“Continuo buscando, re-procurando. Ensino porque busco, porque indaguei, porque indago e me indago. Pesquiso para conhecer o que ainda não conheço e comunicar e anunciar a novidade”.

Paulo Freire


domingo, 7 de novembro de 2010

"PULSEIRINHAS DO SEXO"

PULSEIRINHAS DO SEXO

        Quando o trabalho de Orientação da Sexualidade começa mais cedo, com as crianças, este tem um valor preventivo á interpretações distorcidas que desde cedo chegam até elas, por diversas maneiras. Quando começam a entrar na adolescência, o que antes eram somente brincadeiras e curiosidades passa a ser descobertas, com insinuações maliciosas, mas ainda assim, essas mesmas descobertas que passam ás práticas, chegam com mais naturalidade.     
       Porém quando o adolescente não teve a oportunidade de gradativa e naturalmente compreender o seu corpo e a sexualidade que lhe é inerente desde o principio de sua vida, diante da avalanche de desinformações a que tem acesso irrestrito, vivendo um momento de transição, na puberdade, tanto física, emocional, psicológica e sexual, o trabalho da escola voltado para a Orientação Sexual, toma uma roupagem toda especial, para que aquele aluno não fique mais confuso do que já está, e crie transtornos psicológicos, com repercussões imprevisíveis ás suas manifestações de vida e sexualidade, neste momento e no seu futuro.   
    A questão das “pulseirinhas do sexo” como ficou assim conhecida, as pulseirinhas que as meninas á partir de 11 anos começaram a usar, não só porque era moda, mas porque eram sexualmente significativas, e as conseqüências que geraram , tem suas origens de séculos passados, nas lutas das mulheres pela igualdade de direitos.
          Observamos as meninas adolescentes relacionando com os meninos adolescentes de igual para igual. Se um amigo, um colega, dá um empurrão, ela, a menina, dá outro, sem perceber que ele tem mais força. E aí ela reclama dele. Se ele usa um palavrão, ela diz outro... as nossas meninas não sabem que na realidade não tem os mesmos direitos dos meninos, não somente pela questão da desigualdade de forças, mas pela falta de aceitação da individualidade, do direito e do respeito.       E aí, como os jovens “podem cantar” uma menina, insinuar, e fazer uso do dela corpo como quer, ela pensa que também pode fazer o mesmo, ela é da geração pós-moderna, da libertação feminina... e aí, o próprio jovem adolescente, faz como seu pai, seu avô... sempre fez: abuso, violência, estupro... E que o que a escola pode fazer? Percebe o quanto é mais difícil orientar o adolescente?     Vamos então, chamar nossa adolescente que está com o braço cheio de “pulseirinhas do sexo”, deixando os garotos da sala loucos, cada um escolhendo o que quer fazer com ela, para aquele bate-papo, com pouca teoria, sem repressão, apenas “ouvindo”, os “por que”, os objetivos...     E então ouvimos que o ela quer, não é ser uma banquete para uma turba, mas quer alcançar alguém muito especial...  ainda é aquela mulher romântica dos anos anteriores aos 80, achando que é uma mulher liberada...     Então, a nossa intervenção foi explicar as individualidades e suas peculiaridades: igualdades, impulsos sexuais e contenções, permissividade... E adequações.       A sexualidade é parte do ser humano, natural, prazerosa, suas manifestações são permitidas, mas como tudo, com limites, no momento certo, no lugar próprio. Provocar e manifestar desejos são tão gostosos quanto praticá-los, mas da forma que não venha ser um desprazer. Quando exposta da maneira convencionalmente incorreta, alcança-se exatamente o que não quer AIDS, DST, gravidez indesejada, violência, estupro... E até mesmo o que aparentemente é ótimo: popularidade negativa.[Image]        Usamos notícias de jornais de casos do uso das “pulseirinhas” e suas consequências desastrosas. Vídeos educativos no uso do sexo e prevenção ás doenças; gravidez prematura e suas consequências E principalmente, o papel que a mídia sensacionalista faz quando é divulgada uma violência, um bullying nas manifestações á sexualidade, levando uma adolescente á uma posição de vítima elevada á celebridade, frustrando seu processo de adolescência, para futuramente deixá-la no esquecimento, sem perspectivas de vida, pois o primeiro ato é abandonar a escola.
           
 

 

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