“Continuo buscando, re-procurando. Ensino porque busco, porque indaguei, porque indago e me indago. Pesquiso para conhecer o que ainda não conheço e comunicar e anunciar a novidade”.

Paulo Freire


domingo, 5 de setembro de 2010

CLIMA DE VIOLÊNCIA NAS ESCOLAS

CLÍNICA E CULTURA  SEMINÁRIO DE SAÚDE DE

ADOLESCENTES EM  CONFLITO COM A LEI SIMPÓSIO CÁTEDRA
                           UNESCO DE JUVENTUDE,

EDUCAÇÃO E SOCIEDADE     -     CLIMA E VIOLÊNCIAS ESCOLARES:


                   SOLUÇÕES SIMPLES FAZEM DIFERENÇA

Adriana Lira   -  Universidade Católica de Brasília  - Cátedra UNESCO de Juventude

                              Educação e Sociedade da mesma Universidade



As violências têm sido um dos principais desafios das escolas da capital federal e do


Brasil, tornando-se uma incógnita para os pesquisadores da área educacional. O


crescente número de investigações realizadas ao longo dos anos, sob variados


enfoques, sugere que as violências tomam dimensões maiores, carecendo, por essas


razões identificar por que parte das escolas não atinge seus objetivos no processo de


superação dessas. Assim sendo, este artigo propõe uma reflexão sobre o clima escolar


como recurso indicador da necessidade e possibilidade de mudanças aos gestores e


equipe comprometidos com uma educação de qualidade, portanto, medida eficaz que


independe de recursos sofisticados, mas da sensibilidade e responsabilidade. A pesquisa


realizada em cinco escolas da periferia de Brasília, com alto nível de violência, em


diferentes etapas do Projeto Segurança Escolar do Ministério Público do Distrito Federal,


teve como principal objetivo analisar quais as relações existentes entre clima e


violências e, ainda, investigar quais as estratégias utilizadas para construir um clima


positivo de modo a prevenir e superar as violências. Todavia, cumpre lembrar que esta


não representa a situação da Unidade Federativa estudada. A pesquisa quantiqualitativa,


de natureza descritiva e exploratória, caracterizada como um estudo de


casos múltiplos, teve seus dados coletados no primeiro semestre de 2008. A amostra


envolveu 1004 informantes do ensino fundamental dos turnos matutino e vespertino


(5º ao 9º ano), entre gestores, professores, alunos, orientadores educacionais,


servidores e policiais militares, além da realização da observação in loco. Para os dados


quantitativos, realizou-se análise estatística usando o software Statistical Package for


the Social Siences (SPSS), versão 15.0. Para os dados qualitativos foi utilizada a análise


de conteúdo. Evidências de pesquisa mostraram que a superação das violências tem


relação direta com a qualidade do clima escolar, detectando a existência de relações


bilaterais entre o clima organizacional e as violências, num processo cíclico acumulativo.


Os resultados apontaram que o gestor exerce influência sobre o clima, confirmando que


a sua postura e a adoção de medidas simples e de baixo custo são capazes de elevar a


qualidade do clima. Por meio de uma gestão democrática, acessível, comprometida e


ainda por estabelecer com os estudantes um pacto de confiança, a gestora de uma das


escolas encaminhava problemas idênticos aos de outras unidades escolares, alcançando


resultados diferentes por meio de esforços coletivos, adoção de projetos de convivência


e educação não formal (como o programa Escola Aberta nos fins de semana),


implementação de currículos significativos e envolvimento dos atores, entre outras


medidas. Já em quatro das escolas investigadas, o estilo centralizador, autoritário,


burocrático e ausente de seus gestores, os quais se dedicavam ao trabalho com papéis,


no gabinete, sendo antes de tudo aplicadores de punições aos alunos, comprometia  ainda mais a qualidade do clima da escola, suscitando violências. A pesquisa concluiu



que o clima escolar faz diferença em face das violências, envolvendo soluções diárias

nas atividades cotidianas, ensinando os educandos a conviver, pelos exemplos e

palavras. Todavia, sem considerar ou avaliar o clima, escolas acabam adotando

medidas improvisadas por ensaio e erro, daí em grande parte o seu insucesso na

superação das violências.
I

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