“Continuo buscando, re-procurando. Ensino porque busco, porque indaguei, porque indago e me indago. Pesquiso para conhecer o que ainda não conheço e comunicar e anunciar a novidade”.

Paulo Freire


quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

O MINISTRO DA EDUCAÇÃO FERNANDO HADAD AVALIA OS RESULTADOS DO PISA/20009

Karina Yamamoto
Editora de UOL Educação
Em Brasília

Os resultados no Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Aluno) são "consideráveis", segundo o ministro da Educação, Fernando Haddad. Para ele, é um "momento de oportunidade que o Brasil está vivendo" e "é o caso de agarrar essa oportunidade".
. Ele afirmou: “aumentar 17 pontos em um triênio não é pouco".
No triênio 2006-2009, o Brasil cresceu 17 pontos na nota. A média geral do Brasil em 2006 foi de 384 e, neste ano, chegou a 401. A média é obtida por meio da soma das médias de leitura, matemática e ciências e dividindo a soma por três. Na década, o país "cresceu" 33 pontos, sendo destaque no relatório da OCDE, organização dos países desenvolvidos que capitaneia a avaliação internacional. Se for considerar o resultado do Brasil em relação aos demais 64 participantes do programa, a situação é bastante crítica: o país fica em 53ª em leitura, em 57º em matemática e em 53ª em ciências.

"Cumprimos a meta do PDE"
O PDE (Plano de Desenvolvimento das Escolas) estabelecia média 395 como meta para o Pisa 2009. Para 2012, o PDE -- e provavelmente o próximo PNE (Plano Nacional da Educação), que será divulgado em dezembro -- estabelece 417 como média a ser alcançada. O crescimento terá que ser de outros 16 pontos, uma vez que o Brasil superou a meta e "tirou" 401 em 2009.
Para chegar ao objetivo, o ministro acredita que seja necessário "fazer tudo cada vez mais", ou seja, investir na educação de maneira ampla. Em alguns momentos, a gestão de Haddad foi criticada por causa da diversidade de programas, sob a justificativa de falta de foco.
Duas questões são fundamentais, na visão de Haddad, para as próximas ações: a universalização da pré-escola, que deve acontecer até 2016 segundo a legislação, e a valorização do magistério com boa formação e melhor remuneração da carreira. O primeiro ponto encontra respaudo na literatura acadêmica -- quanto mais cedo a criança recebe (bons) estímulos, melhor será o desempenho no decorrer da sua vida escolar. Já sobre a valorização dos professores, o ministro disse que a formação está sob a atenção do MEC com os incentivos do Fies, programa de financiamento estudantil, em que o estudante não paga o empréstimo se atuar na escola pública por determinado período e com o fato de o governo ter "assumido como princípio" que a responsabilidade da formação é do Estado.

Salário do professor
"Nenhum país [que tem alto desempenho educacional] paga [ao professor] menos que a média das carreiras com formação superior", afirmou Haddad. "[Pagamos] 40% a menos que a média no Brasil." Segundo ele, "tem que convencer o país de que a carreira tem que ser valorizada". Segundo os dirigentes das redes públicas, aumentar o salário dos docentes representa um alto impacto na folha de pagamento e, por isso, é uma medida difícil de implantar.

Apesar de não citar diretamente a questão do financiamento da educação, o ministro admite que, para implementar as ações necessárias, é preciso designar mais verbas para a educação. "Se depender do MEC, 7% do PIB [será investido na educação]", disse. Este ano, a pasta recebeu 5,2% do PIB (Produto Interno Bruto) -- o aumento do investimento na área tem sido gradual.
Na opinião dele, o incremento de verba ainda não impactou na qualidade da educação: "Entendo que ainda temos fôlego para melhorar; atingimos mais pela atenção no aprendizado que pelo investimento", afirmou.

Foco no aprendizado
A criação do Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação) é apontado pelo relatório da OCDE como um dos fatores de sucesso do Brasil no avanço das proficiências de leitura, matemática e ciência. "[Isso] mexeu na educação do Brasil", afirmou Haddad. Segundo ele quando o Inep divulgou os resultados por escola em 2006, mudou o foco da escola. "Colocamos um elemento que estava faltando, o aprendizado", disse.
"As escolas sabem o que o MEC espera delas [com as notas do Ideb] e temos que dar a contrapartida: investir em infraestrutura, valorizar o professor e convocar as famílias", afirmou o ministro que chamou atenção para o fato de que a escola também não pode ser "reduzida" à nota que tira no Ideb. Para ele, o estabelecimento de metas e diretrizes gerais, sem "engessar" as escolas no que se refere às estratégias para alcançá-las, propiciou a inovação pedagógica.
Criador do PDE (Plano de Desenvolimento das Escolas), Haddad foi bastante modesto ao comentar os resultados. Questionado se ele não se sentia realizado de observar no Pisa uma tendência de melhora da educação, ele respondeu: "o Brasil foi o único país que fixou metas -- e esse foi um ato de coragem [estabelecer objetivos sobre resultados que não dependem exclusivamente do MEC]. quando cumpre, não pode desconsiderar". "Seria desrepeitoso", disse.

(os parágrafos negritados são nossos)

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