“Continuo buscando, re-procurando. Ensino porque busco, porque indaguei, porque indago e me indago. Pesquiso para conhecer o que ainda não conheço e comunicar e anunciar a novidade”.

Paulo Freire


domingo, 21 de novembro de 2010

ELE FOI ALFABETIZADO NO 3 ANO, AOS 9 ANOS DE IDADE!

ELE FOI ALFABETIZADO NO 3º ANO, AOS 9 ANOS.
A Equipe de Apoio Pedagógico conta histórias do seu cotidiano...
 
ADRIEL

          Em 2009, a professora de “A” 8 anos, 2º ano, estava se aposentando e foi até a sala da Equipe de Apoio á Aprendizagem, pedir que não deixassem seus alunos sem atendimento. Estávamos chegando à escola, formando a Equipe, e pedimos que ela deixasse um relatório, sobre cada um de seus alunos. E entre eles estava “A”.
DOMINGAS
         Todos foram levados ás avaliações pedagógicas da Equipe e “A” chegou alegre, brincalhão, Mas quando viu que havia atividades pedagógicas á fazer, entrou em um estado depressivo repentino. Em vários momentos “A” foi convidado a participar do atendimento da Equipe, e mesmo durante o “acolhimento”, “A” não conseguia mudar os estados emocionais que variavam do nervosismo á tranqüilidade.NAÕ QUE ESCOLA
        O aluno estava consciente das limitações que possuía, naquele momento de sua vida, em relação ao seu processo de letramento, e sentimos que havia uma relação entre as variações de seus estados emocionais e suas dificuldades de aprendizagem.
         Imediatamente colocamos o aluno nas Oficinas Pedagógicas – Auto Estima / Grupos de Vivência, e desenvolvimento da psicomotricidade, pelo período de 4 meses, enquanto levantávamos sua história de vida.20
         A família foi convidada para uma entrevista, e o relato sobre a história de vida de “A”, desde o momento da concepção até os dias atuais, foi de certa forma assustadora; alertamos a atual professora, quanto à paciência e a tolerância em relação ás cobranças do desempenho em sala de aula, até que a investigação chegasse á uma conclusão.
         Segundo a mãe, durante a gravidez passou por desnutrição, por não ter meios de adquirir uma alimentação adequada ao seu estado de gestação, em grau profundo de anemia, por falta de recursos financeiros, sendo ajudada pelos vizinhos com alimentos.
        Houve complicações durante o parto, o bebê nasceu “roxo”, não chorou ao nascer e ficou na UTI - Neonatal, até estar em condições de ir prá casa.
Durante a infância passou por vários episódios de enfermidades e acidentes, como quedas, ser atingido na cabeça por algum objeto cortante causando sangramento, quando tinha dois meses de idade. Queixou dores de cabeça por vários anos.INFANCISA
        O controle dos esfíncteres foi demorado, e ainda hoje, tem incontinência urinária. Agora, é independente nas atividades da vida diária.
É insone, mas quando dorme o sono é tranqüilo.
E em relação á família, o avô e uma tia irmã do pai tiveram transtornos mentais, chegando a ficar internados. Casos de suicídios, depressões em parentes bem próximos.
       O seu desenvolvimento da oralidade se deu com um ano e seis meses; em relação á marcha (o desenvolvimento motor) caia muito até aos 5 anos, e machucava bastante. RECUPERAÇÃO
        Assim que entrou na escola, na Educação Infantil, teve algum tipo de problema durante o 2º semestre, com 5 anos de idade, e á partir daí, não quis mais ir á escola; a mãe desconhece o acontecimento que desmotivou o filho á ir á escola.
        A mãe educa com rigor, “fala muito, bate e grita”.
       “A” é carinhoso, tranqüilo, gosta de brincar com crianças de sua idade, faz amigos com facilidade.16
         Quanto aos seus estados emocionais, é medroso, desligado, quando fica nervoso chora muito. Gosta de assistir TV, músicas, jogar bola e ir prá Igreja.
         “A” chegou ao Apoio Pedagógico através de um relatório do professor que justificava o encaminhamento por “estado emocional ansioso, exige atenção exclusiva, defasagem de conteúdos, e pânico diante da solicitação para realizar atividades pedagógicas”.
         Durante os vários momentos de sondagens de conhecimentos pedagógicos adquiridos, em 2009, demonstrou atenção, concentração e interesse no desempenho das atividades propostas. Observamos falhas na psicomotricidade.   Na oralidade e escrita, “A” escrevia somente nome, conhecia algumas letras do alfabeto, e nem conseguia ler; não tinha assimilado o processo de codificação, sem relacionar o fonema á letra;A3 interpretava  gravuras com ajuda através de um vocabulário simples; no nível da psicogênese encontrava-se pré-silábico. Com uma grande defasagem em relação á série cursada.NUMERAIS
          Quanto ao raciocínio lógico matemático apresentou um desenvolvimento melhor. Identificou e escreveu numerais, relacionou pequenas quantidades, noção de adição e subtração simples. Apresentou dificuldades em resolver situações problemas de estrutura simples. Encontrava-se em um nível intermediário entre o pré-operatório se o operatório concreto.
         Diante deste quadro, por não termos psicóloga na escola, encaminhamos “A”, acompanhado de um relatório, á uma avaliação neurológica, para em seguida ser fechado um diagnóstico, por uma psicóloga itinerante, da Secretaria de Educação.
          Como a fila no atendimento médico da rede pública é muito demorada, “A” chegou em 2010, com apenas uma solicitação médica de um exame de eletro encefalograma, e uma suspeita de dislexia, e quadro depressivo. Novamente foi prá fila do exame neurológico, para o qual, ainda não foi chamado

Nenhum comentário:

Postar um comentário

. Não seja apenas um visitante. Deixe seu comentário. Este é um espaço de intercâmbio de conhecimentos Entre educadores, e não apenas de divulgação de informações e conteúdos PARA educadores