“Continuo buscando, re-procurando. Ensino porque busco, porque indaguei, porque indago e me indago. Pesquiso para conhecer o que ainda não conheço e comunicar e anunciar a novidade”.

Paulo Freire


terça-feira, 28 de setembro de 2010

A PEDAGOGIA DO AFETO

       Mario Benedetti foi um poeta, escritor e ensaísta uruguaio.  Como todo poeta e escritor traz a sensibilidade e expressa-a com sabedoria. “Da Gente Que Eu Gosto”, diz: “gosto de gente sincera e franca, que sabe a importancia da alegria... fiel e persistente ... que nunca deixa de ser animada e nos contagia com sua energia...gente que busca soluções... gente que é capaz de entender  que o  maior erro do ser humano é tentar arrancar da cabeça, aquilo que não sai do coração...”
        Esses retalhos retirados de textos de Mário Benedetti  me levaram á confirmação das minhas conclusões sobre “Diálogos Sobre a Afetividade” do psicoterapeuta Ivan Capelatto,  um dos profissionais  que demonstra claramente seu partidarismo á Pedagogia do Afeto, defendida por uns criticada por outros. 
      Em suas definições,Capelatto conclui que “Família é nosso lugar. Lugar de afetividade, de cuidado, de limite. Lugar de amar, brigar, gritar, reparar, pedir desculpas, beijar, abraçar. Lugar para criar raízes e asas.”
            Diz ainda:      “Lembremos que não é só o grandão que bate no pequeno. Se prestarmos bem a atenção, vamos ver que o pequeno provoca, porque sabe que alguém vai interferir. Então, os pais podem chamar os filhos e dizer que, dali em diante, não vão mais interferir nas brigas e eles que se virem. O pequeno também vai perceber que vai ter de se controlar em relação ao irmão mais velho.”
       “Cuidar é uma forma de tornar o outro importante. Todos nós precisamos de cuidado. Os pais precisam sempre se lembrar de que os filhos não pedem para nascer. Eles são desejados pelos pais e, quando um pai deseja um filho, tem que assumi-lo pelo resto da vida. Pai não tem sossego, pai não tem férias, mas pai tem felicidade. Talvez não tenha muito prazer, mas tem felicidade. Qual é a felicidade de um pai? Imaginar que construiu um bom ser humano.”
       É o papel da família na formação e equilíbrio das emoções dos filhos, nossos alunos, que chegam à escola, deprimidos e tristes porque, esta mesma família não está cumprindo seu papel e o ônus desta ausência está sobre os ombros de uma criança de 6, 8 anos...
      Analisando então esta realidade, fica claro que pouco ou nada podemos fazer em relação á família desestruturada, pois são aspectos sócio cultural, que foge ás nossas funções, mesmo quando o Sistema nos norteia ás denuncias da negligência, do abuso...  Então a escola busca o Conselho Tutelar, este desprovido de uma equipe de psicólogas que possam apoiar pais e filhos, cumpre seu papel deficitariamente...


       Mas, aquela criança é meu aluno, está na minha sala, está no Apoio Pedagógico e ela chora, literalmente ela chora, porque tudo dói dentro dela, e mesmo não sendo e não tendo psicólogo na Equipe, as queixa destas crianças e adolescentes , que chegam afetuosos, carentes, interativos demonstram atitudes de baixa auto estima, auto desvalorização déficit no senso de capacidade e competência, medo do desconhecido, sem ter a quem se socorrer...


      A psicóloga Maria Neusa dos Santos analisa a “Pedagogia do Afeto” como um “termo criado para designar relações interpessoais de afetividade em sala de aula e está fundamentada na Psicologia Transpessoal conhecida como a quarta força, oriunda dos estudos de Maslow, Sutich, Fadiman e Grof, muito embora Jung tenha sido o pioneiro a considerar a dimensão espiritual do ser humano.
         Nessa linha é que se fundamenta esse modelo de ensino voltado para o ser, pela necessidade de se pensar nas mudanças que ocorrem na contemporaneidade no que tange à educação dos indivíduos.
       A própria Educação prioriza os aspectos cognitivos do aluno em detrimento de outros fatores também importantes para o processo educativo. Mello (2004.p.18) nos adverte de que “não dá para pensar apenas na cabeça do aluno, pois o coração também é importante.”
      Daí então vamos fazer o que de melhor sabemos fazer, amar essa criança, cuidar de sua auto estima, trabalhar valores, e todos os recursos para que seja compreendida em suas dificuldades, dando lhe a certeza de que tem um potencial de aprendizagem e que este não ficará perdido.Este momento de sua vida é “só um momento”.

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