“Continuo buscando, re-procurando. Ensino porque busco, porque indaguei, porque indago e me indago. Pesquiso para conhecer o que ainda não conheço e comunicar e anunciar a novidade”.

Paulo Freire


sexta-feira, 26 de novembro de 2010

LUTO E PERDAS...

LUTO E PERDAS...                    
CRIANÇA DEPRIMIDA, BAIXA AUTO ESTIMA ,BAIXO DESEMPENHO ESCOLAR

       Em média,  cinqüenta crianças, por dia, sofrem a morte de um dos pais, e um número maior sofre a perda  por morte de um parente próximo, amigos ou animais de estimação.


     O luto para a criança se constitui também na separação dos pais, abandono... como lidar com essa situação que altera a atuação do seu aluno, em sala de aula?
        Os Estados Unidos foram os primeiros a colocar nos currículos escolares, aulas de estudos sobre a morte. Tema que ganha dimensão na vida das crianças em idade escolar, graças à violência que impera em todos os setores da sociedade, e principalmente, nas famílias da periferia das cidades, onde prolifera o tráfico de drogas;
as crianças presenciam ou são atingidas pela morte prematura e violenta de irmãos mais velhos ou de outras  crianças, por balas perdidas.
 Muitas pessoas não pensam no quanto estas crianças são afetadas pelas perdas e morte, julgando que logo se esquecem, pela fácil adaptação que possuem frente ás  novas situações;

     E a criança que sofre perdas de entes queridos? Como o professor vai abordar a questão?
        Assim como o adulto a criança passa por quatro estágios do luto.

                                                                                              
·      Choque – mantendo atitudes normais, é o  primeiro estágio, na verdade, se caracteriza como negação emocional, comportamento que sugere “um lidar bem com a situação”,que pode durar horas, dias ou semanas.
·       Raiva e sensação de injustiça – por que eu? Por que comigo? Muitas vezes a pessoa, a criança, procura um culpado, sente a necessidade de acusar alguém. Neste estágio, pode haver sintomas físicos: insônia, concentração, falta de apetite...
·      Tristeza, sofrimento, saudade – este é um estágio mais prolongado em que predomina a depressão e solidão. Há, muitas vezes, a necessidade de reviver o passado, contar histórias... reler cartas, rever fotografias, chorar, ficar muito isolado; é um estágio muito importante que deve ser vivido intensamente, para a superação do luto.
·      Reconstrução – Aos poucos a vida volta ao normal, readquirido o seu sentido, e dura no mínimo um ano. Mas há casos em que este estágio só vai ser superado, no caso de crianças, e mesmo dos adultos, muito tempo depois.
                                                             
          O desejo de consolar, que todos naturalmente têm de dizer “não fique triste”, “não chore”, deve ser evitada, pois o que o indivíduo enlutado necessita, naquele momento, é ser apoiado em seu sofrimento e não ser retirado da sua dor, porque deve passar por todos os estágios para ficar bem, posteriormente.
       O professor deve assumir um papel de estabilidade, de “um porto seguro”, de apoio, de escuta, de amparo e força. Assim como: “Eu estou aqui e você pode contar comigo”. Isso é muito importante para a criança, pois nesse momento está sentindo-se abandonada, só, perdida, e o professor é uma figura forte em sua vida.

                                           
       É o momento em que o olhar do professor deve ser estendido á toda a sua turma, pois poderá haver outros alunos que podem sentir medo de perder, também, alguém querido, e talvez queiram falar sobre o assunto. Outro pode vir a ter  medo da própria morte, e achar que vai morrer... E ainda outros que ainda não superaram algum dos estágios em suas perdas.
       O ideal é que o professor faça uma abordagem do tema, criando gestos de apoio ao colega, como assinar um cartão em grupo, ou individualmente, como quiserem, sem muito assédio e compaixão.
      Muitas perguntas poderão surgir, principalmente com conotações religiosas.      Concorde, que aquele ser querido está com Deus, mas sem implicações detalhistas, que podem criar expectativas e tantos outros sentimentos insondáveis.
      Deve-se dizer que esse é o processo de vida, em todos os seres, mas muitos motivos e detalhes não são conhecidos. Uns dizem alguma coisa, outros dizem outras, mas ninguém sabe ao certo. E a criança vai ficar com a crença que ela escolher, interiormente.
     São as mais variadas perguntas, mas a criança tem que saber o limite do  conhecimento do professor, e incentivá-la a ter suas próprias idéias. A proximidade com a família, provavelmente, também fragilizada vai fortalecer o apoio da escola ao aluno.

        O luto é um processo interno muito individual que pode se prolongar por um tempo maior, e o professor deve estar preparado para ligar as mais diversas reações da criança á respeito de tudo e de nada: choro repentino, agressões, isolamento, falta de concentração, e até mesmo o contrário, esforçar-se e dedicar-se intensamente ás atividades. E em momento algum reprimir, sem também deixá-la ultrapassar limites. Deixá-la exteriorizar seus sentimentos na forma que lhe for peculiar e aguardar o tempo de superação.

Fonte de Pesquisa:

Bromberg, M. H. P. F. (1994). A Psicoterapia em Situações de Perdas e Luto. São Paulo: Psy II.
Ballone, G. J. (2005). Introdução - Depressão - in. PsiqWeb, Internet, disponível em
www.psiqweb.med.br.
Criança também fica de luto
Consultora Maria Júlia Kovács
Do Laboratório de Estudos sobre a Morte, da Universidade de São Paulo
reitas, N. K. (2000). Luto Materno e Psicoterapia Breve. São Paulo: Summus

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