“Continuo buscando, re-procurando. Ensino porque busco, porque indaguei, porque indago e me indago. Pesquiso para conhecer o que ainda não conheço e comunicar e anunciar a novidade”.

Paulo Freire


domingo, 31 de outubro de 2010

A CRIANÇA E A SEXUALIDADE PRECOCE


 

-Olha o bilhete que "D"(8 anos) entregou para "J" ( 8 anos)...
- "N" está passando as mãos nas meninas...(6 anos)
-"M" está masturbando na sala de aula... (8   anos)
-A mãe de "H" veio reclamar porque "B" está entrando no banheiro das meninas..
-Preciso que você converse com "M","JV", "AC" e "W", eles estão beijando na boca na sala de aula...(9 anos)
-"K" chegou hoje com as pulseirinhas do sexo...
 
 
O QUE  EU FAÇO? pergunta o professor angustiado...
 
 
Esta é uma das queixas mais constantes, que se apresenta em todas as séries iniciais do Ensino Fundamental, pelo professor á Equipe de Apoio Pedagógico: a sexualidade precoce das crianças.
        A complexidade da questão ultrapassa os limites dos portões da escola, pois envolve todas as formações, informações,  interações sociais, enfim tudo o que constitui a vida destes alunos; o que a escola pode fazer, ou desfazer é um desafio, que possivelmente á longo prazo possa trazer resultados significativos, enquanto que o desempenho escolar, mais uma vez é prejudicado, uma vez que que as condições de aprendizagem exigem também a dinâmica do comportamento.
        Na sexualidade infantil surgem os primeiros "impulsos sexuais" denominados pela psicanálise de "impulsos parciais", por estarem ainda indiferenciados.
       A puberdade está também acontecendo precocemente, quando as transformações fisiológicas estão ligadas á maturação sexual.

       Uma série de fatores de ordem fisiológica, emocional, sejam por fatores externos provenientes do tipo de cultura , da sociedade.
           Tais fatos, em que meninos antes dos 9 ou 10 anos, e meninas antes dos 8 anos entrando na puberdade é considerado patológico.
          Os estímulos externos dirigidos ás crianças através da publicidade, da mídia, dos modelos de beleza, da cultura da beleza física, impulsionados pelos interesses empresariais; outros estímulos direcionados á sexualidade, em maior grauu á meninas, em menor gráu aos meninos, com vistas ao consumo,  não demonstrando a menor preocupação com as distorções que poderão causar,  invadem os lares, os espaços sociais infantis, incitando-os a se apropriarem de roupas, de cosméticos, músicas com letras e danças sensuais, criando um mini- adulto, esteriotipado, deixando-os muitas vezes expostos ao ridículo, que os provedores, os pais, não percebam.
       Á título de "liberdade de expressão", em países como o Brasil, cujas leis são tão permissivas á ponto de crianças de qualquer idade ter livre acesso á pornografia, impressa, televisiva e agora através da Internet.
      Aquele desenvolvimento normal da  sexualidade infantil detalhado por Freud, ficou perdido em meio ao avanço da tecnologia numa velocidade difícil até de se acompanhar e a falta de leis que regulem o uso destes recurso tecnológicos, principalmente por criança e adolescentes.
        É uma linguagem que vem de fora totalmente inadequado 
 ao desenvolvimento natural das crianças e adolescentes.

       Apelos á sexualidade de forma atrativas, provocativas, deixando a libido alterada antes de seu momento certo, cujas repercussões futuras na vida destas crianças são imprevisíveis, pois uma visão deturpada do que seja sexualidade, relacionamento e vida é o que lhe s aguarda.
            Dentro deste contexto questões de ordem psicosocial tem colocado  não somente as escolas  como toda a sociedade, numa batalha de proteção á criança, contra o abuso sexual, a pedofilia...
          A Psicopedagoga Maria Alice L. Pinto faz um paralelo com a realidade em que estão expostas, estas crianças, quando diz"Não devemos então nos escandalizar com pedófilos, estrupadores, sádicos e outros insanos, que vem recheando nosso jornais dia após dia, crescendo cada vez mais o número de crianças vítimas de abuso sexual." sem contar os casos que ficam no silêncio criminoso entre  quatro paredes.
         Ajuiguerra, quando se refere a EDUCAÇÃO DA SEXUALIDADE E DISTÚRBIOS PSICOSOCIAIS da CRIANÇA, dá um enfoque a essa evolução institiva e o quadro social no qual a sexualidade se desenvolve, é a experiência, isto é , as condições sociais, que transformam as potencialidades em realidade, canalizando as exigências instintivas, dirigindo-as , ora a determinadas direções, favorecendo alguns, bloqueando outras e  mesmo dirigindo uma parte delas contra outras".
          E ninguém pode prevê o futuro destas crianças tão expostas pelos próprios responsáveis ás condições de conflitos psíquicos.
        Os pais são coniventes , sem ter a noção da extensão do problema, e a escola, o que pode e deve fazer?
           






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