“Continuo buscando, re-procurando. Ensino porque busco, porque indaguei, porque indago e me indago. Pesquiso para conhecer o que ainda não conheço e comunicar e anunciar a novidade”.

Paulo Freire


sábado, 27 de novembro de 2010

A EQUIPE DE APOIO PEDAGÓGICO CONTA HISTÓRIAS DO SEU COTIDIANO...

A EQUIPE DE APOIO PEDAGÓGICO CONTA HISTÓRIAS DO SEU COTIDIANO...

LUTOS E PERDAS...
                                                               
 (os nomes usados são fictícios)
        
      Fevereiro de 2010, início do ano letivo.
       Semana Pedagógica, os professores escolhendo turmas, planejamentos, decoração das salas de aula... A Equipe de Apoio Pedagógico deixando a sala de Atendimentos bem “acolhedora”... organização de arquivos, fichas de encaminhamentos, planejamento das oficinas pedagógicas...

         Os alunos chegam finalmente, muita alegria, risos, correria á procura das salas... a escola voltou a ser a escola, novamente!
              Organizando o material da Equipe, pastas, formulários, murais, quando inesperadamente surge uma solicitação de atendimento. Surpresa! Na primeira semana de aula supõe-se que o professor ainda não conhece o seu aluno, e se conhece ainda não realizou com ele nenhum trabalho interventivo que pudesse sanar qualquer dificuldade... mas guardamos tudo rapidamente para “escutar”, o professor... mas não se tratava do professor, mas da vice-diretora. Sentamos, fechamos a porta para ouvir, o que poderia ser?
  
         “Gostaria que você atendesse o “Pedro”, 10 anos, 4ª série. A professora pediu que eu falasse com a família, pois ele nunca veio prá escola como está vindo: sujo, não está tomando banho, e parece diferente...” antes de chamar a família,disse ela, pensei em falar com ele, e pedi alguém prá dizer ao “Pedro” que viesse até a minha sala. Eu estava na porta e assim que “Pedro” me viu, se aproximou chorando, dizendo: “tia, minha mãe morreu...”, conversei com ele e pedi que a família viesse á escola.”
         Esse é aquele momento que é preciso saber bem o que fazer o que dizer...
        Como no 1º bimestre, não há encaminhamentos de “queixas” dos professores em relação a dificuldades de aprendizagem, pensamos em passar nas salas, com uma ficha de encaminhamento ao Apoio, caso houvesse, algum aluno com problemas emocionais já conhecidos ou de algum acontecimento recente;  pensamos em formar um grupo de 8 a 9 alunos, para o primeiro bimestre, de Oficinas Pedagógicas de Auto Estima, onde “Pedro” seria atendido.
     A surpresa foi maior, porque havia vários casos de crianças em estados depressivos por luto e perdas, vejam:
   “Ana Júlia, 3ª série, 9 anos – o irmão de 13 anos envolvido com traficantes estava desaparecido, já havia  um mês. (depois do primeiro mês de atendimento na Equipe deApoio Pedagógico, o irmão de “Ana” foi encontrado num matagal, esquartejado).



"Ygor”, 10 anos, 4ª série – morte (natural) da avó, a cuidadora dele, pois a mãe é ausente, apático e praticando automutilação.


 “Camyla”, 8 anos, 2º ano – separação dos pais, isolada, desinteressada nas aulas, comportamento anti-social (praticando pequenos furtos, na escola e em casa).

 “Leonardo”, 8 anos, 3º ano, sofrendo maus tratos, negligência, enfermidades orgânicas, família sendo acompanhada pelo Conselho Tutelar – calado, com dificuldades de aprendizagem acentuada.

  “Yago”, 8 anos, 3º ano, obeso, mãe alcoólatra, sofre negligência, indisciplinado, agressivo, sofrendo bullying na sala, péssimo desempenho em sala de aula.
 
  “Daniel”, 7 anos, 2º ano, junto com a irmã mais velha presenciou uma cena de violência na rua e a mãe sobreviver á uma “bala perdida”. Ora agressivo, ora deprimido, medo, pesadelos.

 “João Paulo”, 10 anos, 4ª série. Aos 5 anos presenciou o suicídio da mãe, depois de uma briga entre os pais; tem medo da morte, dos familiares morrem, quer protegê-los, problemas de relacionamento com a madrasta.


          E a história que inspirou a busca deste grupo, o “Pedro”, 10 anos, 4ª série – a mãe morreu durante o período das férias, estavam sob os cuidados das avós, “catadores de papel”, que ficam fora todo o dia. Solidão, tristeza, ao mesmo tempo, euforismo, empenho em criar projetos com os colegas,  procura de amigos, de família.

            Todos depressivos, apáticos ou agressivos; mudança do comportamento, dificuldades de atenção, concentração em sala de aula, isolamento e baixo rendimento escolar.
                                                              
        Formamos um grupo de Oficinas Pedagógicas de Auto Estima, e realizamos com essas crianças, o “Projeto Contos de Fadas”, com duração prevista de um bimestre com dois encontros semanais, um para Oficina de Auto Estima e o outro para o projeto “Contos de Fadas”.
         O “Projeto Contos de Fadas” é um projeto que  visa tirar os alunos das dificuldades de aprendizagem, quando elas surgem de conflitos emocionais. 
 É um projeto que, através dos contos de fadas, de forma lúdica, fabulosa, facilita á criança, caminhos que levem aos valores da afetividade, o equilíbrio das emoções, elevando a auto estima


       Bruno Bettelheim – em “a Psicanálise dos Contos de Fadas” (1991) diz assim: “... as crianças de hoje, já não crescem na segurança de uma grande família ou de comunidade bem integrada... e é nesse contexto que a criança precisa mais do que nunca de um instrumento de equilíbrio interior, para que possa obter um desenvolvimento melhor de suas estruturas individuais. Elas precisam de heróis, que tem que se lançarem no mundo, sozinhos, e que apesar de não saberem como é que as coisas vão se resolver encontra lugares seguros, seguindo em frente, com profunda segurança interior.”      
        
       Foi um trabalho longo e difícil, em que alguns alunos permaneceram até o final do ano, ainda em meio ao processo de superação dos estágios do luto. Alguns chegaram ao último estágio, o da reconstrução, como foi o caso do “João Paulo”, “Leonardo”, “Ana Júlia” e “Camyla”.  Alguns passaram de um estágio á outro, enquanto outros permaneceram no estágio em que chegaram, porque a família não colaborou;  quando  a família chega junto com a escola, fica mais fácil. Lembrando ainda, que a passagem pelos estágios do luto é percurso  muito pessoal.
         Um dos recursos que acreditamos que mais exerce um efeito significativo na ajuda ás crianças diante dos conflitos emocionais é o “Projeto Contos de Fadas”, em que Bethelleim faz a seguinte analogia:
        
         “Os contos de Fadas garantem á criança que as dificuldades podem ser vencidas, as florestas atravessadas, os caminhos de espinhos desbravados e os perigos mudados, por mais pequeno e insignificante que seja quem pretende vencer as dificuldades da vida. E a criança desprotegida por natureza, sente que, também ela, pode ser capaz de vencer os seus mais secretos medos”.


SOBRE A MORTE - ANIMAÇÃO - A GIRAFA

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

LUTO E PERDAS...

LUTO E PERDAS...                    
CRIANÇA DEPRIMIDA, BAIXA AUTO ESTIMA ,BAIXO DESEMPENHO ESCOLAR

       Em média,  cinqüenta crianças, por dia, sofrem a morte de um dos pais, e um número maior sofre a perda  por morte de um parente próximo, amigos ou animais de estimação.


     O luto para a criança se constitui também na separação dos pais, abandono... como lidar com essa situação que altera a atuação do seu aluno, em sala de aula?
        Os Estados Unidos foram os primeiros a colocar nos currículos escolares, aulas de estudos sobre a morte. Tema que ganha dimensão na vida das crianças em idade escolar, graças à violência que impera em todos os setores da sociedade, e principalmente, nas famílias da periferia das cidades, onde prolifera o tráfico de drogas;
as crianças presenciam ou são atingidas pela morte prematura e violenta de irmãos mais velhos ou de outras  crianças, por balas perdidas.
 Muitas pessoas não pensam no quanto estas crianças são afetadas pelas perdas e morte, julgando que logo se esquecem, pela fácil adaptação que possuem frente ás  novas situações;

     E a criança que sofre perdas de entes queridos? Como o professor vai abordar a questão?
        Assim como o adulto a criança passa por quatro estágios do luto.

                                                                                              
·      Choque – mantendo atitudes normais, é o  primeiro estágio, na verdade, se caracteriza como negação emocional, comportamento que sugere “um lidar bem com a situação”,que pode durar horas, dias ou semanas.
·       Raiva e sensação de injustiça – por que eu? Por que comigo? Muitas vezes a pessoa, a criança, procura um culpado, sente a necessidade de acusar alguém. Neste estágio, pode haver sintomas físicos: insônia, concentração, falta de apetite...
·      Tristeza, sofrimento, saudade – este é um estágio mais prolongado em que predomina a depressão e solidão. Há, muitas vezes, a necessidade de reviver o passado, contar histórias... reler cartas, rever fotografias, chorar, ficar muito isolado; é um estágio muito importante que deve ser vivido intensamente, para a superação do luto.
·      Reconstrução – Aos poucos a vida volta ao normal, readquirido o seu sentido, e dura no mínimo um ano. Mas há casos em que este estágio só vai ser superado, no caso de crianças, e mesmo dos adultos, muito tempo depois.
                                                             
          O desejo de consolar, que todos naturalmente têm de dizer “não fique triste”, “não chore”, deve ser evitada, pois o que o indivíduo enlutado necessita, naquele momento, é ser apoiado em seu sofrimento e não ser retirado da sua dor, porque deve passar por todos os estágios para ficar bem, posteriormente.
       O professor deve assumir um papel de estabilidade, de “um porto seguro”, de apoio, de escuta, de amparo e força. Assim como: “Eu estou aqui e você pode contar comigo”. Isso é muito importante para a criança, pois nesse momento está sentindo-se abandonada, só, perdida, e o professor é uma figura forte em sua vida.

                                           
       É o momento em que o olhar do professor deve ser estendido á toda a sua turma, pois poderá haver outros alunos que podem sentir medo de perder, também, alguém querido, e talvez queiram falar sobre o assunto. Outro pode vir a ter  medo da própria morte, e achar que vai morrer... E ainda outros que ainda não superaram algum dos estágios em suas perdas.
       O ideal é que o professor faça uma abordagem do tema, criando gestos de apoio ao colega, como assinar um cartão em grupo, ou individualmente, como quiserem, sem muito assédio e compaixão.
      Muitas perguntas poderão surgir, principalmente com conotações religiosas.      Concorde, que aquele ser querido está com Deus, mas sem implicações detalhistas, que podem criar expectativas e tantos outros sentimentos insondáveis.
      Deve-se dizer que esse é o processo de vida, em todos os seres, mas muitos motivos e detalhes não são conhecidos. Uns dizem alguma coisa, outros dizem outras, mas ninguém sabe ao certo. E a criança vai ficar com a crença que ela escolher, interiormente.
     São as mais variadas perguntas, mas a criança tem que saber o limite do  conhecimento do professor, e incentivá-la a ter suas próprias idéias. A proximidade com a família, provavelmente, também fragilizada vai fortalecer o apoio da escola ao aluno.

        O luto é um processo interno muito individual que pode se prolongar por um tempo maior, e o professor deve estar preparado para ligar as mais diversas reações da criança á respeito de tudo e de nada: choro repentino, agressões, isolamento, falta de concentração, e até mesmo o contrário, esforçar-se e dedicar-se intensamente ás atividades. E em momento algum reprimir, sem também deixá-la ultrapassar limites. Deixá-la exteriorizar seus sentimentos na forma que lhe for peculiar e aguardar o tempo de superação.

Fonte de Pesquisa:

Bromberg, M. H. P. F. (1994). A Psicoterapia em Situações de Perdas e Luto. São Paulo: Psy II.
Ballone, G. J. (2005). Introdução - Depressão - in. PsiqWeb, Internet, disponível em
www.psiqweb.med.br.
Criança também fica de luto
Consultora Maria Júlia Kovács
Do Laboratório de Estudos sobre a Morte, da Universidade de São Paulo
reitas, N. K. (2000). Luto Materno e Psicoterapia Breve. São Paulo: Summus

DEPRESSÃO EM CRIANÇAS...

DEPRESSÃO EM CRIANÇAS...

                                            
      Nem sempre a depressão em crianças até 12 anos é identificada. Ela não sabe expressar sentimentos com palavras.
       Os sintomas mais freqüentes da Depressão na Infância e Adolescência costumam serem os seguintes: insônia, choro, baixa concentração, fatiga, irritabilidade, rebeldia, tiques, medos lentidão psicomotora, anorexia, problemas de memória, desesperança, ideações e tentativas de suicídio. A
tristeza pode ou não estar presente.          
             “Examinando-se a criança, nem sempre encontramos os sintomas claros e francos que descrevem seu estado emocional interno. Um esforço de bom senso e perspicácia deve ser dedicado ao exame cínico, buscando aumentar a possibilidade da criança menor ser compreendida quanto aos seus sentimentos, apesar de tais sentimentos serem de difícil identificação. Em muitos casos, observamos apenas uma maior sensibilidade emocional, choro fácil, inquietação, rebeldia e irritabilidade” de acordo com a psicanalista Sandra Mortinho
São resultados de alterações afetivas, que a Organização Mundial de Saúde (OMS) dividiu em duas categorias:
1. Reação de Abandono (ou de Dor e Aflição Prolongadas), que é específica das situações onde falta a figura materna ou de um cuidador afetivamente adequado, e
2. Depressão da Infância Precoce

                               
        As mudanças de comportamento na criança, de extrema importância, é que vão demonstrar que alguma coisa vai mal em relação ao seu estado emocional, e que vai chamar a atenção do professor, e dos pais, principalmente quando observadas dentro do critério do prolongamento em que situam as mudanças comportamentais.
        Se antes a criança estava bem adaptada e passa a apresentar condutas irritáveis, destrutivas, agressivas, com desrespeito ás regras e limites, oposição à autoridade da professora, preocupações e questionamentos como se fossem adultos, é preciso estar com a família, e levantar a história desta criança.

Fonte de Pesquisa
1.      Annell, A.L. (1972). Depressive states in childhood and adolescence. Stockholm, Almquist & Wiksell.
2.      Ciccheti, D. y Toth, S. (1995). Developmental psychopathology, and disorders of affect. En D. Ciccheti y D. Cohen (eds.). Developmental psychopathology, Volume 2: Risk, disorder and adaptation. New York, NY: John Wiley & Sons, Inc.
3.      http://gballone.sites.uol.com.br/infantil/depinfantil.html
4.      Freidl W, Egger J, Friedrich G. - Personality and coping with stress in patients with functional dysphonia. Psychother Psychosom Med Psychol. 1989 Aug;39(8):300-5. German.
5.      Kashani JH, Strober M, Rosenberg TK, Reid JC - Correlates of psychopathology in adolescents. Psychiatry Res. 1988 Nov;26(2):141-8.
6.      Rutter, M., (1986). The developmental psychopathology of depression. Issues and perspectives. En M. Rutter, Izard y Read (eds.). Depression in young people. New York: Guilford Press.  
7.      Rutter, M., Tizard, J. y Whitmore, K. (1970). Education, health and behaviour. London: Logman Group, Ltd.
8.       Weller RA, Weller EB, Fristad MA, Bowes JM. - Depression in recently bereaved prepubertal children. Am J Psychiatry. 1991 Nov;148(11):1536-40.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

TRANSTORNOS EMOCIONAIS -Separação dos pais, depressão, abuso sexual, drogas...


TRANSTORNOS EMOCIONAIS

Separação dos pais, depressão, abuso sexual, drogas...



Como o professor pode identificar em seu aluno algum transtorno emocional? E o que ele pode fazer com essa criança?
        
           Os transtornos emocionais que as crianças trazem para a Escola, através de seus comportamentos diferenciados muitas vezes, levam o professor a suspeitar que o aluno possa ser portador de alguma deficiência, pois sua capacidade cognitiva e seu desempenho escolar, vão estar afetados. O aluno pode estar alheio, apático, desmotivado ou o extremo contrário, agitado, agressivo, não presta atenção, não concentra, sugerindo um quadro de hiperatividade.

             Os educadores são os primeiros a observar que alguma coisa está errada com o comportamento do seu aluno. Essa facilidade deve-se, por estar atento á todo comportamento que foge ao comportamento padrão da turma, que são: atenção, interesse, participação, interação e realização de atividades pedagógicas, entre outras.
      Os pais podem não perceber, não reconhecer, não admitir ou não aceitar problemas emocionais em seus filhos, e o professor que está numa posição mais crítica, com um envolvimento afetivo diferente do que os pais têm em relação aos filhos, percebem com a maior facilidade.

Sinais de Problemas Emocionais na Sala de Aula
          Se a criança ou adolescente que até há pouco tempo vinha mantendo um comportamento melhor ajustado, com rendimento escolar aceitável e que, de repente, modifica seu comportamento e desempenho escolar, algo pode está acontecendo; depressão, transtornos de aprendizagem, déficit de atenção e hiperatividade, transtornos de comportamento, de ansiedade, doenças psicossomáticas, problemas de personalidade e, menos freqüentemente, síndromes e sinais muito evidentes de Deficiência Intelectual.  

              A depressão, por exemplo, embora seja comum em qualquer idade e nos dois sexos, tem sintomas diferentes; nos meninos pode manifestar-se como rebeldia, agressividade e irritabilidade, nas meninas com isolamento, fobias e ansiedade.
         No Brasil, aparentemente a política do ensino público, é ensinar.  A tática de obter resultados na atual formação continuada faz com que os transtornos emocionais dos alunos, sejam considerados assunto da saúde e não da educação.

            Se, infelizmente, as crianças trazem seus estados emocionais para dentro da escola, e se o quantitativo de alunos dentro deste contexto tem crescido assustadoramente, a ponto de comprometer o desempenho escolar de uma turma em, pelo menos, 10º dos alunos, então o problema tem que ser enfrentado em primeiro lugar pela escola e família, e em última instância a saúde.

          Antes da década de 60, a família mais estruturada, impunha regras e limites e a orientação paterna  rígida até demais, era o ícone da família. Depois dessa fase, veio à época dos acordos entre pais e filhos, a recomendação politicamente correta dos diálogos, discussões e decisões conjuntas.
                                                                  A partir de 1970 a infância e adolescência passaram a ter uautonomia desmedida, algo imerecida e muitas vezes irresponsável. Liberdade era a palavra chave, muitas vezes confundida com irresponsabilidade e inconseqüência, e não apenas das próprias crianças e adolescentes, mas, inclusive, dos próprios pais...

         Hoje a estrutura familiar perdeu sua unicidade, a figura do pai foi se perdendo nas dobras do desenvolvimento da liberação feminina, onde cada um dos cônjuges procura o que é melhor prá si e os filhos ficaram em terceiro plano, e muitos ficaram em plano nenhum.
        As crianças desta geração já nasceram em uma cultura bastante marcada pela educação liberal e a delimitação dos limites de conduta se transformou em tarefa difícil, quase impossível, tamanha oposição que sofrem principalmente os professores educadores pela estrutura social moderna.



        Os pais, na maioria, separados, perderam a autonomia sobre os filhos, com o desaparecimento da figura do pai dentro de casa. Sem a pretensão de generalizar, as mães ficaram muito permissivas, para justificar a ausência do lar; e o pai, nas famílias de baixa renda, ausentes, omissos ou permissivos, e os filhos negligenciados.
      E deste contexto em que se enquadram nossas crianças de escolas públicas, é que surgem os transtornos emocionais que chegam até a escola, e que os professores, não sabem como lidar com eles, mas também não podem ignorá-los, porque está prejudicando o processo de ensino/aprendizagem.
         E as conseqüências dos transtornos emocionais, gerados pela separação dos pais, novo casamento, novo bebê na família, por pais usuários de drogas, presidiários, pela negligência, gerando abuso sexual e/ou psicológico, depressão, agressividade, apatia, baixa auto estima, drogas... entre outros.


             Há que se ter, na escola, onde as crianças passam a maior parte de seu dia, uma política comportamental global, onde a Equipe de Apoio á Aprendizagem, vai atuar intermediando entre professor, aluno e família, um trabalho multidisciplinar, através de ações positivas dentro da própria escola, e encaminhamentos aos recursos externos, como, o serviço-médico da rede pública, e o Conselho Tutelar.



Fonte de Pesquisa:
Orientações Pedagógicas – SEEAA/2010- SE-Df
Masten, A.S.et al (1988) Competence and Stress in School Children
Transtornos Emocionais na Escola - Ballone GJ, Moura EC - Problemas Emocionais na Escola, Parte 1, in.
PsiqWeb, Internet, http://www.psiqweb.med.br/site/




    








segunda-feira, 22 de novembro de 2010

AS CONSTRUÇÕES COGNITIVAS E SEUS OBSTÁCULOS

As Construções Cognitivas
E seus Obstáculos

  



Os grandes estudiosos dos processos cognitivos têm um ponto em comum, as múltiplas causas, quando se conhece a história das crianças.

       Os obstáculos cognitivos podem ter sua origem tanto no próprio organismo, quanto aos aspectos do meio cultural, das relações interpessoais, gerando baixa auto estima, ou dificuldades afetivas que interferirão na construção cognitiva. Uma vez que a conduta é resultante da construção das relações entre o indivíduo e o meio. Assim também as dificuldades cognitivas reais, dentro das questões físicas, que se não forem bem conduzidas, no início, tornarão problemas ainda mais complexos.

  A questão contextualizada de nossas crianças extremamente ligadas ás relações interpessoais e as dificuldades afetivas, ao primeiro olhar, dá a impressão de que se forem trabalhadas serão impedidas de causarem maiores prejuízos nos processos cognitivos em sala de aula, mas quando depende de outras parcerias, com a da família, muitas vezes, são muito mais difíceis e se prolongam por mais tempo, causando estragos, dificilmente de serem erradicados.
         O quadro com o qual nos deparamos atualmente, da infância e adolescência, como etapas particulares da vida e suas necessidades específicas, não encontra precedentes na história da humanidade.
        A família sempre será o espaço de afeição entre pais e filhos, assim com a educação. Só que isso, nestes tempos modernos, ficou invisível. As crianças e os adolescentes estão sendo relegados ao descaso, por parte das famílias, e a escola vem assumindo esse papel compulsoriamente. Tanto que vivemos o século da “proteção á criança e ao adolescente” que, hoje, vivem sob estatutos, direitos... Desprovidas da proteção e do cuidado adultos, elas estão ficando de fora do curso do desenvolvimento normal, das descobertas, do conhecimento...
         Mas a escola não tem que assumir o papel da família, então por que isso está acontecendo? Porque a falta do papel da educação e afetividade por parte da família, está entrando com as crianças e os adolescentes em forma de dificuldades de aprendizagem, violência, e tantos outros transtornos, para dentro da escola. 
                                                              
      Pippa Alsop e Trisha McCaffrey, em Transtornos Emocionais na Escola (1999) assinalam que “Nas circunstâncias em que a aura infantil é maculada pela interpelação da vida adulta (separação dos pais, depressão, abuso sexual, drogas...), ou mesmo pela impiedade da natureza (deficiências, doenças graves, mortes...), um misto de estarrecimento e comoção parece assolar de modo extensivo. É como se algo tivesse sido irremediavelmente usurpado, uma vez que os elos sucessivos do desenvolvimento ter-se-iam rompido para sempre. Resta-lhes-ia seguir a esmo, viver á deriva?”
         Normalmente, as pessoas não estão acostumadas a lidar com situações traumáticas. Nem todos sabem lidar com pessoas que estão sob eventos muito tristes. Há uma insegurança sobre o que dizer, o que fazer... Essas situações são rotineiras na vida escolar dos nossos alunos.
          Morte violenta ou natural, perda de um dos pais por morte ou separação, um abuso psicológico ou sexual na família, negligência, maus tratos, novo bebê na família,
geralmente filho de outro pai, pais usuários e/ou traficantes de drogas, pais presidiários, abandono...
São alguns dos Transtornos Emocionais, experiências desagradáveis de excesso ou de ausência de estimulação que, potencial ou efetivamente prejudica a saúde física e/ou emocional e na criança, causar deficiência no desenvolvimento.
        Os professores não têm a responsabilidade de enfrentar todos os traumas da vida de uma criança, mas através da compreensão podem fazer a diferença em sua vida.   



             Professores fazem a diferença e aquilo que realizam pode fazer muita diferença e aqueles momentos da infância, a criança vai procurar esquecê-los ao longo de sua vida, mas aquele professor que o ajudou jamais será esquecido.
       Por estes e por muitos outros motivos há que se ter “um olhar mais além e uma atitude mais humana”, antes de diagnosticar um aluno, como portador de necessidades educacionais especiais.