“Continuo buscando, re-procurando. Ensino porque busco, porque indaguei, porque indago e me indago. Pesquiso para conhecer o que ainda não conheço e comunicar e anunciar a novidade”.

Paulo Freire


segunda-feira, 22 de novembro de 2010

AS CONSTRUÇÕES COGNITIVAS E SEUS OBSTÁCULOS

As Construções Cognitivas
E seus Obstáculos

  



Os grandes estudiosos dos processos cognitivos têm um ponto em comum, as múltiplas causas, quando se conhece a história das crianças.

       Os obstáculos cognitivos podem ter sua origem tanto no próprio organismo, quanto aos aspectos do meio cultural, das relações interpessoais, gerando baixa auto estima, ou dificuldades afetivas que interferirão na construção cognitiva. Uma vez que a conduta é resultante da construção das relações entre o indivíduo e o meio. Assim também as dificuldades cognitivas reais, dentro das questões físicas, que se não forem bem conduzidas, no início, tornarão problemas ainda mais complexos.

  A questão contextualizada de nossas crianças extremamente ligadas ás relações interpessoais e as dificuldades afetivas, ao primeiro olhar, dá a impressão de que se forem trabalhadas serão impedidas de causarem maiores prejuízos nos processos cognitivos em sala de aula, mas quando depende de outras parcerias, com a da família, muitas vezes, são muito mais difíceis e se prolongam por mais tempo, causando estragos, dificilmente de serem erradicados.
         O quadro com o qual nos deparamos atualmente, da infância e adolescência, como etapas particulares da vida e suas necessidades específicas, não encontra precedentes na história da humanidade.
        A família sempre será o espaço de afeição entre pais e filhos, assim com a educação. Só que isso, nestes tempos modernos, ficou invisível. As crianças e os adolescentes estão sendo relegados ao descaso, por parte das famílias, e a escola vem assumindo esse papel compulsoriamente. Tanto que vivemos o século da “proteção á criança e ao adolescente” que, hoje, vivem sob estatutos, direitos... Desprovidas da proteção e do cuidado adultos, elas estão ficando de fora do curso do desenvolvimento normal, das descobertas, do conhecimento...
         Mas a escola não tem que assumir o papel da família, então por que isso está acontecendo? Porque a falta do papel da educação e afetividade por parte da família, está entrando com as crianças e os adolescentes em forma de dificuldades de aprendizagem, violência, e tantos outros transtornos, para dentro da escola. 
                                                              
      Pippa Alsop e Trisha McCaffrey, em Transtornos Emocionais na Escola (1999) assinalam que “Nas circunstâncias em que a aura infantil é maculada pela interpelação da vida adulta (separação dos pais, depressão, abuso sexual, drogas...), ou mesmo pela impiedade da natureza (deficiências, doenças graves, mortes...), um misto de estarrecimento e comoção parece assolar de modo extensivo. É como se algo tivesse sido irremediavelmente usurpado, uma vez que os elos sucessivos do desenvolvimento ter-se-iam rompido para sempre. Resta-lhes-ia seguir a esmo, viver á deriva?”
         Normalmente, as pessoas não estão acostumadas a lidar com situações traumáticas. Nem todos sabem lidar com pessoas que estão sob eventos muito tristes. Há uma insegurança sobre o que dizer, o que fazer... Essas situações são rotineiras na vida escolar dos nossos alunos.
          Morte violenta ou natural, perda de um dos pais por morte ou separação, um abuso psicológico ou sexual na família, negligência, maus tratos, novo bebê na família,
geralmente filho de outro pai, pais usuários e/ou traficantes de drogas, pais presidiários, abandono...
São alguns dos Transtornos Emocionais, experiências desagradáveis de excesso ou de ausência de estimulação que, potencial ou efetivamente prejudica a saúde física e/ou emocional e na criança, causar deficiência no desenvolvimento.
        Os professores não têm a responsabilidade de enfrentar todos os traumas da vida de uma criança, mas através da compreensão podem fazer a diferença em sua vida.   



             Professores fazem a diferença e aquilo que realizam pode fazer muita diferença e aqueles momentos da infância, a criança vai procurar esquecê-los ao longo de sua vida, mas aquele professor que o ajudou jamais será esquecido.
       Por estes e por muitos outros motivos há que se ter “um olhar mais além e uma atitude mais humana”, antes de diagnosticar um aluno, como portador de necessidades educacionais especiais.


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