“Continuo buscando, re-procurando. Ensino porque busco, porque indaguei, porque indago e me indago. Pesquiso para conhecer o que ainda não conheço e comunicar e anunciar a novidade”.

Paulo Freire


domingo, 31 de outubro de 2010

SEXUALIDADE INFANTIL - ORIENTAÇÃO SEXUAL

       O educadores estão conscientes de que um trabalho de Orientação Sexual é necessário ser realizado na escola, desde a Educação Infantil, a partir de  conteúdos formais : anatomia e fisiologia do corpo, reprodução.. e as questões ligadas á sexualidade surgirão espontâneamente, de forma bem natural, assim que cada um sinta a necessidade de saber, de entender, algo que estiver ligado á si mesmo e aos outros.
         Porém, os educadores, estão sentindo grandes dificuldades para desempenhar essa função, apenas 60%  dos professores sentem que possuem essa abertura e 40 %  se sentem totalmente despreparados.
        Estas dificuldades, compreensíveis, pois tem suas origens em questões pessoais, pela falta de preparação e ignorância das formas de abordagens de um tema, que desde a idade média  foi considerado tabu.
        É neste momento que o profissional da psicopedagogia, sempre voltada em seus postulados, ás dificuldades de aprendizagem, usam de vários recursos, sejam preventivos ou terapêuticos,  estão preparados para a Orientação Sexual. A psicopedagogia, os professores, todos os atores da escola e a família, deverão estar juntos nesta empreitada. Se o servidor da escola encontram duas crianças no banheiro se tocando, caso não esteja preparado para orientá-los, chame quem esteja. O que não pode acontecer são orientações disparatadas que sem ajudar vão atrapalhar.

        Partindo do princípio de que uma sexualidade mal direcionada, ou equivocada vai interferir no processo de aprendizagem, pois surge a questão da identidade, sendo que a relação entre auto conhecimento, sexualidade e aprendizagem é imprescindível.
         No dia-a-dia da sala de aula o que pode ser feito com praticidade, pois as teorias são fundamentais, mas as práticas é que vão nortear o aprendizado?
        O educador sabe que nos Parâmetros Curriculares contém os temas transversais que deverão ser trabalhados e entre eles Educação Sexual.
       Não é necessário entrar em pânico, pensando que vai ter que preparar uma aula sobre um determinado assunto. Os temas da sexualidade surgem espontâneamente, a todo momento, através de fatos noticiados que causam impacto e chegam ao conhecimento das crianças, pela mídia; pelas referências verbais ou por reprodução, por imitações, de práticas sexuais discordantes do estágio de desenvolvimento de um aluno, ou de uma turma... curiosidades recheadas de perguntas, de dúvidas... Excelentes ocasiões que surgem naturalmente,e que nunca faltarão...
      Aí sim, o educador, a escola devem estar preparados para este primeiro  momento e em seguida trabalhar a situação atual, com os alunos, e estender um projeto a toda a escola.
     
"Toda educação sexual precisa fundamentar-se nos alicerces da vida do ser humano, marcada pelos registros inconscientes dos primeiros contatos e experiências. Os pais e educadores devem estar conscientes de que a educação sexual correta desde a infância promove o desenvolvimento de um ser humano saudável mentalmente e fisicamente. O indivíduo aprende a refletir sobre seus valores, distinguindo o conceito de certo e errado diante do mundo em que vive. Aprenderá a respeitar a individualidade e a opção sexual de cada um, pois o importante é viver e estar bem resolvido consigo mesmo.
Fagundes nos diz que “É preciso criar oportunidades para que as pessoas reflitam sobre suas idéias, sentimentos e conflitos na área da sexualidade e envolvam a totalidade do seu ser na re-interpretação e reconstrução da realidade”.
Este indivíduo terá maiores chances de crescer como um ser dotado de maturidade suficiente para saber conduzir cada momento novo que vive, cada problema de forma consciente e segura."Simaia Sampaio(pedagoga e psicopedagoga)http://www.psicopedagogia.com.br/artigos/artigo.asp?entrID=644

CRIANÇA, A ALMA DO NEGÓCIO (PARTE 1)

A CRIANÇA E A SEXUALIDADE PRECOCE


 

-Olha o bilhete que "D"(8 anos) entregou para "J" ( 8 anos)...
- "N" está passando as mãos nas meninas...(6 anos)
-"M" está masturbando na sala de aula... (8   anos)
-A mãe de "H" veio reclamar porque "B" está entrando no banheiro das meninas..
-Preciso que você converse com "M","JV", "AC" e "W", eles estão beijando na boca na sala de aula...(9 anos)
-"K" chegou hoje com as pulseirinhas do sexo...
 
 
O QUE  EU FAÇO? pergunta o professor angustiado...
 
 
Esta é uma das queixas mais constantes, que se apresenta em todas as séries iniciais do Ensino Fundamental, pelo professor á Equipe de Apoio Pedagógico: a sexualidade precoce das crianças.
        A complexidade da questão ultrapassa os limites dos portões da escola, pois envolve todas as formações, informações,  interações sociais, enfim tudo o que constitui a vida destes alunos; o que a escola pode fazer, ou desfazer é um desafio, que possivelmente á longo prazo possa trazer resultados significativos, enquanto que o desempenho escolar, mais uma vez é prejudicado, uma vez que que as condições de aprendizagem exigem também a dinâmica do comportamento.
        Na sexualidade infantil surgem os primeiros "impulsos sexuais" denominados pela psicanálise de "impulsos parciais", por estarem ainda indiferenciados.
       A puberdade está também acontecendo precocemente, quando as transformações fisiológicas estão ligadas á maturação sexual.

       Uma série de fatores de ordem fisiológica, emocional, sejam por fatores externos provenientes do tipo de cultura , da sociedade.
           Tais fatos, em que meninos antes dos 9 ou 10 anos, e meninas antes dos 8 anos entrando na puberdade é considerado patológico.
          Os estímulos externos dirigidos ás crianças através da publicidade, da mídia, dos modelos de beleza, da cultura da beleza física, impulsionados pelos interesses empresariais; outros estímulos direcionados á sexualidade, em maior grauu á meninas, em menor gráu aos meninos, com vistas ao consumo,  não demonstrando a menor preocupação com as distorções que poderão causar,  invadem os lares, os espaços sociais infantis, incitando-os a se apropriarem de roupas, de cosméticos, músicas com letras e danças sensuais, criando um mini- adulto, esteriotipado, deixando-os muitas vezes expostos ao ridículo, que os provedores, os pais, não percebam.
       Á título de "liberdade de expressão", em países como o Brasil, cujas leis são tão permissivas á ponto de crianças de qualquer idade ter livre acesso á pornografia, impressa, televisiva e agora através da Internet.
      Aquele desenvolvimento normal da  sexualidade infantil detalhado por Freud, ficou perdido em meio ao avanço da tecnologia numa velocidade difícil até de se acompanhar e a falta de leis que regulem o uso destes recurso tecnológicos, principalmente por criança e adolescentes.
        É uma linguagem que vem de fora totalmente inadequado 
 ao desenvolvimento natural das crianças e adolescentes.

       Apelos á sexualidade de forma atrativas, provocativas, deixando a libido alterada antes de seu momento certo, cujas repercussões futuras na vida destas crianças são imprevisíveis, pois uma visão deturpada do que seja sexualidade, relacionamento e vida é o que lhe s aguarda.
            Dentro deste contexto questões de ordem psicosocial tem colocado  não somente as escolas  como toda a sociedade, numa batalha de proteção á criança, contra o abuso sexual, a pedofilia...
          A Psicopedagoga Maria Alice L. Pinto faz um paralelo com a realidade em que estão expostas, estas crianças, quando diz"Não devemos então nos escandalizar com pedófilos, estrupadores, sádicos e outros insanos, que vem recheando nosso jornais dia após dia, crescendo cada vez mais o número de crianças vítimas de abuso sexual." sem contar os casos que ficam no silêncio criminoso entre  quatro paredes.
         Ajuiguerra, quando se refere a EDUCAÇÃO DA SEXUALIDADE E DISTÚRBIOS PSICOSOCIAIS da CRIANÇA, dá um enfoque a essa evolução institiva e o quadro social no qual a sexualidade se desenvolve, é a experiência, isto é , as condições sociais, que transformam as potencialidades em realidade, canalizando as exigências instintivas, dirigindo-as , ora a determinadas direções, favorecendo alguns, bloqueando outras e  mesmo dirigindo uma parte delas contra outras".
          E ninguém pode prevê o futuro destas crianças tão expostas pelos próprios responsáveis ás condições de conflitos psíquicos.
        Os pais são coniventes , sem ter a noção da extensão do problema, e a escola, o que pode e deve fazer?
           






IMPACTO DA PEDAGOGIA MODERNA: A CRIANÇA E A SEXUALIDADE

IMPACTO DA PEDAGOGIA MODERNA: A CRIANÇA E A SEXUALIDADE: "Para que se possa compreender as os caminhos que tomaram a sexualidade da criança e do adolescente, hoje, é impossível deixar de voltarmos a..."

A CRIANÇA E A SEXUALIDADE

Para que se possa compreender as os caminhos que tomaram a sexualidade da criança e do adolescente, hoje, é impossível deixar de voltarmos aos postulados de um dos pioneiros do estudo do prazer corporal, criador da psicanálise, o neurologista Sigmund Freud.
           Freud escandalizou a sociedade, na época, quando  mudou a imagem da criança inocente, para uma criança que
como todo ser humano, que sente prazer corporal. Estruturou o desenvolvimento da sexualidade em diferentes fases, cada uma valorizando o prazer em uma região do corpo.
        A Fase Oral, de 0 a 2 anos, em que o prazer se concentra na boca, no ato da amamentação, da chupeta , da alimentação...Em torno de 3 e 4 anos vem a fase anal, quando normalmente a criança adquire controle dos esfíncteres, abandona as fraldas e sente prazer em eliminar os resíduos de fezes e urina.
     A próxima etapa das descobertas da sexualidade infantil, segundo Freud, é o prazer genital, e as crianças vão investir e explorar essa nova fonte de prazer corporal, num período que vai de 3 aos 5 anos.
Essa separação por fases, tem seu valor , no sentido da compreensão da naturalidade  e do amadurecimento do processo na criança.
      Dos 5 anos até a puberdade vai haver uma período de latência. Estes períodos divididos por idade é com certeza, uma faixa de média, para se ter em conta que as grandes discrepâncias vão cair na patologia.
        Este processo se inicia na infância desde o nascimento e vai se estender por toda a vida do indivíduo.
         O prazer vinculado ao afetivo e as interações sociais vai surgir com a percepção dos relacionamentos dos casais, principalmente, na família, nos laços parentais, em que a criança mesmo sendo ter a compreensão plena dos significados, vai reproduzir por imitação. É o que vem a ser "o faz de conta" citado pela educadora sexual Maria Helena Vilela,"um passeio de mãos dadas" com um colega são representações do namoro e do interesse pelos relacionamentos.
        A sexualidade está em tudo que é pertinente ao ser humano. Na criança desde o saborear de um algodão doce, de abraços, beijos, rizos, cócegas... são momentos de prazer corporal. E assim é a criança e assim ela vai chegar á escola, e esta, deve estar preparada para dar continuidade, no que for precioso, orientando esse desenvolvimento que é inerente ao ser humano.
        O professor assim como delimita os espaços públicos e privados, desde a educação Infantil, ao que a criança deve e pode, como em relação ás necessidades biológicas de defecar e urinar, também será com a masturbação. Sem repressões.
as orientar o  local privado apropriado.
       Não deixa de ser um desafio muito grande ao professor, pois deverá adotar uma posição, muitas vezes diferenciada da que recebeu, e á preparação que não teve, para esta nova roupagem ante o desenvolvimento da sexualidade de seu aluno: sem culpabilidades, pré-conceitos, preservando a intimidade da criança, as diversidades das manifestações, tanto na infância, quanto á adolescência, quando então , na puberdade a carga de sensualidade volta com toda força. E quando mais do que nunca  eles vão querer falar, serem ouvidos e necessitam ser orientados.
        E toda os atores da escola devem estar empenhado nesse trabalho de orientação correta dos direcionamentos das manifestações da sexualidade das crianças e dos adolescentes.

Fonte de pesquisa:
Freud e a Educação- O Mestre do Imposssível
Sexualidade e Infância - Claudia Ribeiro
http://www.ne.or.br/



         

 

quinta-feira, 28 de outubro de 2010


 1º  Congresso Muito Especial de Tecnologia Assistiva e Inclusão Social das Pessoas com Necessidades Especiais do Distrito Federal
O objetivo do evento é reforçar a importância do tema e apresentar as inovações na área de Tecnologia Assistiva. Além de, claro, debater a inclusão social da pessoa com necessidades especiais.

O local escolhido para tal realização é o Centro de Eventos e Convenções
Brasil 21, localizado no Setor Hoteleiro Sul, Quadra 6,
Lote 1, Conjunto A. BRASILIA-DF

A inscrição é gratuita.

O credenciamento ocorrerá no dia 09, às 17h
                                                           
http://www.congressoassistivabrasilia.org.br/

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Childnet International - Cyber Bullying (legendado pt)

IMPACTO DA PEDAGOGIA MODERNA: ESTE ACONTECIMENTO “CATASTRÓFICO”, VAI PRÁ DEBAIXO...

IMPACTO DA PEDAGOGIA MODERNA: ESTE ACONTECIMENTO “CATASTRÓFICO”, VAI PRÁ DEBAIXO...: "27/10/2010 - 08h20 Alunos universitários agridem colegas da Unesp em 'rodeio de gordas” ELIANE TRINDADEDE SÃO PAULODANIEL BERGAMASCOEDITO..."http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/820901

ESTE ACONTECIMENTO “CATASTRÓFICO”, VAI PRÁ DEBAIXO DO TAPETE ?????


  • 27/10/2010 - 08h20

Alunos universitários agridem colegas da Unesp em "rodeio de gordas”

ELIANE TRINDADE
DE SÃO PAULO
DANIEL BERGAMASCO
EDITOR-ADJUNTO DE COTIDIANO
Um grupo de alunos da Universidade Estadual Paulista, uma das mais importantes do país, organizou uma "competição", batizada de "Rodeio das Gordas", cujo objetivo era agarrar suas colegas, de preferências as obesas, e tentar simular um rodeio --ficando o maior tempo possível sobre a presa.
Aluno da USP é vítima de homofobia em festa promovida pela ECA
Professor vira alvo de chacota e ofensa de aluno na internet
Após audiência, Geisy Arruda se diz confiante em sentença favorável
Justiça abre processo contra informativo homofóbico na USP
A agressão ocorreu no InterUnesp 2010, jogos universitários realizados em Araraquara, de 10 a 13 de outubro. Anunciado como o maior do país, o evento esportivo e cultural, que reuniu 15 mil universitários de 23 campi da Unesp, virou palco de agressão para alunas obesas.
Roberto Negrini, estudante do campus de Assis, um dos organizadores do "rodeio das gordas" e criador da comunidade do Orkut sobre o tema, diz que a prática era "só uma brincadeira".
Segundo ele, mais de 50 rapazes de diversos campi participavam. Conta que, primeiro, o jovem se aproximava da menina, jogando conversa fora --"onde você estuda?", entre outras perguntas típicas de paquera.
Em seguida, começava a agressão. "O rodeio consistia em pegar as garotas mais gordas que circulavam nas festas e agarrá-las como fazem os peões nas arenas", relata Mayara Curcio, 20, aluna do quarto ano de psicologia, que participa do grupo de 60 estudantes que se mobilizaram contra o bullying.
Daniel Bergamasco/Folhapress
"Bulling (sic) na universidade", escrito em mural da Unesp; em "brincadeira" alunas eram chamadas de gordas
"Bulling (sic) na universidade", escrito em mural da Unesp; em "brincadeira" alunas eram chamadas de gordas
No Orkut, os participantes estipulavam regras para futuras competições, entre elas cronometrar as performances dos "peões" e premiar quem ficasse mais tempo em cima das garotas com um abadá e uma caneca. Há relatos de gritos de incentivo: "Pula, gorda bandida".
Com a repercussão, a página do site de relacionamento foi excluída. Cópias dos posts espalharam-se pelo campus em Assis. Em murais aparecem frases como "Unesp = Uniban", referência ao caso a Geisy Arruda, que foi xingada por usar um vestido curto.
As vítimas não querem falar. "Uma das meninas está tão abalada que não teve condições de voltar à faculdade. Teme ficar conhecida como 'a gorda do rodeio'", afirma a advogada Fernanda Nigro, que acompanhou, na última terça-feira, uma manifestação de repúdio.
O grupo foi recebido pelo vice-diretor da Faculdade de Ciências e Letras, do Campus de Assis, Ivan Esperança. "Vamos ouvir os envolvidos e estudar as medidas disciplinares, mas não queremos estabelecer um processo inquisitório", disse ele à Folha.
http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/820901-alunos-universitarios-agridem-colegas-da-unesp-em-rodeio-de-gordas.shtml

terça-feira, 26 de outubro de 2010

BULLYING– FAMÍLIAS DAS VÍTIMAS ,EM TODO MUNDO QUEREM PUNIÇÕES…

TOLERÂNCIA ZERO - ACONTECEU EM JUIZ DE FORA- MG - DEU CERTO?

                   VIOLÊNCIA NA ESCOLA  - ESTUDO DE UM CASO


                                                              Ana Maria Morais Fonte
                                                   Uiversidade de Juiz de Fora-MG
                                                                                                                                          


                                                                    

       Este trabalho foi realizado numa escola pública de Juiz de Fora-MG, sobre a violência nas escola.
Quem faz o relato deste trabalho "é o professor de Ciências e Biologia, com mais de 30 anos de magistério.

       Diferentemente de muitos outros professores, especialmente os mais jovens, ele afirma gostar muito da sua profissão. Falou muito bem dos seus alunos e do andamento de suas aulas. Disse não ter qualquer problema em sala de aula quanto a disciplina, que foi sempre, a maior queixa dos professores entrevistados em geral. È um professor rigoroso, exigente e tradicional no modo de dar aulas. Os alunos gostam dele e o vêem como amigo, embora ele diga que professor e alunos não são amigos. 
       Por quatro anos ele foi diretor daquela escola, e assim que assumiu o cargo foi em busca de orientação legal. A escola passava por dificuldades relacionadas com a violência e com a indisciplina. Procurou  um juiz para saber o que ele podia  e  o que não podia fazer em caso de brigas, conflitos na escola, fosse entre alunos, entre alunos e professores ou com os pais.
       Recebida a orientação ele a seguiu  fielmente. Nunca encostou, segundo ele, um dedo em um aluno, nunca separou uma briga entre alunos. Diante de situações de briga ele chamava a polícia. O resultado foi, uma gestão bem sucedida.
        Ele acredita que os resultados de sua iniciativa se estenderam pelos anos seguintes na escola, transformando-a em uma escola sem grandes problemas, o que foi confirmado pelo depoimento de outros professores, que junto com ele foi estavam sendo entrevistados.
        "Este caso nos fez pensar bastante a respeito de algumas convicções, diz a Professora Ana Maria Moraes, (da Universidade de Juiz de Fora, em sua comunicação oral, no I Congresso Internacional- Adolescencia e Violência, em Brasília,2010), sobre a eficácia  de medidas que usualmente são tomadas pelas escolas para o enfrentamento de dificuldades relacionadas á indisciplina e á violência. Trago, então, aqui algumas considerações a respeito deste caso.
        O social parece reconhecer  cada vez menos o poder do pai, e sem pai, estamos em uma economia psíquica, de acordo com Melman. 
         Melman fala que nesta nova economia psíquica há uma aspiração por uma autoridade que diga o que é bom , o que mau, o que é certo, o que é errado, justamente porque o lugar da instância fálica que o lugar da autoridade encontra-se liquidada. A nova economia  psíquica do signo e não da linguagem. O signo  reenvia á coisa  e o significante  a outro significante, o que nos deixa sempre sem saber o que vai dar aquilo que fazemos.
         Ao tomar  suas decisões baseadas no texto da lei, o diretor não corria o risco de errar, pois sobre a lei não pairam dúvidas. A referência dele era lei real situada na realidade, diferente de uma referência situada no real, portanto inacessível, e que exerce um poder simbólico. Então podemos nos perguntar que poder o diretor exerceu? O que poderia ter emanado dele - pois parece que algo emanou - enquanto diretor para produzir o efeito que produziu. Ele não precisou desgastar com dúvidas, questões, incertezas sobre o que fazer já que decidiu fazer o que a lei lhe permitia e nada mais. O que pode ter gerado de uma situação assim, onde não se experimentam conflitos? O caso relatado fala de um novo funcionamento, outro enlaçamento que funciona favorável, se é que podemos dizer que isso existe .Questões a serem discutidas. 

Considerações:
Desde que foi realizada  esta experiência, as mudanças no comportamento social, alunos, professores, família, aconteceram dentro de um ritmo extraordinário, incontrolável e de forma radical. Porém, ao analisarmos o perfil e a história de vida deste professor, a sua sensibilidade e afetividade apenas perceptível, sem manifestações físicas ou piegas, ao mesmo tempo autoritária, com certeza com as família e os alunos, conferiu-lhe as condições de usar a tolerância zero, com sucesso, sem retaliações, que é o medo de professores e gestores. Essa é uma colocação pessoal, e é uma experiência que precisa ser experimentada, pelo menos na autoridade com afeto, alguma coisa de extraordinario vai acontecer...


segunda-feira, 25 de outubro de 2010

IMPACTO DA PEDAGOGIA MODERNA: PESQUISA DA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE BRASÍLIA - PR...

IMPACTO DA PEDAGOGIA MODERNA: PESQUISA DA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE BRASÍLIA - PR...: "SOLUÇÕES SIMPLES FAZEM DIFERENÇA Adriana Lira- Universidade Católica de Brasília ..."

PESQUISA DA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE BRASÍLIA - PROJETO QUE DEU CERTO…

SOLUÇÕES SIMPLES FAZEM DIFERENÇA
                                   Adriana Lira- Universidade Católica de Brasília
                                                         Cátedra UNESCO da Juventude
                                                         Educação e Sociedade – UCB

“As violências tomam dimensões maiores, carecendo, por essas razões identificar por que parte das  escolas, do Distrito Federal, não atinge seus objetivos no processo  de superação.
Este artigo propõe uma reflexão sobre o clima escolar como recurso indicador da necessidade e possibilidade de mudanças dos gestores e equipe comprometido com uma educação de qualidade, portanto, medida eficaz que independe de recursos sofisticados, mas da sensibilidade e responsabilidade.
Após uma pesquisa realizada em cinco escolas da periferia de Brasília, cidades satélites), com alto nível de violência, dentro do Projeto Segurança Escolar do Ministério Público do Distrito Federal. A amostra  envolveu 1004 informantes do ensino fundamental, entre gestores, professores, alunos, orientadores educacional, alunos, policiais militares e servidores.
Evidências de pesquisa mostraram que a superação das violências tem relação direta com a qualidade do clima escolar, detectando a existência de relações bilaterais entre o clima organizacional e as violências, num processo cíclico acumulativo. Os resultados apontaram que o gestor exerce influência sobre o clima, confirmando que a sua postura a adoção de medidas simples e de baixo custo são capazes de elevar  a qualidade do clima. Por meio de uma gestão democrática, acessível, comprometida e ainda estabelecer com os estudantes um pacto de confiança, a gestora de uma das escolas encaminhava problemas idênticos aos de outras unidades escolares, alcançando resultados diferentes por meio de esforços coletivos, adoção de projetos de convivência e educação não formal (PROJETO ESCOLA ABERTA nos finais de semana), implementação de currículos significativos e envolvimento dos atores, entre outras medidas, ao invés das medidas repressoras".
Solicitamos á professora Adriana Lira, que citasse medidas práticas, desta escola (em Planaltina – DF), que havia alcançado melhores resultados, ela apontou as portas abertas aos alunos(também) nos turnos contrário aos das aulas, para práticas diversificadas, inclusive, esporte.Trazer os aluno para dentro da escola, acolhimento e afetividade. Ao invés de “encaminha-lo” á outras instituições que promovem programas alternativos. Não querer ficar livre daquele aluno e faze-lo sentir isso.

EM POUCAS PALAVRAS–A ESCOLA E FAMÍLIA…

                     Projeto Travessia – Taubaté São Paulo
“Imersão dos jovens em um novo universo cultural, simulando o interesse pelos livros e pelo conhecimento, com códigos  e símbolos  sutilmente inseridos no cotidiano destes adolescentes, desfavorecendo e reconstruindo de forma harmoniosa e afetiva os papéis e lugares ocupados por cada membro da família.
O Espaço, outrora ocupado pela manifestação de intolerância e violência passa a ser progressivamente destinado ao exercício de diálogos respeitosos e humanizantes.
Estratégias terapêuticas-educativa que visam também ás famílias como co-partícipes, estimulando a apropriação compartilhada do saber, cuja interlocução  que se estabelece possibilita rever relações familiares desfavorecedoras, descobrindo novos trajetos relacionais”
                                          Universidade de Taubaté- São Paulo
                                                        

domingo, 24 de outubro de 2010

A EQUIPE DE APOIO Á APRENDIZAGEM CONTA HISTÓRIAS DO SEU COTIDIANO…

        A SEDF – Secretaria de Educação do Distrito Federal implantou, em 2008, o projeto Classes de Aceleração da Aprendizagem - Anos Iniciais ­- Acelera DF, com o objetivo de combater a distorção idade-série. Esta ocorre em virtude de múltiplas repetências e do abandono escolar, fazendo com que os alunos fiquem defasados em relação à série esperada para a idade.
       O projeto de aceleração da aprendizagem tem o objetivo de possibilitar que esses alunos superem as defasagens de conhecimento e voltem a estudar no ensino regular, junto a colegas de idade aproximada, e completem a sua escolarização.
      Para tanto, adota uma metodologia diferenciada, com a finalidade de permitir que os alunos desenvolvam competências e habilidades previstas para as quatro primeiras séries do Ensino Fundamental em um prazo menor do que o normal, possibilitando uma nova enturmação escolar ao final do projeto.
       Estudos realizados no Brasil e em outros países demonstram que a distorção idade-série produz impactos negativos sobre a auto-estima dos alunos, muitas vezes desestimulando-os a prosseguir os estudos e levando-os a abandono escolar.
       O Acelera DF se destina aos alunos com distorção idade e série de dois anos ou mais, na faixa etária de 9 a 14 anos, matriculados da 1ª a 4ª série do Ensino Fundamental.
        As turmas do Acelera DF são constituídas por alunos alfabetizados dos anos iniciais do Ensino Fundamental. A seleção de alunos para a formação das turmas é feita mediante aplicação de prova diagnóstica específica. http://www.se.df.gov.br/300/30001007.asp?ttCD_CHAVE=13428
        O Projeto Acelera tem excelentes objetivos, porém difíceis de serem são alcançados, porque, geralmente ,o perfil da clientela, tais como, alunos provenientes de lares desestruturados, auto estima baixíssima, não obedecem regras e limites, indisciplinados... são características dos adolescentes que vão compor estas turmas, além das que são exigidas, (acima citadas),e que não são consideradas, como agrupamentos que desarticulam os objetivos do programa, caso o professor não esteja preparado para esse desafio;
        Os professores mais experientes não querem trabalhar com essas turmas , pois conhecem a problemática, e possuem direito de escolha de turma; e quem vai trabalhar com todas as dificuldades possíveis e imagináveis são os professores novos na profissão ou contratos temporários, com pouca experiência também.
         Este projeto tem tudo para dar certo exceto,por agrupar, numa mesma turma alunos que pelas suas histórias de vida, são os mais indisciplinados, violentos e agentes/e ou como vítimas do bullying, numa escola de Ensino Fundamental.
       Toda essa introdução é para relatar uma das histórias de maior grau de violência que presenciamos e que se encaixa dentro do posicionamento e análise do Professor François Marty.
        É a história de “G” uma adolescente de 11 anos, que mora com a família: mãe,( não conhece o pai), avó,avô,dois tios, quatro irmãos, numa mesma casa onde não há higiene, e sofre negligência desde pequena. Não tem hábitos de higiene, toma banho de vez em quando. A avó é alcoólatra, o irmão faz uso de drogas e a mãe é ausente. Em sua personalidade apesar de ser do sexo feminino, desafia os colegas, provoca brigas, fala palavrões e quando não está na escola, é “flanelinha”, guardadora de carros, num dos estacionamentos da cidade. Usa o dinheiro que ganha para comprar lanches. Diz que quase não há o que comer em casa, com tanta gente.
       Na escola, “G” é sempre provocada, pela sua falta de higiene, chora, briga e devolve as provocações. Quanto ao seu processo de letramento, lê e escreve poucas palavras, totalmente desinteressada das atividades pedagógicas e raro o dia que traz pra escola material básico, como lápis e borracha.
       “G” provoca discussões e brigas com meninas e meninos e numa dessas provocações dirigidas ao colega “E”, do sexo masculino, 11 anos, este reagiu com ameaças do tipo “vou te pegar lá fora”.
       “E”, é um aluno que dentro de sala não foge ao padrão de comportamento e de aprendizagem dos demais colegas.
       Vem de uma família, de pais separados, demonstra ter medo do pai que raramente vê, e mora com a avó e a mãe... que recentemente deixou-os para viver um outro relacionamento. Quem cuida de “E”, é avó, que pede pra não chamar o pai, pois ele é violento, e a mãe “falou que não te queria quando foi embora com o outro “marido”... (isso a avó disse ao “E”)
        Neste 2º semestre, durante a aula, ”E” desmontou um apontador de lápis do tipo pequeno, e ficou com o pequeno estilete fazendo brincadeiras na sala, quando a professora tomou a lâmina. Terminando as aulas, “E” pediu de volta o estilete. E como de hábito saíram todos em algazarras, empurrões, gritos...
       Ultrapassado os portões da Escola, “E” agrediu a “G” com o estilete, fazendo um corte em suas costas,na altura dos ombros, que encaminhada ao hospital local, necessitou 18 pontos. E “E” feriu as próprias mãos neste ataque.
      Em poucos momentos chega a família: a avó de “G” alcoolizada e o irmão drogado.Gritarias, ameaças... e toda a comunidade escolar assustada com o fato.
      No dia seguinte “G” chega na escola dentro de um euforismo fora do normal. Não era uma vítima, era uma heroína. Mostrava a todos, o corte nas costa como se fosse um troféu.Não houve dores físicas, lágrimas ou auto piedade, em momento algum. E reproduzia a história, em alto e bom som, numa narrativa cheia de detalhes e mais ameaças contra o colega, á quem quisesse ouvir ou saber, não somente na comunidade escolar, mas em todo o setor da cidade onde mora, nas imediações da escola, se referindo ao fato: “... fui esfaqueada na escola”.
      Aí, chegou até a mídia local, que foi á escola, registrar o fato, filmar o ambiente e entrevistar a mãe de “G”, que só neste momento, apareceu.
       Quanto ao agente da agressão, foi chamado o pai, para que tomasse as atitudes repressoras... E o garoto ficou desaparecido da escola, por duas semanas, acredita-se por medo das ameaças da família de “G”, principalmente do irmão usuário de drogas, que ameaçou mata-lo.
       Quando “E” retornou á escola, evitando brigas e provocações apenas com “G”, tudo voltou ao que era antes...
      De acordo com as analises do Professor Marty, entre os fatos observados, ficou claro a falta da presença da família, no seu dia-a-dia, cuidando dos seus adolescentes e um projeto de escuta e acolhimento, e ações preventivas da escola, estabelecendo metas contrárias a violência e suprindo de alguma forma este vazio familiar, em que nossas crianças estão vivendo.
      E o que causou espanto á Equipe, (que não é uma equipe multidisciplinar, pois não possui psicólogo, e nem orientador educacional), foi “como a “G” ficou feliz por encontrar uma identidade, uma visibilidade... embora de uma forma negativa, e o quanto os dois, “G” e “E” precisam dos pais, dos adultos que os amem, compreendam, conversem com eles, confirmando uma inclusão social, sem a necessidade da violência para isso.

O APOIO PEDAGÓGICO CONTA HISTÓRIAS DO DIA-A-DIA … MAS, ANTES…

 
        Durante o I Congresso Internacional Adolescência e Violência, que aconteceu em Agosto deste ano, aqui em Brasília, quando François Marty, em sua comunicação oral explicitava sobre o tema “A Função do Agir na Adolescência”,expondo conceitos e contextos,laços parentais, transformações físicas e psíquicas exigindo uma nova reorganização da identidade; a violência interna resultante de tudo isso e a maneira como o adolescente procura lidar com essa nova realidade; a vulnerabilidade que o coloca no risco da drogadição e ao tráfico de drogas, trouxe-me á memória um fato recente de violência entre adolescentes que foi levado á Equipe de Apoio Pedagógico, que se encaixava bem, dentro dos muitos aspectos expostos.
       A grande maioria de educadores, pais, e a sociedade de uma maneira geral, sabe que a fase da adolescência, por não ser bem compreendida, é rejeitada ou ignorada, como alguma coisa de quer se ver livre.
A própria escola , nem todas, é claro, fecha os olhos á amplitude do problema. A maioria, resolvendo caso a caso, no velho sistema tradicional de repressão, advertências, conversas com a família...
      A família, quando convocada, demonstrando perda completa do controle sobre a vida familiar: diz “não sei mais o que fazer com meu filho, já fiz tudo que podia... eu não dou conta mais...”, frases permeadas de desistência, rejeição e desespero...
      Quando faltam-lhe o apoio do adulto, principalmente de “pais permissivos, de acordo com os estilos parentais, que comunicam-se bem com os filhos e utilizam o diálogo para conseguir inibir comportamentos indesejáveis, exigem pouco e permitem que os filhos regulem suas próprias atividades, levando-os a raciocinarem sobre suas ações.” É que o adolescente tem tudo para ser um problema para si mesmo, a família, a escola e toda a sociedade.
       De todas as pesquisas relacionadas á violência, ao bullying entre adolescentes, estes estudos psicanalíticos são os que conseguem interpretar estas e outras situações de violência e os referenciais de enfrentamento que podem ser usados, de acordo com suas origens. A pedagogia precisa da psicologia, nos enfrentamentos do sucesso escolar.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

“ QUANDO UMA CRIANÇA ESTÁ EM APUROS,FECHE A BOCA E ABRA OS BRAÇOS"

  "Quando uma criança está em apuros, feche a boca e abra os braços."
Essa técnica, foi minha mãe quem me ensinou.
Tentei seguir o mesmo conselho na criação de meus filhos. Tendo tido cinco em seis anos, é claro que nem sempre conseguia. Tenho uma boca enorme e uma paciência minúscula.
Lembro-me de quando Kim, a mais velha, estava com quatro anos e derrubou o abajur de seu quarto.
Depois de me certificar de que não estava machucada, me lancei numa invectiva sobre aquele abajur ser uma antiguidade, sobre estar em nossa família há três gerações, sobre ela precisar ter mais cuidado e como foi que aquilo tinha acontecido – e só então percebi o pavor estampado em seu rosto. Os olhos estavam arregalados, o lábio tremia.
Então me lembrei das palavras de minha mãe. Parei no meio da frase e abri os braços.
Kim correu para eles dizendo: – Desculpa... Desculpa – repetia, entre soluços. Nos sentamos em sua cama, abraçadas, nos embalando. Eu me sentia péssima por tê-la
assustado...– Eu também sinto muito, Kim – disse quando ela se acalmou o bastante para conseguir me ouvir. Gente é mais importante do que abajures.
Felizmente, ela me perdoou.
Mas o episódio me ensinou que é melhor segurar a língua do que tentar voltar atrás após um momento de fúria, medo, desapontamento ou frustração.
Quando meus filhos eram adolescentes – todos os cinco ao mesmo tempo – me deram inúmeros outros motivos para colocar a sabedoria de minha mãe em prática: problemas com amigos, o desejo de ser popular, não ter par para ir ao baile da escola, multas de trânsito, experimentos de ciência mal sucedidos e ficar em recuperação.
Confesso, sem pudores, que seguir o conselho de minha mãe não era a primeira coisa que me passava pela mente quando um professor ou diretor telefonava da escola. Depois de ir buscar o infrator da vez, a conversa do carro era, por vezes, ruidosa e unilateral.
Entretanto, nas ocasiões em que me lembrava da técnica de mamãe, eu não precisava voltar atrás no meu mordaz sarcasmo, me desculpar por suposições errôneas ou suspender castigos muito pouco razoáveis.
É impressionante como a gente acaba sabendo muito mais da história e da motivação atrás dela, quando está abraçando uma criança, mesmo uma criança num corpo adulto.
Quando eu segurava a língua, acabava ouvindo meus filhos falarem de seus medos, de sua raiva, de culpas e arrependimentos. Não ficavam na defensiva porque eu não os estava acusando de coisa alguma. Podiam admitir que estavam errados sabendo que eram amados, contudo. Dava para trabalharmos com "o que você acha que devemos fazer agora", em vez de ficarmos presos a "como foi que a gente veio parar aqui?"
Meus filhos hoje estão crescidos, a maioria já constituiu a própria família.
Um deles veio me ver há alguns meses e disse "Mãe, cometi uma idiotice..."
Depois de um abraço, nos sentamos à mesa da cozinha.
Escutei e me limitei a assentir com a cabeça durante quase uma hora enquanto aquela criança maravilhosa passava o seu problema por uma peneira.
Quando nos levantamos, recebi um abraço de urso que quase esmagou os meus pulmões.
– Obrigado, mãe. Sabia que você me ajudaria a resolver isto.
É incrível como pareço inteligente quando fecho a boca e abro os braços.


autor desconhecido

IMPACTO DA PEDAGOGIA MODERNA: FRANÇOIS MARTY–“DESTINOS DA ADOLESCÊNCIA”

IMPACTO DA PEDAGOGIA MODERNA: FRANÇOIS MARTY–“DESTINOS DA ADOLESCÊNCIA”: "O I Congresso Internacional Adolescência e Violência: Perspectivas Clínica, Educacional e Jurídica, organizado pela Universidade Católica de..."

FRANÇOIS MARTY–“DESTINOS DA ADOLESCÊNCIA”

O I Congresso Internacional Adolescência e Violência: Perspectivas Clínica, Educacional e Jurídica, organizado pela Universidade Católica de Brasília e Universidade de Brasília, e apoiado pela Fundação Universa e pela UNESCO, que aconteceu em Brasília, nos dias 26, 27 e 28 de Agosto de 2010, próximo passado,foi extremamente importante e elucidativa, com direcionamentos embasados nas causas e não sobre os efeitos da questão do adolescente e a violência, e sobre a realidade dos jovens nas escolas. 
Este congresso, numa parceria franco-brasileira, com a participação efetiva de  François Marty- Psicanalista, Professor de Psicologia Clínica, Diretor do Instituto de Psicologia – Université Paris Descartes – , Presidente do Collège International  de l’Adolescence – CILA – autor do livro “Destinos da Adolescência” françois.marty@univ-paris5.fr  em sua  comunicação oral sobre o tema “A Função do Agir na Adolescencia”, em que conceitos, contextos, laços parentais, transformações físicas e psíquicas,entre outros, exigindo uma nova reorganização da identidade do ,  a violência interna resultante de tudo isso e a maneira como o adolescente procura lidar com essa nova realidade, esclareceu situações de violência entre crianças e adolescentes, assim como os enfrentamentos possíveis e adequados , dentro da própria realidade da escola onde atuo como pedagoga.
“O adolescente violento muitas vezes é uma pessoa desamparada. A violência precisa ser contida, canalizada e dominada. Para conseguir isso o adolescente precisa encontrar em si mesmo recursos e um poderoso apoio narcísico proveniente dos adultos. Ele precisa confrontar-se com adultos que não fraquejem, que resistam à sua destrutividade e que sirvam de referência para ele. Na falta disso, o adolescente não conseguirá orientar sua violência interna em sua busca de sentido, sua busca narcísica identitária. O tratamento da violência passa, portanto, pela tomada de consciência, por parte dos adultos, quanto ao papel que devem exercer na constituição do self, em particular no momento da adolescência” Marty, (2010)

François Marty é autor do livro
"Destinos da Adolescência"

O objetivo de impactar gestores, educadores, pesquisadores e profissionais de diferentes segmentos da comunidade, mobilizando-os em direção à sensibilização e entendimento dos diferentes tipos da violência e vulnerabilidades que afetam os jovens na sociedade, e ainda, fortalecer diretamente as Redes Nacionais e Internacionais de enfrentamento à violência, ligadas à adolescência e juventude, foi bem direcionado, por teorias, pesquisas de campo, experiências de enfrentamentos significativos á realidade direcionados.

IMPACTO DA PEDAGOGIA MODERNA: O ADOLESCENTE E A VIOLÊNCIA

IMPACTO DA PEDAGOGIA MODERNA: O ADOLESCENTE E A VIOLÊNCIA: " ADOLESCÊNCIA E VIOLÊNCIA Um conjunto de transformações sócio-psicológicas, físico-metabólicas,..."

O ADOLESCENTE E A VIOLÊNCIA

                                              ADOLESCÊNCIA E VIOLÊNCIA
Um conjunto de transformações sócio-psicológicas, físico-metabólicas, expõe o indivíduo que inicia a fase da adolescência, á um novo modelo de vida totalmente desconhecido, que o deixa vulnerável, atormentado e perplexo, e de certa forma perdido em meio a diferentes valores morais.
François Marti* analisa que “O adolescente não é uma criança que cresce. È um processo psíquico que se apresenta de diversas maneiras quando surge à puberdade, que lhe causa uma estranheza ante as mudanças de seu corpo, quando, então, ele perde sua identidade...”
Essa estranheza que o adolescente sente em relação ao próprio corpo, torna-se a fonte maior da sua violência interna, diante da qual ele procura maneiras de defender de si mesmo, através de uma ação motora violenta.
Os ataques que os adolescentes fazem ao próprio corpo: tatuagens, pircings, bulimia, anorexia até mesmo o suicídio, são manifestações da violência interna, quando o adolescente precisa compreensão e não repressão.
Quando esta violência é direcionada ao outro, é um ato de tornar o outro responsável, colocando para fora o que dentro dele está mal. É uma forma de defender-se do que não pode compreender: a si mesmo.
“A violência é uma energia que pede para ser orientadaMarti, 2010
A família desempenha um papel muito importante no desenvolvimento do adolescente e na forma como ele vai lidar com essa estranheza do corpo e os processos psíquicos que surgem.
Nesta fase, o indivíduo, o adolescente, precisa ser ouvido, receber atenção, se sentir “alguém”, e não rejeitado e criticado como é comum, pela família, escola e a comunidade, o que só faz o sentir-se pior.
A literatura mostra dois estilos parentais que as famílias exercem com os filhos, principalmente, os adolescentes. Estes dois estilos são constituídos de dois importantes componentes: exigência e responsividade. E da combinação destes componentes temos:
-pais autoritários, exigentes, com baixa responsividade, que dão pouca atenção ás necessidades dos filhos;
-pais autoritativos, que são democrático-recíprocos, ou competentes, alta responsividade, aceitação e exigência. Comunicam-se bem com os filhos e estão dispostos a aceitar suas exigências.
-pais permissivos que apresentam alta responsividade, aceitação, baixa exigência, comunicam-se bem com os filhos e utilizam o diálogo para conseguir inibir comportamentos indesejáveis, exigem pouco e permitem que os filhos regulem suas próprias atividades, levando-os a raciocinarem sobre suas ações.
Com base nos estilos parentais a Universidade da Paraíba, Universidade Federal de João Pessoa e o Ministério Público realizaram uma pesquisa, para investigar o ajustamento escolar, entre 800 alunos, entre 11 e 20 anos, dos sexos femininos e masculinos, de escolas públicas e particulares, em João Pessoa-Pa, e os resultados estatísticos demonstraram que:
- filhos de pais negligentes, e principalmente, de pais autoritários apresentaram dificuldades no ajustamento escolar, com dificuldades acadêmicas, dificuldades disciplinares nos relacionamentos com professores e colegas. Sem diferenças entre escolas particulares e públicas.
Conclui-se diante desta análise que o comportamento violento do adolescente está estreitamente ligado ao convívio com a família, escola e seus pares.
É preciso saber ouvi-lo para ajudá-lo a se situar no ambiente em que está situado indiretamente, como o trabalho dos pais, religião, ideologias e formas de governo..; e diretamente em seus papeis sociais, a escola, e suas atividades pessoais.
A maioria dos jovens adolescentes que não conseguem se identificar dentro de seus grupos sociais tornam-se agentes ou vítimas da violência, do bullying, e podem acabar sendo atraídos para as “gangues” e para o tráfico de drogas, onde são aceitos, valorizados; e a violência é que vai dar a eles a identidade que procuram: encontram respeito e valorização.
A escola como acolhedora destes jovens, onde eles passam a maior parte do tempo, precisa estabelecer grupos de jogos cooperativos, dança, bandas de música, esporte, entre outros, para que estes adolescentes encontrem seus pares, que de alguma maneira vai proporcionar um equilíbrio para seus conflitos e canalizarem essa energia violenta gerada pela “estranheza narcísica” de forma saudável, dentro da inclusão social.
*François Marti- Psicanalista, Professor de Psicologia Clínica, Diretor do Instituto de Psicologia – Université Paris Descartes – , Presidente do Collège International  de l’Adolescence – CILA – autor do livro “Destinos da Adolescência” françois.marty@univ-paris5.fr –