“Continuo buscando, re-procurando. Ensino porque busco, porque indaguei, porque indago e me indago. Pesquiso para conhecer o que ainda não conheço e comunicar e anunciar a novidade”.

Paulo Freire


terça-feira, 26 de outubro de 2010

TOLERÂNCIA ZERO - ACONTECEU EM JUIZ DE FORA- MG - DEU CERTO?

                   VIOLÊNCIA NA ESCOLA  - ESTUDO DE UM CASO


                                                              Ana Maria Morais Fonte
                                                   Uiversidade de Juiz de Fora-MG
                                                                                                                                          


                                                                    

       Este trabalho foi realizado numa escola pública de Juiz de Fora-MG, sobre a violência nas escola.
Quem faz o relato deste trabalho "é o professor de Ciências e Biologia, com mais de 30 anos de magistério.

       Diferentemente de muitos outros professores, especialmente os mais jovens, ele afirma gostar muito da sua profissão. Falou muito bem dos seus alunos e do andamento de suas aulas. Disse não ter qualquer problema em sala de aula quanto a disciplina, que foi sempre, a maior queixa dos professores entrevistados em geral. È um professor rigoroso, exigente e tradicional no modo de dar aulas. Os alunos gostam dele e o vêem como amigo, embora ele diga que professor e alunos não são amigos. 
       Por quatro anos ele foi diretor daquela escola, e assim que assumiu o cargo foi em busca de orientação legal. A escola passava por dificuldades relacionadas com a violência e com a indisciplina. Procurou  um juiz para saber o que ele podia  e  o que não podia fazer em caso de brigas, conflitos na escola, fosse entre alunos, entre alunos e professores ou com os pais.
       Recebida a orientação ele a seguiu  fielmente. Nunca encostou, segundo ele, um dedo em um aluno, nunca separou uma briga entre alunos. Diante de situações de briga ele chamava a polícia. O resultado foi, uma gestão bem sucedida.
        Ele acredita que os resultados de sua iniciativa se estenderam pelos anos seguintes na escola, transformando-a em uma escola sem grandes problemas, o que foi confirmado pelo depoimento de outros professores, que junto com ele foi estavam sendo entrevistados.
        "Este caso nos fez pensar bastante a respeito de algumas convicções, diz a Professora Ana Maria Moraes, (da Universidade de Juiz de Fora, em sua comunicação oral, no I Congresso Internacional- Adolescencia e Violência, em Brasília,2010), sobre a eficácia  de medidas que usualmente são tomadas pelas escolas para o enfrentamento de dificuldades relacionadas á indisciplina e á violência. Trago, então, aqui algumas considerações a respeito deste caso.
        O social parece reconhecer  cada vez menos o poder do pai, e sem pai, estamos em uma economia psíquica, de acordo com Melman. 
         Melman fala que nesta nova economia psíquica há uma aspiração por uma autoridade que diga o que é bom , o que mau, o que é certo, o que é errado, justamente porque o lugar da instância fálica que o lugar da autoridade encontra-se liquidada. A nova economia  psíquica do signo e não da linguagem. O signo  reenvia á coisa  e o significante  a outro significante, o que nos deixa sempre sem saber o que vai dar aquilo que fazemos.
         Ao tomar  suas decisões baseadas no texto da lei, o diretor não corria o risco de errar, pois sobre a lei não pairam dúvidas. A referência dele era lei real situada na realidade, diferente de uma referência situada no real, portanto inacessível, e que exerce um poder simbólico. Então podemos nos perguntar que poder o diretor exerceu? O que poderia ter emanado dele - pois parece que algo emanou - enquanto diretor para produzir o efeito que produziu. Ele não precisou desgastar com dúvidas, questões, incertezas sobre o que fazer já que decidiu fazer o que a lei lhe permitia e nada mais. O que pode ter gerado de uma situação assim, onde não se experimentam conflitos? O caso relatado fala de um novo funcionamento, outro enlaçamento que funciona favorável, se é que podemos dizer que isso existe .Questões a serem discutidas. 

Considerações:
Desde que foi realizada  esta experiência, as mudanças no comportamento social, alunos, professores, família, aconteceram dentro de um ritmo extraordinário, incontrolável e de forma radical. Porém, ao analisarmos o perfil e a história de vida deste professor, a sua sensibilidade e afetividade apenas perceptível, sem manifestações físicas ou piegas, ao mesmo tempo autoritária, com certeza com as família e os alunos, conferiu-lhe as condições de usar a tolerância zero, com sucesso, sem retaliações, que é o medo de professores e gestores. Essa é uma colocação pessoal, e é uma experiência que precisa ser experimentada, pelo menos na autoridade com afeto, alguma coisa de extraordinario vai acontecer...


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