“Continuo buscando, re-procurando. Ensino porque busco, porque indaguei, porque indago e me indago. Pesquiso para conhecer o que ainda não conheço e comunicar e anunciar a novidade”.

Paulo Freire


terça-feira, 9 de novembro de 2010

“É preciso despertar o sentimento, para se viver a sexualidade com prazer e responsabilidade”, explica Josefina, que, em outubro passado, foi convidada a participar do Congresso Latino-Americano de Sexologia, na Venezuela, onde atuou como conferencista. E, em apenas dois anos, já podem ser percebidas as conquistas na comunidade local, conhecida como Taquara do Alto.

Os alunos que, em 2000, estavam na 4.ª série, hoje estão na 6.ª, mas em outra escola, já que a Diogo Feijó só vai até a 4.ª série. No entanto, eles ainda mantêm o vínculo com os professores e, com freqüência, voltam para matar saudades. “Desses alunos, nenhuma engravidou, nenhum está envolvido com drogas – também fazemos um trabalho de prevenção contra o uso de drogas – e, por incrível que pareça, nenhum desses meninos e meninas ainda se envolveu com namorados firmes e fixos”, relata feliz a educadora.

Segundo ela, isso é mais um sinal de que a orientação sexual não estimula a prática, mas dá instrumentos para que o sexo seja realizado de forma sadia e consciente. “Muitas pessoas têm a visão de que trabalhar educação sexual na escola vai despertar o aluno para o sexo precoce, mas é justamente o contrário”, alfineta Josefina, que, no primeiro semestre de 2003, junto com mais três autoras, deverá lançar o livro Adolescente: Esse Ser Mutante, que fala sobre sexualidade na juventude.

Informação – Uma Aliada no Dia-a-Dia


Intimamente ligadas à televisão, as crianças se vêem perdidas diante de tanta informação e cenas de conteúdo erótico e violento. Muitas solicitam explicação dos familiares que, atônitos, ou respondem com sinceridade ou fogem da missão do esclarecimento. Os que agem assim acabam jogando a responsabilidade para o professor. “Hoje, a escola é um lugar privilegiado para você trabalhar essas questões, porque pelo menos ali a criança vai aprender a lidar com seus valores, seus conceitos, a formar seus sentimentos e a fazer troca com seus colegas” – diz Josefina Maria Albino de Souza.

A bandeira levantada pela educadora encontra respaldo entre mães e crianças. A dona de casa Olga Lúcia Fernandes, mãe de Gabriel, 9 anos, aluno da 2.ª série de uma escola particular no Grajaú, Zona Norte do Rio, confessa que, às vezes, fica embaraçada quando o filho lhe pergunta algo. “O mundo está evoluindo num piscar de olhos e essas informações têm de ser passadas de maneira natural e o mais cedo possível. Acho que um especialista, alguém capacitado, pode cumprir bem esse papel, afinal, minha vivência é de mãe”, justifica Olga. A pequena Daiana, de 10 anos, aluna da Escola Diogo Feijó, assina embaixo. “A minha família nunca falou comigo sobre sexualidade e estou gostando muito de aprender com a minha professora”.

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