS MÉTODOS DE ALFABETIZAÇÃO Há alunos que chegam na 5ª série/6º ano e ..."

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

POLITICAS PARA EDUCAÇÃO INCLUSIVA - BRASIL- REINO UNIDO - PROFª ADRIANA LAPLANE


UMA ANÁLISE DAS CONDIÇÕES PARA A
IMPLEMENTAÇÃO DE POLÍTICAS DE EDUCAÇÃO
INCLUSIVA NO BRASIL E NA INGLATERRA

                                 - TRAÇANDO PARALELOS_

www.scielo.br/pdf/es/v27n96/a04v2796.pdf

Fragmentos da Pesquisa da Professora:
 

ADRIANA LAPLANE. Professora da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Estadual de Campinas
(UNICAMP). E-mail: adrifri@fcm.unicamp.br
 
        O artigo analisa as condições de implementação de políticas
de educação inclusiva no Brasil e no Reino Unido. Essas políticas inserem-se em um movimento de características excludentes que tem afetado a sociedade ocidental desde o período posterior à Segunda Guerra Mundial.
No sentido oposto ao desse movimento excludente, as políticas inclusivas afirmam a necessidade de garantir educação a todos os indivíduos de uma sociedade. A implementação dessas políticas, nos dois países considerados, é pontuada por um conjunto de leis e documentos oficiais que visa a especificar as ações inclusivas. As práticas, entretanto, esbarram tanto nos conflitos e tensões gerados pelas condições sociais gerais, como nas propriedades dos sistemas educacionais.
O artigo argumenta em favor de uma melhor compreensão das condições de implementação das políticas inclusivas, de modo que o educador possa estabelecer, assim, as prioridades no seu contexto de atuação.
Para finalizar, gostaria de registrar a minha concordância com as
palavras de Corbett (2001), quando afirma que: "(...) a educação inclusiva diz respeito à qualidade da educação comum e não à educação especial".
De alguma forma, as perguntas que percorrem este estudo – resultado de leituras, conversas, observações e reflexões sobre o papel da educação nas sociedades contemporâneas – dizem respeito às relações entre a educação e a sociedade e aos modos de funcionamento dos sistemas educativos, às suas funções, problemas e possibilidades de contribuir para uma sociedade mais justa.
 





Referências bibliográficas
BEVERIDGE, S. Special educational needs in schools. London: Routledge,




1999.
BRASIL. Constituição (1988). Constituição da Republica Federativa do. Brasília, DF: Senado, 1998.
Brasil
BRASIL. Coordenadoria Nacional para Integração da Pessoa Portadora
de Deficiência. Declaração de Salamanca e linha de ação sobre necessidadesBrasília, DF: CORDE, 1994.
educativas especiais.

 
Considerações finais
No Reino Unido, ao tomar contato com o debate educacional (sempre em pauta, seja na mídia, no ambiente político ou acadêmico), foi a de que os problemas da educação, apesar das imensas diferenças históricas, sociais, econômicas e culturais que separam os dois países, eram muito parecidos aos do Brasil
A heterogeneidade assume formas diferentes nos dois países. O componente multicultural, forte em ambos, configura-se de maneiras muito diferentes.
A influência dos fatores socioeconômicos é grande e afeta a capacidade dos sistemas educativos de prover educação
para todos.
As políticas inclusivas estão baseadas em princípios morais e políticos estabelecidos nos documentos nacionais e internacionais e na legislação, tanto nos países desenvolvidos como nos países em desenvolvimento: a educação de qualidade tem se tornado um direito humano inquestionável e os países têm formulado políticas e leis que, aparentemente, visam a garanti-la.
Entretanto, algumas questões permanecem: Por que é tão difícil implementar políticas de educação inclusiva?
Por que é tão larga a brecha entre as políticas e as práticas?
O objetivo de tornar a educação acessível a todos os membros de
uma comunidade (como explicitado na maioria dos documentos oficiais) colide com a rigidez dos tempos, a tendência à homogeneização e a necessidade de obter um alto desempenho (medidas da qualidade).
As propostas centradas nos aspectos práticos da inclusão (a formação, o repertório de ensino, os sentimentos dos professores em relação aos alunos com necessidades especiais) apenas terão chances de sucesso se inseridas numa análise ampla da escola como instituição atravessada por conflitos e demandas contraditórios entre si.
A Escola deve organizar-se para favorecer a aprendizagem de cada aluno, mas dentro de parâmetros e limites bastante rígidos, que tornam a tarefa difícil e complexa.
Entendo que enfocar a magnitude dessa tarefa, a sua complexidade
e os seus limites e possibilidades é mais produtivo no terreno das
práticas educativas do que difundir um discurso ingenuamente otimista,que proclama a celebração da diversidade sem oferecer ao educador os elementos necessários para situar-se na realidade que irá enfrentar.
Políticas e práticas estão imersas num contexto que, a cada momento,redefine as relações entre elas. Do ponto de vista de quem está situado no lugar da prática, essas relações não são muito claras e há uma tendência a conceber de forma separada a dimensão política e a da prática. Quando os profissionais se
voltam unicamente para os aspectos práticos, perdem de vista o quadro.
A visão estreita de educação como ensino-aprendizagem tem seu preço: impede que sucessos e fracassos sejam analisados no quadro das possibilidades criadas pelas condições em que essas práticas ocorrem.
Para finalizar, gostaria de registrar a minha concordância com as
palavras de Corbett (2001), quando afirma que: "(...) a educação inclusiva
diz respeito à qualidade da educação comum e não à educação especial".
De alguma forma, as perguntas que percorrem este estudo – resultado
de leituras, conversas, observações e reflexões sobre o papel da
educação nas sociedades contemporâneas – dizem respeito às relações entre a educação e a sociedade e aos modos de funcionamento dos sistemas educativos, às suas funções, problemas e possibilidades de contribuir para uma sociedade mais justa.
Nota
1. A formulação da Lei com relação ao trabalho é digna de comentário: "IV – educação especial para o trabalho, visando a sua efetiva integração na vida em sociedade, inclusive condições
adequadas para os que não revelarem capacidade de inserção no trabalho competitivo, mediante articulação com os órgãos oficiais afins, bem como para aqueles que apresentam uma habilidade superior nas áreas artística, intelectual ou psicomotora". A menção aotrabalho competitivo, por oposição a um tipo de trabalho que não é competitivo, sugere a
necessidade de uma reflexão mais profunda sobre o estatuto do trabalho na sociedade e as formas de participação de diferentes grupos sociais. Foge aos objetivos desse texto avançar nessa direção, mas cabe aqui abrir a questão e dar crédito à professora Gilberta Jannuzzi pela sua insistência em incentivar a importância de abordar esta questão.