“Continuo buscando, re-procurando. Ensino porque busco, porque indaguei, porque indago e me indago. Pesquiso para conhecer o que ainda não conheço e comunicar e anunciar a novidade”.

Paulo Freire


domingo, 5 de setembro de 2010

O MEDO DO PROFESSOR

ADOLESCÊNCIA E VIOLÊNCIA:
SEMINÁRIO INTERNACIONAL ADOLESCENTES EM CONFLITO COM A LEI SIMPÓSIO CÁTEDRA UNESCO DE JUVENTUDE,    -      EDUCAÇÃO E SOCIEDADE

                                                                             
O MEDO DO PROFESSOR

Marcos Grams

Universidade Católica de Brasília

A presente reflexão tem como pano de fundo a relação que se impõe entre a violência na escola e o clima escolar. Àquela, já amplamente conceituada e estudada, entendemos, de modo resumido, como sendo o conjunto das relações e práticas exercidas da, à e na escola e que produzem algum tipo de vitimização em uma pessoa.
A este, entendemos como sendo o ambiente determinado pelos elementos estruturais,
pessoais, organizacionais e culturais de uma instituição, os quais, uma vez integrados
interativamente em um processo dinâmico específico, conferem peculiar estilo ou tom instituição, condicionando-a quanto às suas características e possibilidades
educacionais. Nosso foco de análise tem, portanto, como pressuposto, a idéia de que
as tensões existentes entre os diversos públicos partícipes da escola, afeta e determina clima escolar, principalmente no caso da ação cotidiana dos professores, os quais passam a sentir-se envolvidos em uma permantente condição de ameaça, seja esta real ou imaginária.
 Entendemos, assim, que é neste nível de encontro entre as ações específicas dos diversos partícipes da escola, principalmente na relação professor-aluno, que se consolida o lugar possível para o surgimento das relações de medo.
Para o presente exercício, o medo é considerado como uma emoção que surge como resposta
a um perigo concreto e objetivo, é o que mobiliza o individuo a se preservar. Apesar de nem sempre a situação de risco estar presente, ela pode ser constantemente identificada, pois o medo pode surgir devido às recordações, antecipações e fantasias sobre uma determinada situação. Neste sentido, ressalta-se a idéia de medo como umcomponente da própria modernidade, presente sinuosamente na quase totalidade das relações cotidianas. Ou seja, podemos entender o medo como uma forma de autopreservação, tanto do individuo como da espécie. Deste modo é conferido ao medoduas funções: a de prevenção e cautela; e a de desafio e enfrentamento. E é neste contexto que se produzem as relações fundamentais para o sucesso dos processos pedagógicos que visam à aprendizagem. Alunos e professores passam a dialogar mediados pelo medo.
Para a aproximação do tema aqui proposto à nossa realidade regional, serão relatados e analisados resultados preliminares de uma investigação, realizada entre Agosto e Outubro de 2009, em cinco escolas de ensino fundamental e médio da rede pública do Distrito Federal. O estudo, realizado com base em metodologia proposta pela Rede Iberoamericana de observatórios de violências nas escolas, foi desenvolvido pela Cátedra UNESCO de Juventude, Educação e Sociedade, da UCB e teve como objetivo investigar de que maneira os professores compreendem e vivenciam o medo nas escolas em que trabalham.

Palavras Chave: professor, violência, formação

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