“Continuo buscando, re-procurando. Ensino porque busco, porque indaguei, porque indago e me indago. Pesquiso para conhecer o que ainda não conheço e comunicar e anunciar a novidade”.

Paulo Freire


terça-feira, 9 de novembro de 2010

PROJETO QUE É UM SUCESSO

Material Explicativo

Para atrair a atenção do grupo, Josefina se utiliza de materiais como saco de lixo, massinha, argila, tinta guache, canetinhas e cartolinas, tornando os encontros bastante participativos e estimulantes. E, quando não há algum item, o jeito é inventar e apelar para substituições. Na falta de cola, por exemplo, a solução está na seguinte receita: farinha, sal e água. Para cada copo de farinha, uma colher de chá de sal. A água é jogada aos poucos, até formar uma liga e soltar do fundo da vasilha.

Mas, na prática, como uma criança de 9 ou 10 anos começa a entender a diferença entre os sexos? Tudo é feito de maneira gradativa, priorizando-se, inicialmente, a conscientização da importância da criança no meio em que vive. “Um dos primeiros trabalhos que eles fazem é a construção da árvore genealógica, numa cartolina, trazendo de casa o retrato de suas famílias”, revela a professora Josefina Souza.

Assim, o aluno começa a perceber seu papel dentro da família, incluindo direitos e deveres. Tia Jô, como é carinhosamente chamada pela turma, fica feliz quando sente que seu empenho frutifica. Conta que uma mãe sempre reclamava que, ao chegar em casa, depois do trabalho, invariavelmente a encontrava bagunçada. Um dia, porém, teve uma surpresa: tudo estava em ordem. Foi justamente depois da tarefa desenvolvida na escola.

Uma outra atividade que atrai a atenção das crianças é o contorno do corpo num papel pardo. O aluno deita-se no chão, com os braços um pouco afastados do corpo, e um amiguinho faz o traçado com caneta. O objetivo da brincadeira é conscientizá-los sobre as diferenças biológicas entre masculino e feminino e também os sentimentos pertinentes a ambos os sexos.
Depois do contorno feito, todos, entusiasmados, se põem a escrever, “dentro” do corpo, palavras relacionadas aos sentimentos. Quando se pergunta qual órgão está associado ao amor, eles escrevem “amor” no coração; a palavra “carinho”, em geral, é relacionada à mão, por causa do toque, e aos braços, em função do aconchego da mãe.

Até o simples jogo de amarelinha, hoje um pouco esquecido, serviu de inspiração para a professora Josefina trabalhar o conteúdo teórico-científico de sua matéria. Ela resolveu abrir vários sacos de lixo grandes. Em seguida, juntou-os com uma fita adesiva transparente, até formar um tapete quase do tamanho da sala de aula, e nele, com fita adesiva colorida, formou a amarelinha.

O dado, também “gigante”, foi feito com uma caixa de papelão forrada, em cujas laterais colocaram-se bolas de papel crepom, de um a seis, tal como a marcação dos dadinhos plásticos encontrados nos jogos infantis. “Aí, as crianças jogam aquele “dadão” e vão pulando nas casas da amarelinha. Só que quando cai, por exemplo, na casa 3, tem algo escrito: “Você esqueceu a camisinha, volte duas casas”. Então, elas voltam duas casas. Aí cai em outra casa, 22, por exemplo. Dessa vez, surge uma pergunta: “Qual é o órgão sexual externo do menino?” Se a criança erra, e não responde: ‘pênis’, ela tem de voltar para o início do jogo”, detalha Josefina Souza.

Com essas e outras diversas atividades, Josefina marca seu encontro com cada turma, às segundas e quintas-feiras, durante uma hora por dia, tempo que, a julgar pelas declarações dos alunos deixadas no quadro de avisos, poderia ser prolongado.

Embasamento Técnico-Científico

Depois da etapa lúdica, as crianças partem para a biblioteca, onde, sentadas sempre em círculo, recebem um embasamento técnico-científico e de conceituação. O curioso é que elas poderiam se sentir constrangidas em questionar o corpo e a própria sexualidade em casa. No entanto, não demonstram a menor vergonha de expor suas dúvidas. Com a palavra, Luiz Fernando, de 12 anos: “Estou aprendendo que a partir do sexo eu vim ao mundo. Na hora das aulas, também podemos perguntar tudo que desejamos saber, sem que nossos colegas fiquem rindo da gente.”

A educadora sexual Josefina Maria Albino de Souza, a exemplo de tantas colegas de magistério, tem um sonho: “Meu desejo é justamente o de divulgar esse trabalho. E eu tenho certeza de que todos os professores que lerão essa reportagem irão se interessar pelo projeto. Eu gostaria muito que escolas públicas e privadas trabalhassem a educação sexual, porque a sexualidade está arraigada no ser humano, mas precisa ser vivida com afeto, e não com promiscuamente”, finaliza.

Escola Municipal Diogo Feijó
Tel.: (021) 2492-2293http://www.appai.org.br/Jornal_Educar/Jornal33/orientacao_educacional/educacao.htm

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