“Continuo buscando, re-procurando. Ensino porque busco, porque indaguei, porque indago e me indago. Pesquiso para conhecer o que ainda não conheço e comunicar e anunciar a novidade”.

Paulo Freire


quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Piaget: “Nasceu Gente, é Inteligente”

Piaget: “Nasceu Gente, é Inteligente”



       Ao longo do ano letivo numa escola pública de Ensino Fundamental, com 515 alunos, em média, mais de 60 alunos, das diversas turmas foram encaminhados á avaliação psicopedagógica, com suspeitas de dificuldades de aprendizagem ou ANAEEs, é um quantitativo grande. Após “troca de idéias” com os professores, sobre as queixas apresentadas, sobre as várias possibilidades de intervenções que eles poderiam fazer entrevistas e intervenções com as famílias, oficinas de auto estima realizadas pela Equipe, apenas 4 alunos permaneceram na investigação de deficiência intelectual e 5 alunos com suspeita de TDAH, permaneceram aguardando laudo médico. O restante “aprendeu”, mesmo com defasagem, num ritmo mais lento, não apresentaram nenhum tipo de deficiência. Porque o professor mudou a situação.
        Percebe-se que falta aos professores informações que possam dar a eles a capacidade de perceber a diversidade no universo de sua turma, para evitarem o preconceito, até que tenham trabalhado e mudado a situação da maioria dos casos suspeitos. Isso fica claro, quando um professor de 4ª série (5º ano), encaminha um aluno com a queixa de que ele tem dificuldades de aprendizagem, com suspeita de ser ANAEE. Se esse aluno já está na 4ª série (5º ano), com certeza ele aprende; ele pode estar dentro de outro contexto, como defasagem de conteúdos anteriores, ritmo e raciocínio lento, um déficit de atenção, indisciplina...
       Com referência á este pré-diagnóstico que o professor faz da sua turma, A psicopedagoga Maria Cristina Mantovanini* realizou uma pesquisa em uma escola pública de São Paulo, relatou numa entrevista á Revista Nova Escola, “pedi aos professores que separassem os alunos bons dos ruins. Resultado 40% das crianças foi considerado ruim. Avaliei todas elas e constatei que nenhuma tinha problemas cognitivos”
      Em outras experiências, só que agora em salas de aulas, Salas Especiais de ANAEEs - alfabetização, em escolas do Ensino Regular e no próprio Centro de Ensino Especial, não é rara as crianças com diagnósticos errados. Alunos encaminhados pela escola, para “se livrar de um problema”, criando outro problema para estas crianças, que podem ou não superar suas dificuldades graças ao rótulo, pois passam a acreditar que “não aprendem (“ “a professora já falou”!). Quando é dito que esses alunos não terão diagnósticos fechados, este ano, porque eles não receberam um atendimento pedagógico diferenciado, e percebe-se o pessimismo do professor, que não vai fazer nada para mudar essa situação, é feito então um encaminhamento médico, porque fechar um psicodiagnóstico, sem antes ter realizado todos os recursos pedagógicos com esse aluno, é muito grave e de uma grande responsabilidade.
       Piaget tem uma premissa “Nasceu gente, é inteligente”, inteligente porque aprende. Acredite sempre que todos são capazes de aprender.



Professores e Alunos Problemas: Um Círculo Vicioso –Ed Casa do Psicólogo, 173 páginas.
*Maria Cristina Mantovanini- Psicopedagoga –telefone (11)3034 3600

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