“Continuo buscando, re-procurando. Ensino porque busco, porque indaguei, porque indago e me indago. Pesquiso para conhecer o que ainda não conheço e comunicar e anunciar a novidade”.

Paulo Freire


sábado, 20 de novembro de 2010

RECUPERAÇÃO – É UM INSTRUMENTO PEDAGÓGICO QUE FUNCIONA


RECUPERAÇÃO – É UM INSTRUMENTO PEDAGÓGICO QUE FUNCIONA ?

        

       Quando se fala em RECUPERAÇÃO e sua funcionalidade, o professor pensa, naqueles alunos que foram agrupados entre os “fracos”; os que faltam, não prestam atenção nas aulas, nunca fazem o dever de casa, por isso são fracos, e está na lista do reforço ou recuperação, cujo significado(conotativo usual) termina por ser a mesma coisa. 
        Entre “os fracos”, estão os repetentes e os que não sabem nada, nem ler, nem escrever, já foram rotulados, já estão encaminhados para Equipe de Apoio Pedagógico, porque estes alunos têm “problemas”. Ele vai para a recuperação, só para ser dito que “ele está na recuperação”, mas ele não aprende. Assim justifica o professor.
        Imagina um aluno repetente, retido na 2ª série (3ºano) só sabe  o pré-nome, não lê e não escreve nada, conhece os numerais até 9, mas não relaciona quantidade, e faz operações simples de adição e subtração, sem registro...
    Mesmo que em todos os cursos de atualização, o professor já está inteirado de que todos podem aprender, sem exceção, e que cada um se desenvolve de um jeito e num ritmo próprio, ainda fica uma dúvida e alguns professores, nem todos, querem uma avaliação médica, sem ter tentado “fazer a recuperação da maneira certa”.
       Cipriano Luckesi, no seu livro -Avaliação da Aprendizagem na Escola: Reelaborando Conceitos e Recriando a Prática- “sugere que “ao verificar quem aprendeu o quê, você percebe que um ou mais estão com dificuldade, é preciso, então, repensar as estratégias e materiais para ele” – em outras palavras: fazer a recuperação, sem a justificativa de que ele está no 3º ano; e o professor vai ter que retomar os conteúdos, todos, desde os do 1º ano, se for à necessidade dele. Ninguém pode ficar abandonado. Cada está um dentro de sua necessidade. O que é preciso é não deixar a defasagem acumular, e o tempo passar, porque outros problemas de ordem emocional, vão complicar a situação de aprendizagem daquele aluno.
       Uma estratégia é levar para o horário inverso ao das aulas, alfabetizarem de verdade, ora individualmente, ora dentro de grupos, usarem um método diferenciado de todos pelos quais já passou, e se a dificuldade dele está na abstração, use um método com materiais concretos (gravuras, revistas para recortar colar, montar, criar, na leitura e na escrita), o método fônico, por exemplo...
        Pelo simples fato de estar sendo alfabetizado de uma forma que ele nunca viu o professor já terá um fator importantíssimo no processo, que é a motivação, a compreeensão do processo de codificação da escrita, por exemplo, eo começo do aprender, eleva da auto-estima.
        Trabalhando em grupos pode-se obter excelentes resultados quando se sabe o que o aluno sabe e o que ele não sabe. Criança com saberes diferentes, em duplas, em trios ou quartetos, dentro ou fora do horário de aula, gera uma interatividade necessária, pois haverá uma troca de informações, em que um vai suprir a carência do outro. Vygotsky, em A Formação Social da Mente, “afirma que o bom aprendizado é aquele que foca o potencial que o aluno pode desenvolver com a ajuda de outros, em que a interatividade gera conflitos e os conflitos geram aprendizagem”, para ele “trabalhar em grupo é fundamental”.
       Tarefas de casa, dentro do seu planejamento de recuperação, é outro recurso da, em que a parceria com a família, vai chegar ao seu ponto alto.
        E deixando por último, o fator que não deve estar em primeiro e nem em último lugar no “fazer pedagógico do professor”, criar os vínculos de afetividade, acreditar que o domínio do pedagógico é seu, professor. E fazer com que seu aluno acredite que ele é capaz, que ele aprende.    
                                                                               
        O professor dentro da recuperação consegue o máximo do aluno, se ele já vem com defasagem de conteúdos, ele continuará um aluno “fraco”, mas ele obterá grandes ganhos cognitivo, que talvez não vá fazer com que ele seja aprovado, ou alcance a média de desempenho da turma, mas vai impedir uma evasão, por estgmatização.

Fonte de Pesquisa:
Luckesi, Cipriano - Avaliação da Aprendizagem na Escola: Reelaborando Conceitos e Recriando a Prática
Coll, Cézar – Aprendizagem Escolar e Construção do Conhecimento – Ed. Artmed
WWW.psyed.edu.es/grintie - textos sobre interação produzidos na Universidade de Barcelona - Espanha


      

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