“Continuo buscando, re-procurando. Ensino porque busco, porque indaguei, porque indago e me indago. Pesquiso para conhecer o que ainda não conheço e comunicar e anunciar a novidade”.

Paulo Freire


domingo, 5 de setembro de 2010

VIOLÊNCIA, MEDO E INSEGURANÇA NO AMBIENTE ESCOLAR:

                                                                                   
I CONGRESSO INTERNACIONAL     ADOLESCÊNCIA E VIOLÊNCIA:

SEMINÁRIO INTERNACIONAL Perspectivas Clínica, Educacional e Jurídica

SOBRE ADOLESCENTES  -CLÍNICA E CULTURA



VIOLÊNCIA, MEDO E INSEGURANÇA NO AMBIENTE ESCOLAR:

                          COMO FAZER A DIFERENÇA?

Rosilene Beatriz Lopes -Faculdades Integradas do Norte de Minas

Doutoranda em Educação na Universidade Católica de Brasília.


As violências nas escolas contribuem para deixar o clima tenso. Professores, diretores, alunos, pais e demais pessoas da comunidade escolar, sentem-se impotentes diante dos conflitos, ameaças e agressões ocorridas nas salas de aula, expressando tensão, angústia e insegurança. O sentimento de insegurança concebido como a lógica que permeia a cultura da violência, está relacionado a uma ideia de que há violência em toda parte.
Essas situações vêm fazendo parte do cotidiano da escola e comprometem o relacionamento interpessoal dos diversos atores envolvidos, bem como o desenvolvimento do processo ensino-aprendizagem.
 Buscando aprofundar estudos sobre o cotidiano escolar, este trabalho tem por objetivo explorar os temas violências, indisciplina e clima escolar, apresentados em pesquisas desenvolvidas desde o ano de 2002, em cursos de Mestrado em Educação, Normal Superior e Pedagogia, tendo como foco o município de Montes Claros-MG.
Os relatórios apresentados em dissertação de mestrado e trabalhos de conclusão de curso mostraram que: Os professores sentem medo diante das ameaças dos alunos com relação à suas vidas e também à destruiçãodos seus bens; atitudes de autoritarismo e falta de diálogo advindas dos professores desencadeiam ameaças e violências por parte dos alunos; a distância social e cultural entre professores e alunos dos meios populares gera discriminação e preconceitos e reforça o estigma de pobreza associada às violências; alunos tentam estabelecer na escola a cultura do medo, pois possuir o rótulo de escola perigosa constitui status entre eles; perda de autoridade por parte dos professores para alguns alunos (‘chefes’ de grupos envolvidos com drogas e gangues); omissão na resolução de situações deindisciplina e violências por parte das escolas, isso acaba por favorecer e incentivar uma espécie de laboratório de aprendizagem de práticas de violências; a escola como palco de situações de ‘violência silenciosa e articulada’ que se iniciam nos pátios, corredores e
salas de aula e projetam para fora dos seus muros, o que de certa forma contradiz Mazza (2000), quando defende que a escola não é o espaço social onde a violência se origina, sendo um espaço que é invadido pelas violências constitutivas da sociedade; organização de gangues pelos próprios alunos e seus pares dentro da escola, sugerindo que o inverso do que foi apresentado por Abramovay (2003) também estaria acontecendo, ou seja, a violência estaria sendo levada para fora da escola, o que acaba por dar mais ênfase à ideia de escola como lugar de aprendizagem da violência.
 Diante desse quadro ora apresentado, pergunta-se: Como fazer a diferença? Os resultados das pesquisas sugerem que se faz necessário: abrir espaços no cotidiano da escola e da
sala de aula para que possa se efetivar um dos pilares apresentados pela UNESCO: aprender a ser e a conviver; trabalhar segundo a proposta de educação formativa; ter postura dialógica; atuar na mediação dos conflitos e incentivar a participação da família; educar para a paz e não simplesmente sobre a paz, haja vista que a educação  para a paz se apoia na visão formacional e a educação sobre a paz na visão  instrucional.

Um comentário:

  1. Excelente trabalho, sempre a prevenção e promoção será a melhor respostas as problemáticas e consecuências da violência nas escolas.

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